CULTURA

Inicia hoje a pré-mostra de Cinema Negro de Mato Grosso

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COMEÇA HOJE A PRÉ-MOSTRA DE CINEMA NEGRO DE MATO GROSSO

Filmes ganhadores das Mostras anteriores ficam disponíveis até dia 31 de agosto no site do coletivo

Por Carol Damasceno

Começa hoje (25.08) no site (http://quaritere.com.br/) a pré-mostra de Cinema Negro de Mato Grosso com ganhadores das Mostras anteriores e algumas produções de membros do coletivo audiovisual negro Quariterê. Os filmes ficarão disponíveis para acesso até o dia 31 de agosto.

Confira as sinopses dos filmes selecionados para a Pré-mostra:

A GRANDE CEIA QUILOMBOLA 

Direção de Ana Stela Cunha e Rodrigo Sena

(Documentário/Maranhão/ 52’/ 2017)

SINOPSE

No Quilombo de Damásio, terra doada por um senhor de engenho a três de suas escravas, o alimento tem sido secularmente cultivado e extraído da natureza de forma parcimoniosa, fazendo parte de uma estrutura social que privilegia o grupo. O documentário retrata parte destes saberes, tendo a comida um papel fundamental na coesão do grupo.

CABELO BOM

Direção Cláudia Alves Swahili Vidal Moreira

(Documentário/15’/2017)

SINOPSE

Veja como a mulher negra é pressionada esteticamente para se enquadrar em padrões pré-estabelecidos a partir de três personagens que expõem sua relação com o cabelo crespo. Elas contam suas trajetórias de vida, histórias de preconceito e mostram como a auto aceitação de suas raízes capilares foi, e ainda é, fundamental para se afirmar como mulheres negras em um país como o Brasil.

CLANDESTYNA 

Direção de Duca Caldeira

(Documentário/Rio de Janeiro/ 21’/ 2018)

SINOPSE

Um dos projetos finais do LAB NEM, iniciativa que possibilita a participação de pessoas trans no audiovisual, CLANDESTYNA apresenta Dayo, Piranhafudida e Ducaralho. Três travestis pretas da Baixada Fluminense, que recorrem a arte para sobreviver ao país que mais mata transvestigeneres no mundo.

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COMO SER RACISTA EM 10 PASSOS 

Direção de Isabela Ferreira 

(Ficção/Cuiabá/15’/2018)

SINOPSE

Curta provocativo que traz à tona e confronta o racismo estrutural velado, através de situações sensíveis, normalizadas e naturalizadas que serão facilmente identificadas pelo público. O filme mostra a realidade cotidiana de pessoas negras comumente afetadas pelo racismo enraizado, por atitudes que vão além do que é verbalmente dito. O racismo real precisa ser discutido.

COROAÇÃO

Direção de Juciara Áwô e Luana Arah

(Experimental/ Rio de Janeiro/ 9’/2019)

SINOPSE

Mulheres negras sustentam a ancestralidade, o lugar de fala e ação no ori. Coração subverte rodilhas, baldes, cargas. O trapo insignificante é coroa sagrada. Um corpo negro caminha, erguendo um balde, suportando um oceano, refazendo os passos da própria história.

GIRAMUNDÁ – O congo e a diáspora

Direção de Cláudio Dias e Gilson Costa

(Documentário/Mato Grosso/52’/2018) 

SINOPSE

Moradores de Cuiabá, Várzea Grande e Nossa Senhora do Livramento. Todos com uma só origem: o Complexo Quilombola de Mata Cavalo. Desterritorializados, eles se reúnem todo ano na festa de São Benedito, em Livramento, para encenar a Dança do Congo como uma forma de contar sua história e fortalecer a identidade quilombola em um ritual sagrado de resistência cultural.

MÃE NÃO CHORA 

Direção Carol Rodrigues, Vaneza Oliveira

(Ficção/São Paulo/20’/2019)

SINOPSE

Raquel trabalha na vara da família na defensoria pública, e tem que levar seu filho para o trabalho porque não consegue deixá-lo com o pai.

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POEMARGENS 

Direção Sol e Ananás

(Experimental/ Cuiabá/25’/2020)

SINOPSE 

Sol e Ananás coadunam em poemas, investigando as possibilidades de comunicação entre poesia marginal e performatividade para uma produção artística singular e autoral onde rimas se tecem e trajetórias se recriam.

 

TIA CIATA 

Direção Mariana Campos e Raquel Beatriz

(Documentário/Rio de Janeiro/26’/2017)

SINOPSE

TIA CIATA é um curta-metragem documental que aborda o protagonismo feminino negro sob a ótica de Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, uma mulher de suma importância para a história e cultura brasileira, referência na construção da identidade nacional.

