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Trajetória de Vera Capilé será revisitada em livro, documentário e CD

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Já está em fase de produção o projeto que homenageia artista nascida em MS, mas cuja história se entrelaça com a cultura cuiabana e mato-grossense

 

Expoente da cultura cuiabana, mas que a propósito nasceu em Dourados (MS), a cantora e compositora Vera Capilé tem passado os últimos dias revivendo as memórias. Uma das homenageadas do edital Mestres da Cultura, a artista vai ter sua biografia registrada em livro, documentário e ainda, uma coletânea com as músicas mais marcantes de sua carreira será lançada.

“Disseram que precisavam do meu release e nem questionei. Depois, me chamaram para um café: ‘Vera, você vai ser homenageada’. Chorei igual criança”, se diverte ao lembrar da boa nova levada pela proponente do projeto, Tatiana Horevicht.

“Vera nasceu em Mato Grosso do Sul, numa época em que os estados eram um só. E ao viver boa parte de sua vida em Cuiabá, sua história se entrelaça de tal maneira com a cultura de Mato Grosso, que ela se tornou um dos ícones da cultura mato-grossense. Tem uma contribuição imensurável e incontestável quando revisitados os 60 anos de carreira que completa em 2021”, destaca Tatiana. Na empreitada recebe suporte do historiador Luiz Gustavo Lima e da cineasta Juliana Capilé.

E se alguém contestar a legitimidade da informação, Vera emenda brincando: “Já tenho até título de cidadã cuiabana”. E entrega: “acredita que ainda não tenho a de cidadã mato-grossense? Fica a dica!”, ri muito.

Livro, documentário e CD

No primeiro mês do projeto, cuja execução está focada na produção do livro, Vera sabe que ainda tem muito “chão” pela frente. “Me pediram para garimpar fotos antigas, vamos fazer fotos atuais e tenho dado É tanta coisa que estou revivendo”.

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Para o documentário, cujas gravações ainda vão começar, serão promovidos encontros com amigos e importantes parceiros artísticos. “Imagina só o nível de felicidade que estou vivendo! Me reunir com grandes amigas como Glória Albues, Vitória Basaia e Lúcia Palma! Mal posso esperar”.

Tatiana ressalta que junto aos livros, serão encartados os CDs e está na lista dos pontos de distribuição, bibliotecas de todo o Estado de Cuiabá. “Dessa forma a gente contribui como fortalecimento da história cultural de nosso Estado”.

O documentário arremata as diferentes nuances da proposta selecionada pelo edital da Aldir Blanc, viabilizado pelo Governo de Mato Grosso via Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer (Secel-MT) em parceria com o Governo Federal via Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.

O secretário Beto Machado destaca celebrou a homenagem a Vera. “Além de ser uma artista fabulosa, Vera Capilé é uma ativista da cultura mato-grossense. Sua arte honra o conjunto do patrimônio imaterial de Mato Grosso”.

Trajetória inconteste

Nesse exercício de revisitar suas memórias, Vera tem fortalecido também sua autoestima. “Daí que eu fui olhar para trás. Foi tanta coisa que eu já fiz, representando nossa cidade, nosso Estado e até o nosso país em apresentações internacionais como a que fiz”.

Vera levou o nome e a música de Mato Grosso para todo o Brasil e para a França em turnê pelo Projeto Pixinguinha ao lado de Simone Guimarães e Renato Brás. Ela cantou, entre outras músicas, o hino de São Benedito, do qual é devota. Ela também é reconhecida por performances memoráveis entoando os hinos de Cuiabá, Mato Grosso e nacional, à capela ou ao som da viola de cocho. Muitas destas, na companhia de outro grande parceiro, Habel Dy Anjos.

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Além de toda a colheita que vem de uma longa trajetória em defesa da cultura mato-grossense, Vera espera que esse momento único de sua carreira possa reforçar suas raízes. “Gostaria muito que as pessoas soubessem que tive todas essas pessoas que deram base, a principal delas, meu pai”. Sinjão Capilé foi quem sempre a orientou.

“Nunca elogiou. Ele só me olhava. Mas um dia, quando ele estava me acompanhando em um show em 2015 e ele tinha 99 anos, ficou me olhando por um tempo como se nutrisse grande admiração e disparou: eu nunca vi alguém cantar como você. Eu sabia como me amava, mas até então, nunca tinha expressado. É um momento inesquecível da minha vida”.

