Policial
Polícia Civil prende homem suspeito de homicídio em Alto Taquari
A Delegacia de Alto Taquari cumpriu na manhã desta terça-feira (2.9), o mandado de prisão temporária contra um homem de 18 anos, investigado pelo crime de homicídio. Ele é um dos alvos da Operação Tânatos, deflagrada em 13 de agosto deste ano pela unidade policial.
A operação teve como objetivo o cumprimento de 16 ordens judiciais expedidas pela Vara Única de Alto Taquari, incluindo oito mandados de prisão, seis de busca e apreensão domiciliar e dois de internação de adolescentes.
As investigações foram instauradas para apurar o desaparecimento de um homem de 26 anos, visto pela última vez em 28 de março de 2025, nas proximidades de uma agência bancária do município. De acordo com as apurações, a vítima foi brutalmente torturada e executada por integrantes da facção criminosa atuante na cidade, em razão de uma suposta importunação sexual contra uma adolescente da cidade.
Segundo as investigações, familiares da adolescente teriam acionado membros da facção para “resolver a questão”. Um tribunal do crime foi instaurado e, após deliberação entre os criminosos, a vítima foi condenada à morte.
Durante o cumprimento das ordens judiciais a Polícia Civil prendeu em flagrante duas pessoas pelo crime de tráfico de drogas, com a apreensão de 77 porções de maconha, 12 porções de cocaína e 46 porções de pasta-base de cocaína. Outras cinco pessoas foram presas em razão de mandados de prisão temporária, e dois adolescentes foram apreendidos.
A Polícia Civil segue com as investigações para responsabilizar todos os envolvidos no crime.
Fonte: Policia Civil MT – MT
Policial
Ciúme, rejeição e crime brutal: empresário é condenado a 13 anos de prisão por matar mulher trans e abandonar corpo em lavoura de MT
Lá JB News
por Emerson Teixeira
A condenação do empresário Jorlan Cristiano Ferreira a 13 anos e seis meses de prisão, decidida nesta quarta-feira (15), encerra uma das etapas mais marcantes de um caso que chocou Mato Grosso pela crueldade, pela tentativa de apagar vestígios do crime e pelo reconhecimento, pelo Tribunal do Júri, de que a vítima foi morta em razão de sua condição de mulher. A sentença foi proferida em Lucas do Rio Verde e reconheceu os crimes de feminicídio, fraude processual e ocultação de cadáver.
A vítima, Mayla Rafaela Martins, foi assassinada na madrugada de 16 de janeiro de 2024, nos fundos de um estabelecimento comercial localizado no bairro Parque das Emas. Segundo a denúncia do Ministério Público, Mayla foi morta com golpes de arma branca depois de recusar manter um relacionamento com o empresário. Para a acusação, o crime teve como pano de fundo o inconformismo do réu diante da negativa da vítima, revelando sentimento de posse, intolerância e desprezo à autonomia de Mayla.
Durante o julgamento, os jurados acolheram a tese do Ministério Público de que o homicídio foi praticado em razão da condição feminina da vítima. O reconhecimento de feminicídio em um caso envolvendo uma mulher transexual foi apontado pela acusação como um avanço importante na aplicação da lei e no combate à violência de gênero. A decisão reforça o entendimento de que mulheres trans também estão protegidas pela legislação que pune crimes motivados por misoginia, discriminação e menosprezo.
As investigações mostraram que, após matar Mayla, o empresário tentou eliminar qualquer vestígio que pudesse ligá-lo ao crime. Conforme os autos, ele limpou o local do assassinato, descartou pertences pessoais da vítima e organizou o transporte do corpo para longe da cena do crime. O cadáver foi levado até uma área rural no município de Sorriso, onde foi abandonado em uma lavoura, numa tentativa de dificultar a localização e retardar o trabalho da polícia.
A frieza demonstrada na tentativa de ocultação do corpo e de manipular a cena do crime foi um dos pontos centrais levados em consideração durante o processo. A acusação sustentou que não se tratava de um crime impulsivo isolado, mas de uma sequência de atos voltados a esconder a autoria e impedir a responsabilização penal. O Tribunal do Júri acolheu essa linha de argumentação ao também condenar o réu por fraude processual e ocultação de cadáver.
O promotor de Justiça Samuel Telles Costa, que atuou no plenário, afirmou que a decisão representa uma resposta firme contra a violência motivada por preconceito de gênero. Para ele, o julgamento reafirma que crimes praticados contra mulheres — inclusive mulheres trans — não podem ser relativizados nem tratados com tolerância institucional.
O caso provocou grande repercussão desde o início, tanto pela violência do assassinato quanto pelo simbolismo da vítima: uma jovem que teve a vida interrompida de forma brutal. A condenação de Jorlan não apaga a dor da perda, mas estabelece um precedente importante no enfrentamento à violência contra a população trans, historicamente exposta a altos índices de agressão, discriminação e mortes violentas.
Para familiares, amigos e movimentos de defesa dos direitos humanos, a sentença representa um passo importante por justiça. A história de Mayla agora se transforma também em símbolo de resistência e de luta para que crimes motivados por ódio, rejeição e discriminação sejam punidos com o rigor da lei.
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