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Indígenas ameaçam bloquear estradas em MT por falta de alimentos e remédios

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Famílias que vivem nas aldeias de Marãiwatsédé fazem novo apelo

Caciques e cacicas de 14 aldeias da etnia Xavante que vivem na Terra Indígena de  Marãiwatsédé, região dos municípios de Alto Boa Vista (MT) e Bom Jesus do Araguaia (MT), se reuniram neste domingo (18.09) e estão em alerta para possível bloqueio de estradas e pontes diante da falta de recursos para compra de alimentos e remédios.

“Sinto muito de falar. Eles (caciques e cacicas) decidiram que se não houver a vossa atenção, com maior urgência eles se manifestam de bloquear estradas e interditar pontes”, afirmou o cacique José de Arimateia, porta-voz das lideranças.

Há meses as lideranças têm alertado para o risco de escassez de comida e remédios nas aldeias. No início do mês eles reforçaram as denúncias mostrando, por vídeos, a falta de medicamentos no posto de saúde da aldeia  Marãiwatsédé  , que atende os quase dois 2 mil indígenas.

“Sensibilizar com a solicitação, porque estou muito preocupada com as mulheres gestantes, porque não tem como pagar o exame de ultrassonografia, por isso te peço. Antes morria muitas crianças, até no ventre, mas com esse pagamento dos arrendatários melhorou condições de atendimento da saúde das mulheres”, pediu a cacica Marta Cléria Pe’rãiwa da aldeia Cristo Rei.

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Desde 2018 as famílias Xavante que vivem na TI de  Marãiwatsédé   tentam viabilizar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto Ministério Público Federal (MPF) e à Funai, mas a proposta não avançou por inoperância das duas instituições. O apelo das lideranças era para que regularizasse a parceria estabelecida com pecuaristas da região para o uso dos pastos na terra indígena.

A Terra Indígena Marãiwatsédé possui mais de 165,2 mil hectares a nordeste de Mato Grosso e quando os indígenas retornaram para a área, em 2013, 70% já era pasto. A parceria com os pecuaristas foi estabelecida em 2018, após anos de fome e miséria, mas por determinação da Justiça Federal os pagamentos aos indígenas estão bloqueados e as aldeias sem recursos.

Em julho juíza da Vara Federal de Barra do Garças, Danila Gonçalves de Almeida, autorizou a criação de gado na TI Marãiwatsédé, para agricultura familiar da comunidade, mas em recente decisão da Justiça Federal foi determinado o bloqueio de todo o patrimônio dos parceiros que usam o pasto na área o que impede o pagamento aos indígenas.

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“Comunidade de toda a terra indígena de  Marãiwatsédé   está em situação difícil. Não tem como se alimentar, não tem como ter condições de vida aqui na terra indígena. Por isso te peço gentileza na maior colaboração de reverter esta situação”, pediu o cacique José de Arimateia.

Descaso com os indígenas

Essa não é a primeira vez que caciques das aldeias da Terra Indígena de  Marãiwatsédé   fazem apelo para garantir melhor assistência à saúde e recursos para a alimentação das famílias das 14 aldeias.

Em maio deste ano as lideranças indígenas já buscavam chamar a atenção das autoridades para a escassez de remédios no posto de saúde que atende as aldeias, principalmente para os casos de pacientes diabéticos. Além da falta de alimentos diante da falta de recursos para distribuir às famílias.

Veja o vídeo:👇

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“Me sinto constrangido pelo quadro apresentado de feminicídio no nosso estado”, diz presidente do TJMT, José Zuquim, VEJA O VÍDEO

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por Nayara Cristina

 

Constrangimento institucional expõe crise: presidente do TJMT convoca imprensa para conter avanço do feminicídio

O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim, fez um apelo direto à imprensa mato-grossense durante café da manhã realizado nesta semana, em Cuiabá, ao reconhecer o cenário alarmante de violência contra a mulher no estado e admitir constrangimento diante dos números crescentes de feminicídio.

A reunião, que contou com a presença de magistrados e integrantes do corpo jurídico da Corte, teve como foco central mobilizar veículos de comunicação para atuarem como aliados no enfrentamento à violência de gênero. Em sua fala, Zuquim destacou que Mato Grosso tem figurado entre os estados com maiores índices de feminicídio no país, situação que, segundo ele, expõe não apenas falhas estruturais, mas também um desafio coletivo que envolve instituições e sociedade.

O desembargador afirmou que se sente “constrangido” enquanto chefe do Judiciário estadual ao ver a repetição de casos brutais contra mulheres, muitos deles marcados por histórico de violência doméstica já conhecido. Para ele, o cenário revela que apenas a atuação repressiva do Estado não tem sido suficiente para conter a escalada dos crimes.

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Durante o encontro, foi reforçada a importância da comunicação responsável. A Corte chamou atenção para o papel da imprensa na forma como os casos são noticiados, destacando que a exposição excessiva, a espetacularização ou até mesmo abordagens inadequadas podem, de maneira indireta, contribuir para a banalização da violência. Esse ponto dialoga com discussões recentes levantadas por especialistas e autoridades, incluindo um delegado federal que esteve no estado e apontou possíveis efeitos colaterais da divulgação massiva de crimes, sobretudo quando há repetição e detalhamento excessivo.

A iniciativa do Judiciário busca, portanto, estabelecer uma parceria com jornalistas, radialistas e apresentadores de televisão para que a cobertura contribua com a conscientização, a prevenção e a orientação das vítimas, sem reforçar padrões de violência ou estimular comportamentos de risco.

Dados recentes mostram que Mato Grosso segue acima da média nacional em casos de feminicídio. Os registros apontam que grande parte dos crimes ocorre dentro de casa e é praticada por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. A reincidência de agressões, muitas vezes ignoradas ou subnotificadas, também aparece como fator determinante nos desfechos trágicos.

Além do debate institucional, o encontro também reforçou a necessidade de ampliar a divulgação de canais de denúncia e redes de proteção. Mulheres em situação de risco podem buscar ajuda por meio do telefone 190, da Polícia Militar, ou pelo 197, da Polícia Civil. O canal nacional de apoio à mulher, o 180, funciona 24 horas e recebe denúncias de violência doméstica em todo o país.

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Em Mato Grosso, a Polícia Civil de Mato Grosso mantém Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher em cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop, com atendimento específico para vítimas. Em casos de emergência, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso também pode ser acionado pelo 193.

Casas de amparo e centros de referência, vinculados às prefeituras e ao governo estadual, oferecem acolhimento psicológico, jurídico e social às vítimas, funcionando como suporte fundamental para romper ciclos de violência.

Ao final do encontro, Zuquim reforçou que o enfrentamento ao feminicídio exige uma atuação conjunta e contínua. Segundo ele, o Judiciário seguirá adotando medidas rigorosas, mas a mudança efetiva depende de transformação cultural, informação de qualidade e engajamento coletivo — cenário em que a imprensa, segundo o magistrado, tem papel decisivo.

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