MEMÓRIAS DE TONI

Direção Corte Secos Produções

(Documentário/Cuiabá/11’/2020)

SINOPSE

Toni Bernardo veio da Guiné-Bissau para Cuiabá por um convênio com a UFMT para estudar economia, mas no dia 22 de setembro de 2011 foi espancado e morto em uma pizzaria próxima à universidade. Quase nove anos depois o documentário “Memórias de Toni” traz a lembrança desse caso no momento em que o mundo protesta contra o racismo e vários movimentos sociais reivindicam justiça para Toni.

A VELHICE ILUMINA O VENTO

Realização Coletivo Audiovisual Negro Quariterê – MT/ Direção Juliana Segóvia

(Ficção/Cuiabá/25’/Previsão de lançamento 2020)

A Velhice Ilumina o Vento conta a história da Valda, mulher preta, idosa, periférica, trabalhadora doméstica da cidade de Cuiabá. Mulher forte, cuiabana do “pé rachado”, Valda subverte em seu cotidiano o paradigma da velhice estigmatizada.

SERVIÇO

Pré-mostra online de 25 de agosto a 31 de agosto pelo site http://quaritere.com.br/

Carol Damasceno

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CULTURA

Dos antepassados aos dias atuais: Livro contará história de Vera Capilé 

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Em seus encontros com Vera Capilé, o historiador Luiz Gustavo Lima tem aplicado a metodologia da Tecnologia Social da Memória para realizar pesquisa

Com base nas diretrizes da Tecnologia Social da Memória, metodologia de pesquisa e registro utilizada pelo Museu da Pessoa (SP), o historiador Luiz Gustavo Lima realiza imersão pelas memórias da artista Vera Capilé. O resultado poderá ser conferido em breve, em livro proposto em projeto documental que a homenageia e que foi selecionado no edital Mestres da Cultura.

Luiz Gustavo tem se encontrado regularmente com Vera e também, participou como ouvinte das gravações do documentário. Este, dirigido por Juliana Capilé. Um terceiro produto é uma coletânea com clássicos da carreira de Vera.

“Nesse processo, começamos pelos antepassados dela. Nossa sorte foi que o pai de Vera, seo Sinjão Capilé, e o irmão Júlio, escreveram um livro que conta a saga da família, desde a saída dos Capilé, do interior de São Paulo até chegar em Dourados, Mato Grosso do Sul, quando com Mato Grosso, formava um único Estado. Isso foi lá pelo final do século 19”.

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Então, o registro ancestral é bem fiel. “Sinjão, por exemplo, nasceu na década de 1920 já em Dourados. Então, ela tem esse conhecimento dos primórdios da família, desde Mato Grosso do Sul até a transição para Cuiabá quando bem cedo, ela já começa seu precoce envolvimento com as artes, sempre com o canto, com o teatro”, conta Luiz Gustavo.

O livro segue contando a história de Vera até os dias atuais. As conversas que levavam em média duas horas, foram se desdobrando ao longo de quatro encontros.

Segundo o historiador, dentre os pontos mais marcantes dos relatos de Vera, está a presença muito marcante do pai em sua vida. “Ela esteve sempre muito conectada a ele. Uma figura muito expressiva, um grande orador, político e ainda, um homem das artes, seresteiro, gostava de cantar e tocar violão. Então, há essa facilidade na comunicação, uma das grandes heranças dele para Vera”.

A sensibilidade artística de Vera é tão presente em sua vida que alcança até mesmo a carreira que construiu na Psicologia. “Vera é especializada em psicogerontologia, ciência que se dedica aos cuidados dos idosos e ela se orgulha muito disso e faz com arte”.

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Luiz Gustavo conta que ao ouvir Vera, se emocionava constantemente. “Vê-la construindo a narrativa foi emocionante. Ela carrega uma força descomunal. Tem uma dinâmica da pessoa que entende o valor de sua história. Ao falar e ao seu ouvir, ela vai de certa forma se empoderando ainda mais”.

Para arrematar a coleta de dados, o historiador considera que acompanhar as gravações do documentário foi fundamental. “Ouvi depoimentos de amigos muito próximos, como Ivens Scaff, Jaime Okamura, Vitória Basaia, Glória Albues, Lúcia Palma e o companheiro Waldir Bertúlio, além de amigas de infância e as irmãs que convivem muito perto dela. Os relatos acrescentaram dados complementares”.

O projeto proposto pela produtora cultural Tatiana Horevicht, foi contemplado pelo edital Mestres da Cultura, idealizado pelo Governo de Mato Grosso via Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), em parceria com o Governo Federal via Secretaria Nacional de Cultura do Ministério do Turismo.

  Por Lidiane Barros

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