Para tornar esse momento que está vivendo ainda mais especial, Vera também arremata o livro em que reconta A propósito, Vera adianta que também ela teve projeto aprovado no edital MT Nascentes. Oportunidade que terá de publicar um livro sobre a trajetória do pai, que não só foi expoente da música, como também, da história política de Mato Grosso. “Mas isso é uma outra história, aguardem”.

Serviço

Homenagem a Vera Capilé

Projeto selecionado por edital da Lei Aldir Blanc/Secel-MT

Status: Em fase de produção

 

Lidiane Barros
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CULTURA

“A Lei Aldir Blanc é um divisor de águas para a cultura em MT”, avalia o secretário de Cultura, Esporte e Lazer do Estado

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Desde janeiro de 2021, com a Lei Aldir Blanc, artistas, agentes e trabalhadores da cultura estão em plena atividade, debruçados sobre os mais diversificados projetos, contemplando assim toda a cadeia produtiva da cultura em Mato Grosso

Protásio de Morais | Secom-MT

Entrevista com o secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Alberto Machado
Foto por: Mayke Toscano/Secom-MT

À frente da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso desde julho do ano passado, Alberto Machado, o Beto Dois a Um, destaca os resultados alcançados pela Lei Aldir Blanc no estado e adianta seus planos para novos editais que fortalecerão a cadeia produtiva da cultura e do esporte em Mato Grosso, daqui em diante.

Nesta entrevista, Beto fala sobre cada etapa do certame, sobre os rigorosos critérios técnicos estabelecidos para seleção dos projetos, comemora a democratização do acesso aos editais, expectativas para novos prazos de execução e prestação de contas da Aldir Blanc e destaca a importância da lei para o setor produtivo da cultura. Confira a entrevista.

Secretário, o objetivo da Lei Aldir Blanc foi alcançado pela Secel? As pessoas e empresas do setor cultural que precisavam foram realmente contempladas?

Beto Dois a Um – Sem sombra de dúvidas, a Lei Aldir Blanc é um divisor de águas para a cultura em Mato Grosso e em todo o Brasil. Com absoluta certeza, a lei cumpriu sua missão. Foram três incisos: o que tratava da renda emergencial mensal aos trabalhadores da cultura, impedidos de trabalhar por conta das restrições da pandemia e passando por necessidades; o subsidio para manutenção de espaços culturais; e por fim os editais, que reacenderam a chama do setor cultural e reativaram sua cadeia produtiva.

Um projeto muito amplo com objetivos diversos, suprindo as necessidades que este momento de dificuldade extrema exige. Parabenizo o Governo Federal pela sensibilidade ao perceber a importância da cultura para a sociedade.

O senhor já disse que a Lei Aldir Blanc em Mato Grosso democratizou o acesso aos recursos pelo setor cultural. Como os critérios foram estabelecidos para que tal acesso fosse realmente possível?

Beto Dois a Um – Esse foi o grande diferencial desses editais: a democratização do acesso aos recursos. Conseguimos pluralizar o atendimento ao setor cultural, em relação aos editais do passado. Destinamos 60% dos recursos para os municípios do interior de Mato Grosso e 40% para os municípios da Baixada Cuiabana. Criamos uma nota social para segmentos invisibilizados da cultura, nunca antes valorizados por outros editais, em outras épocas.

Setores e agentes que nunca tiveram acesso aos recursos públicos destinados à cultura, desta vez, tiveram oportunidade. Exemplo para cidades com menos de 40 mil habitantes, portadores de necessidades especiais ou uma nota social especifica para mulheres. Artistas que antes não tinham acesso, hoje disputam de igual para igual.

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Entendemos que a distribuição desses recursos foi realizada de forma muito mais igualitária e democrática. Temos cidades que nunca tinham sido atendidas e hoje estão contempladas, ativando a cultura em seus municípios por meio da Lei Aldir Blanc. Isso é maravilhoso.

Secretário, há muitas dúvidas sobre quem poderia ter participado e acessado os recursos da Aldir Blanc. Quais eram as vedações da Lei?

Beto Dois a Um – Os editais foram criados para contemplar a cadeia produtiva da cultura de maneira abrangente. Poderiam participar, desde que comprovadas atuações no segmento da cultura e do entretenimento, pessoas físicas e jurídicas, associações e até empresas com fins lucrativos.

