POLITICA
“São pessoas que não tocam a vida pra frente”, dispara Flávia Moretti ao reagir a áudios e suposto grampo em Várzea Grande
JB News
por Nayara Cristina
A suspeita de um possível esquema de escuta clandestina no gabinete da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, ganhou novos contornos e aprofundou o clima de tensão política no município, já marcado por embates entre o Executivo e o Legislativo e por rupturas internas na própria gestão. O caso passou a ser investigado pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Decor), após a identificação de sinais eletromagnéticos considerados atípicos durante uma varredura técnica realizada no último dia 19 de março.
A inspeção teve início por volta das 8h, com o objetivo de detectar eventuais dispositivos clandestinos de captação e transmissão de áudio e vídeo. Durante o procedimento, um detector portátil de radiofrequência modelo K18 indicou atividade incomum em três tomadas instaladas no gabinete da prefeita. Os pontos, originalmente ligados ao sistema de campanha e atualmente inoperantes, não tinham função aparente, mas ainda assim apresentaram resposta ativa ao equipamento, sugerindo possível emissão de sinais compatíveis com transmissões ocultas. Dois desses pontos foram isolados e o material recolhido encaminhado à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), responsável por apontar se há, de fato, algum tipo de escuta ou outro dispositivo irregular.
Em meio à repercussão, Flávia Moretti se pronunciou na manhã desta sexta-feira, durante evento do Governo do Estado voltado ao combate à violência contra a mulher, realizado em parceria com o Ministério Público, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas e Assembleia Legislativa. Ao abordar o caso, a prefeita adotou cautela e afirmou que não há qualquer conclusão até o momento.
“Foi para a perícia. Eu não tenho resultado da Politec. Eu não sei se é uma escuta, se é uma câmera, o que que é. Às vezes é só um aparelho eletrônico que já estava ali há algum tempo”, disse, ao explicar que o dispositivo identificado ficava em sua mesa e, até então, era visto como algo comum, possivelmente até uma simples campainha sem funcionamento.
A prefeita também afirmou não ter suspeitas sobre quem poderia ter tido acesso ao local para eventual instalação de equipamento clandestino, destacando o fluxo constante de pessoas em seu gabinete. “A sala é de porta aberta, entram servidores, secretárias, muita gente. Eu sou uma prefeita de porta aberta mesmo”, declarou.
O episódio ocorre paralelamente à circulação de áudios atribuídos à prefeita, que passaram a ser divulgados nos bastidores políticos e nas redes, aumentando ainda mais a instabilidade. Moretti afirmou desconhecer o conteúdo e colocou em dúvida a autenticidade das gravações. “Eu desconheço esses áudios, não reconheço ter falado algumas coisas que estão sendo ditas”, afirmou.
Segundo ela, a situação já está sendo tratada pelo setor jurídico da prefeitura, que deve apurar a origem e possíveis manipulações do material. “O meu jurídico vai tomar as providências para saber quem está fazendo isso, como estão fazendo e por que estão fazendo”, disse.
Ao relacionar os episódios ao cenário político local, a prefeita foi direta ao apontar motivações por trás da crise. “Querem criar confusão, querem criar pecuinha em Várzea Grande. São pessoas inconformadas, talvez até por questões eleitorais, que querem me tirar o foco de administrar”, afirmou.
A declaração ocorre em meio a um ambiente de desgaste político envolvendo a gestão municipal. Desde o início do mandato, Moretti enfrenta embates com vereadores e também passou por uma crise interna que culminou na saída do então vice-prefeito Sebastião dos Reis, episódio que evidenciou divisões dentro da administração e ampliou o cenário de instabilidade.
Apesar das turbulências, a prefeita reforçou que não pretende se desviar da condução da gestão. “Pode ter certeza que eu não vou tirar esse foco”, garantiu.
A confirmação sobre a existência ou não de escutas clandestinas depende agora do laudo técnico da Politec. Até lá, o caso segue sob investigação e se soma a um contexto político já tensionado, onde denúncias, vazamentos e disputas de poder têm marcado o ritmo da administração municipal em Várzea Grande.
Veja :
CUIABÁ
Prefeito Abílio Brunini sanciona lei que institui data de combate ao feminicídio em Cuiabá
_ENFRENTAMENTO_
JB News
Da redação
O prefeito Abilio Brunini sancionou, na quarta-feira (15), a Lei nº 7.508 que institui o dia 7 de agosto como o Dia Municipal de Luta Contra o Feminicídio em Cuiabá. A proposta é de autoria do vereador e líder do Executivo na Câmara, Dilemário Alencar, e foi aprovada pelos parlamentares antes de seguir para sanção.
A nova legislação passa a integrar o calendário oficial do município com o objetivo de promover ações de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher, especialmente os casos de feminicídio, que seguem sendo um grave problema social.
Ao sancionar a lei, o prefeito destacou a relevância da iniciativa e reforçou o compromisso da gestão com políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. “Essa é uma pauta urgente e necessária. Precisamos ampliar o debate, fortalecer a rede de proteção e, principalmente, conscientizar a sociedade de que a violência contra a mulher não pode ser tolerada em hipótese alguma. Parabenizo o vereador Dilemário pela iniciativa e reafirmo nosso compromisso com essa luta”, afirmou.
O Dia Municipal de Luta Contra o Feminicídio busca sensibilizar a população sobre a gravidade desse tipo de crime e incentivar a denúncia, além de fomentar campanhas educativas ao longo dos anos.
Em Mato Grosso, os dados do “Relatório das mortes violentas de mulheres e meninas por razão de gênero – 2025”, da Polícia Judiciária Civil, evidenciam a dimensão do problema. O levantamento aponta que casos de feminicídio foram registrados em 36 municípios, o que corresponde a 25% das cidades do estado.
Ainda segundo o relatório, o município de Sinop aparece como o mais crítico, seguido por Cuiabá e Várzea Grande, demonstrando que a violência de gênero atinge tanto cidades do interior quanto grandes centros urbanos.
A criação da data reforça a necessidade de ações contínuas do poder público, aliadas ao engajamento da sociedade, para reduzir os índices de feminicídio e garantir mais segurança às mulheres cuiabanas.
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