Nacional
Teia familiar : Veja como Mohamed Mourad usou quase toda a família para comandar rede bilionária de lavagem de dinheiro do PCC
JB News
por José Teixeira
A Polícia Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto , que revelou um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro já desmantelados no país, com movimentações bilionárias ligadas ao tráfico de drogas e articuladas por integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Segundo os investigadores, a rede criminosa utilizava uma sofisticada engenharia financeira para disfarçar a origem ilícita dos recursos, movimentando valores por meio de fintechs, bancos nacionais, fundos de investimento e, principalmente, empresas do setor de combustíveis.

No centro da investigação está o empresário Mohamed Hassein Mourad, apontado como o cérebro do esquema. Ele teria idealizado uma estrutura empresarial que incluía familiares e pessoas de confiança, usados como laranjas em dezenas de empresas abertas, transferidas e encerradas ao longo dos anos. O objetivo era criar uma rede complexa de negócios de fachada que dificultava a detecção pelas autoridades financeiras.
A força-tarefa identificou que praticamente toda a família de Mohamed estava inserida no esquema:

Hossein Ali Mourad, pai do empresário, é sócio de uma distribuidora de combustíveis com unidades em Paulínia (SP), Osasco (SP) e de uma rede de postos em Santos (SP).

Khadij Mourad, mãe de Mohamed, era dona de lojas de conveniência, que foram posteriormente transferidas para a filha.

Amine Hossein Ali Mourad, irmã de Mohamed, chegou a ser proprietária de 168 lojas de conveniência, todas fechadas simultaneamente em 2023. O nome dela também aparece ligado a postos, motéis e armazéns de combustíveis.

Armando Hossein Ali Mourad, irmão de Mohamed, assumiu postos e uma distribuidora em Goiás.

Imad Abdallah Mourad, primo do empresário, atuava como um dos principais testas de ferro. Ele foi diretor de uma empresa que controlava 103 postos de combustíveis, sócio de uma locadora de veículos e ainda aparecia como cotista em fundos de investimento que ultrapassavam R$ 53 milhões.