O objetivo era simples, reacender a chama da cultura e valorizar a cadeia produtiva do setor, contemplando assim profissionais de todas as frentes de trabalho, desde que ligados ao setor cultural.

Mas algumas vedações se fizeram necessárias. Membros titulares ou suplentes do Conselho Estadual de Cultura não puderam participar, servidores da Secel não puderam participar, parentes de até terceiro grau, tanto de membros da Secel quanto do Conselho, também não puderam participar.

Qual foi a sua participação no processo de aprovação dos projetos em relação aos editais? E como a comissão trabalhou durante a análise dos projetos concorrentes?

Beto Dois a Um – A Secel organizou um formato de avaliação que teve de ser muito rápido, com prazos muito curtos, estipulados pelo Governo Federal. Afinal, é uma lei emergencial, que apesar de muito importante, chegou de maneira tardia. Para isso foi montada uma comissão responsável pela habilitação dos projetos, composta por membros do Conselho Estadual de Cultura e servidores da Secel.

Eu não participei desse processo de escolha ou seleção, para que a análise fosse totalmente isenta. A lista de quem participou de todas as habilitações foi divulgada em portaria, especificando funções, análises e encargos de cada um dos membros da comissão avaliadora, demonstrando total transparência do processo.

Há uma polêmica em torno da Lei Aldir Blanc, pois alguns municípios não utilizaram os recursos. O que aconteceu e quais as consequências? Os recursos serão perdidos?

Beto Dois a Um – Tivemos R$ 50 milhões destinados ao Estado de Mato Grosso. Desse valor, metade foi direto para o Governo do Estado e os outros R$ 25 milhões destinados diretamente às 141 prefeituras de Mato Grosso.  Algumas prefeituras não quiseram fazer adesão a esse processo e reverteram R$ 4 milhões para o Estado, o que possibilitou o Estado lançar um novo edital de pouco mais de R$ 29 milhões.

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Infelizmente, alguns municípios não entenderam a importância dessa lei para o segmento da cultura. Assim, se não me engano, foram 19 municípios que não fizeram uso desse recurso e nem retornaram os valores ao Governo do Estado, para que pudéssemos ampliar nossos editais.

Neste momento esse dinheiro está parado e, em tese, teria que ser devolvido ao Governo Federal. Mas, graças a uma ação da nossa bancada federal, em especial do senador Wellington Fagundes, um projeto de lei foi elaborado para ampliar os prazos, tanto de exclusão quanto da prestação de contas. E se esse projeto for sancionado na íntegra, teremos a chance para que esses municípios não percam os recursos.

Aproveito a oportunidade para parabenizar os municípios que entenderam a importância dos recursos para os trabalhadores da cultura e que buscaram a ajuda dos técnicos da Secel que foram disponibilizados para orientar as prefeituras. O importante é que esses recursos cheguem aos quatro cantos de Mato Grosso e, para isso, a Secel está sempre de portas abertas para ajudar.

Secretário, existe a possibilidade de a Secel abrir novo edital para a Lei Aldir Blanc no âmbito estadual?

Beto Dois a Um – Vamos lançar em breve o Edital Movimentar, um auxílio emergencial para os trabalhadores da cultura e do esporte para realização de lives, no valor de R$ 2 milhões, em parceria com Assembleia Legislativa de Mato Grosso, para implementar o fazer cultural e esportivo. Um tipo de auxílio para que os artistas e esportistas consigam realizar seus trabalhos dentro de casa e com segurança.

Além disso, temos muitos editais planejados para este ano e para 2022 também.

Torcemos para que a vacina chegue de maneira efetiva e que a cultura reocupe seu espaço de protagonismo na sociedade mato-grossense.

Qual seu parecer sobre os resultados da Lei Aldir Blanc em Mato Grosso?

Beto Dois a Um – A Lei Aldir Blanc auxiliou quem estava realmente precisando de ajuda, além da manutenção de espaços culturais em todo o estado e, por fim, os editais que possibilitaram a manutenção da cadeia produtiva da cultura em Mato Grosso. Hoje, para onde se olhe, é possível enxergar muitas produções em andamento: filmes, lives, shows, teatro, dança, música, literatura, exposições, festivais, seminários, mantendo assim a chama da cultura viva em nosso Estado.

E isso é só o começo, muito ainda está por vir.

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