Silvana Correia, esposa de Mohamed, também foi identificada como laranja. Ela era titular de uma previdência privada com saldo de R$ 45 milhões, valor considerado incompatível com sua renda declarada. Além disso, chegou a ser sócia de diferentes empresas ligadas ao grupo.
De acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público, a estratégia da organização criminosa consistia em fragmentar empresas e negócios em diferentes etapas da cadeia produtiva de combustíveis, desde distribuidoras e postos até lojas de conveniência e armazéns. Essa fragmentação permitia ocultar movimentações financeiras, criar camadas sucessivas de transações e dificultar a identificação da origem dos recursos.
Além do setor de combustíveis, o grupo utilizava fundos de investimento, locadoras de veículos, motéis e fintechs para movimentar o dinheiro. Empresas eram abertas e fechadas de forma recorrente, criando uma falsa aparência de legalidade e pulverizando patrimônios em nome de parentes e associados.
As autoridades afirmam que o esquema revelou a capacidade do PCC em criar mecanismos empresariais de alto nível para lavar recursos do tráfico de drogas. Segundo os investigadores, a operação mostra como a facção se consolidou também no campo econômico, utilizando-se de estruturas empresariais para dar suporte financeiro ao crime organizado.
A Operação Carbonoculto segue em andamento, com mandados de prisão, bloqueio de bens e apreensão de documentos. O patrimônio rastreado já ultrapassa centenas de milhões de reais, e a expectativa é de que novas fases aprofundem o mapeamento da rede de lavagem.
Nacional
Operação Compliance Zero avança e mira corrupção no alto escalão do sistema financeiro
Brasília, 16/4/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) divulgou os resultados da quarta fase da Operação Compliance Zero em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (16), no Palácio da Justiça.
Deflagrada hoje, a fase atual investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, com foco na corrupção de gestores envolvidos nas negociações sob investigação. A Polícia Federal cumpre dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, emitidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal (DF) e em São Paulo (SP).
Participaram da coletiva o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; o diretor-executivo da Polícia Federal (PF), William Marcel Murad; o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali; e o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas.
O ministro Wellington Lima reforçou que a divulgação de informações ocorre dentro dos limites legais. “É dever do Ministério da Justiça e da Polícia Federal prestar informações à população, mas com rigorosa observância do sigilo.”
Segundo Murad, esse é um desdobramento direto das investigações iniciais e se concentra na apuração de corrupção associada à operação financeira investigada desde o início. “Temos uma operação extremamente complexa, com fases e fatos distintos.” Ao reforçar as limitações na divulgação de detalhes, ele ressaltou que parte significativa das investigações segue sob sigilo.
Fases da Operação Compliance Zero
A Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar fraudes contra o sistema financeiro nacional, com foco na emissão e na negociação de títulos de crédito falsos.
As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, e apontam que o Banco Master teria criado carteiras de crédito sem lastro, posteriormente vendidas ao Banco de Brasília (BRB) e substituídas por ativos sem avaliação técnica adequada, após fiscalização do Banco Central do Brasil.
A operação foi estruturada em diferentes fases interligadas:
1ª fase (nov/2025): foco nas fraudes envolvendo a negociação de créditos fraudulentos entre instituições financeiras. Segundo Murad, tratava-se de “créditos fraudulentos inexistentes […] que davam lastro à negociação”. Foram cumpridos 25 mandados de busca, sete prisões e houve bloqueio de R$ 1,3 bilhão, além do afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
2ª fase (jan/2026): aprofundamento das fraudes estruturais no sistema financeiro, com uso de fundos para sustentar o esquema. O diretor-executivo da PF apontou um sofisticado esquema com camadas distintas de fundos. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, uma prisão e bloqueados cerca de R$ 6 bilhões.
3ª fase (mar/2026): investigação de corrupção de agentes públicos e obstrução de justiça, com quatro prisões e afastamento de dois servidores do Banco Central.
4ª fase (atual): foco na corrupção de gestores e na lavagem de dinheiro. Segundo a PF, a etapa investiga a corrupção dos gestores e o esquema de lavagem de dinheiro decorrente desses atos.
Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, corrupção e lavagem de dinheiro. As medidas judiciais incluem prisões preventivas, buscas e apreensões, afastamento de cargos públicos e o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens, com o objetivo de interromper as atividades do grupo e garantir a recuperação de ativos.
Durante a coletiva, o Governo Federal destacou que a operação se insere em uma estratégia mais ampla de combate ao crime organizado. Segundo o secretário Chico Lucas, a diretriz é “atacar o andar de cima e os magnatas do crime”, com foco na chamada asfixia financeira das organizações criminosas.
As autoridades também enfatizaram o compromisso com a institucionalidade e a autonomia das investigações.
“Não há caminho fora da institucionalidade. Não se persegue nem se protege, a atuação se dá nos limites da lei”, enfatizou o ministro Wellington Lima.
A Polícia Federal reforçou que novas fases não estão descartadas e que seguirá atuando com autonomia para aprofundar os desdobramentos das investigações.
-
Policial5 dias atrásPolícia conclui investigação contra quadrilha que investiu R$ 3,5 milhões em mega-assalto frustrado em Confresa; cerco terminou com 18 mortos
-
Policial5 dias atrásAdolescente de 16 anos é atraído por falsa ligação da namorada, sequestrado em VG, espancado e jogado em praça de Cuiabá em estado grave e encontrado pela família cinco dias depois no Pronto Socorro
-
Policial5 dias atrásMotorista de carreta com 50 toneladas de soja diz não saber se moto estava parada ou em movimento em acidente que matou casal na BR-163, Vítimas são identificadas
-
Policial6 dias atrás“Estava doidão”, diz ex-companheiro que matou jovem estrangulada com toalha após consumo de cocaína, MDMA e álcool em Sinop, VEJA O VÍDEO
-
Cidades5 dias atrásIdosos de 75 e 66 anos são presos em flagrante após assassinato brutal de jovem de 20 anos e tentativa de ocultação do corpo em Tapurah
-
Estadual4 dias atrásOperação Pentágono desarticula atuação interestadual e responsabiliza envolvidos no ataque em Confresa
-
Cidades6 dias atrásImagens de circuito interno expõem último homem visto com jovem antes de morte por estrangulamento em Sinop
-
CUIABÁ4 dias atrásHomem é encontrado morto em motel de Cuiabá com sangramento na cabeça; polícia apura circunstâncias









