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Seminário nacional fortalece rede de enfrentamento à violência contra mulheres e amplia debate sobre violência digital

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No dia 15/4, aconteceu, no Senado Federal, o segundo dia do Seminário de Fortalecimento da Rede de Combate à Violência Contra a Mulher. O evento contou com a participação de gestoras e gestores públicos, parlamentares, integrantes do sistema de justiça, profissionais das áreas de saúde, assistência social, educação e segurança pública, além de organizações da sociedade civil, pesquisadores e conselheiros de direitos.

Promovido pelo Ministério das Mulheres, em parceria com o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) e a Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher, o seminário busca ampliar o debate entre representantes dos três poderes e da sociedade civil, de forma a articular políticas públicas para o fim da violência contra as mulheres.

Violência digital

A violência contra mulheres e meninas no ambiente digital se consolida como um dos desafios mais urgentes da atualidade, exigindo respostas articuladas entre Estado, sociedade e plataformas tecnológicas. 

A reflexão foi feita pela pesquisadora e chefe da Assessoria Especial de Comunicação do Ministério das Mulheres, Janara Souza. Em sua fala, a pesquisadora destacou que, em um contexto de crescimento das denúncias e diversificação das formas de violência on-line, o ambiente digital, embora seja espaço legítimo de participação e conquista, ainda reproduz desigualdades históricas e amplia a exposição à violência.

“A internet ainda não é um espaço seguro para as mulheres, é um espaço hostil, mas nós precisamos estar nesse espaço. Nos disseram que a rua era perigosa, a gente foi lá e conquistou. O digital também é perigoso, mas a gente precisa conquistar esse espaço. Nosso desafio é ajudar a criar um ambiente que seja menos hostil para as mulheres”, disse. 

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Segundo dados da Organização das Nações Unidas, apresentados por Janara, 75% das mulheres conectadas já sofreram algum tipo de violência digital. O Brasil figura entre os países com maiores índices de cyberbullying no mundo, perdendo apenas para a Índia. Nesse cenário, a violência on-line não surge como fenômeno isolado, mas como continuidade de práticas estruturais.

Responsabilização das plataformas 

Para a pesquisadora, enfrentar esse cenário passa necessariamente pela responsabilização não apenas dos agressores, mas também das estruturas que permitem a continuidade dessas violações “É preciso responsabilizar também as plataformas pela falha sistêmica, ao permitir que os conteúdos violentos e misóginos sejam monetizados e permaneçam na internet”, explicou.

Segundo ela, o debate envolve avanços regulatórios em curso, com base em entendimentos do Supremo Tribunal Federal sobre o dever de cuidado das plataformas, além de medidas voltadas à remoção mais ágil de conteúdos e à proteção das vítimas.

Qualificação do Ligue 180   

Desde 2023, o Ministério das Mulheres tem investido em medidas concretas, como a qualificação do atendimento às vítimas por meio do Ligue 180, além da construção de estratégias estruturantes para o enfrentamento do problema.

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Para Janara, a educação digital aparece como eixo central e de longo prazo, capaz de enfrentar a raiz cultural da violência. “Não existe outra saída para enfrentar a pedagogia do ódio que não seja educação digital”, concluiu.

Se comparado a 2024, o crescimento no atendimento por meio do canal Ligue 180, em 2025, foi expressivo, com um aumento de 45% nos atendimentos e 17% nas denúncias de violência.

A coordenadora-geral da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, Ellen Costa, explicou que os canais 180 e 190, embora sejam complementares, têm atuação diferente.

“Quando a gente recebe uma ligação e identifica que é uma urgência ou emergência, a gente encaminha para o 190, porque é a polícia militar que vai chegar à porta da vítima”, explicou.

Encaminhamentos

Como resultado, a Comissão irá elaborar um caderno técnico com recomendações e encaminhamentos para subsidiar o aprimoramento das políticas públicas de combate à violência contra as Mulheres. 

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Fonte: Ministério das Mulheres

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Brasília sedia encontro de gestoras para validação de novas diretrizes das Casas da Mulher Brasileira

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Nos dias 14 e 15 de abril, Brasília recebe o Encontro de Colegiados Gestores e Representantes dos Serviços das Casas da Mulher Brasileira: Oficina e Validação das Novas Diretrizes da Casa da Mulher Brasileira.

Promovido pelo Ministério das Mulheres, em parceria com a ONU Mulheres, o evento reúne gestoras em função de fortalecer a rede de atenção às mulheres em situação de violência. O objetivo é que mulheres que trabalham com as entregas de políticas públicas na ponta possam se reunir para debater diretrizes que serão implementadas no segundo semestre de 2026.

Estela Bezerra, secretária Nacional de Enfrentamento à Violência Contra Mulheres, pontuou os desafios que é desenvolver a política de enfrentamento da violência contra a mulher. “O trabalho que a gente faz já tem impacto, mas pode ter um impacto muito maior. O nosso desafio é de acolhimento, fluxo, atendimento adequado, mas temos a capacidade de fazer com que cada mulher que chegue à rede de atenção especializada consiga ter um plano de vida que permita que ela saia da situação de violência”, contextualizou Estela.

Para a secretária, a rede especializada de atendimento às vítimas de violência é um diferencial na vida dessas mulheres. Os dados disponibilizados, tanto no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) quanto no Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que municípios que contam com estrutura especializada, como Casa Abrigo, Casa Da Mulher Brasileira, Delegacia da Mulher, Defensoria Pública da Mulher, apresentam taxas menores de feminicídio.

“No último relatório que foi divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, nós tivemos uma radiografia que nos coloca um desafio gigante. Dos 931 municípios, onde aconteceram os feminicídios no ano passado (2025), 50% deles ocorreram em municípios de até 100 mil habitantes. Muitos desses municípios não têm nenhum equipamento especializado de enfrentamento à violência, como delegacia especializada, por exemplo”, apresentou a secretária.

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Parcerias

Tendo como premissa que a violência contra mulheres é um problema cultural, há uma necessidade constante de enfrentamento a essa violência. Por isso, as políticas públicas não podem ser estáticas. É necessário que sempre se revisite, dialogue e revise as diretrizes, para que o enfrentamento esteja alinhado às necessidades de cada local.

Desse modo, o Encontro de Colegiados Gestores e Representantes dos Serviços das Casas da Mulher Brasileira: Oficina e Validação das Novas Diretrizes da Casa da Mulher Brasileira, em parceria com a ONU Mulheres, busca a elaboração de uma nova versão das diretrizes gerais da Casa da Mulher Brasileira, mais conectada com a realidade atual desse fenômeno da violência contra as mulheres e mais conectada com as demandas, com as necessidades e com as lacunas que existem.

De acordo com Maura Souza, coordenadora-geral de Fortalecimento da Rede de Atendimento, na Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, do Ministério das Mulheres, o objetivo da Casa da Mulher Brasileira é ofertar, no mínimo, dez serviços, para que a mulher tenha atendimento especializado em um único lugar.

“No âmbito das Casas da Mulher Brasileira, ofertamos, no mínimo, dez serviços, por meio de ações intersetoriais vinculadas a outras políticas setoriais, que visam, ao mesmo tempo, a quebrar o ciclo da violência, e construir e impactar os indicadores de cada território, do ponto de vista de redução significativa da violência, sobretudo de erradicação do feminicídio nesses territórios”, reforçou Maura.

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Diagnóstico e revisão

A parceria entre a pasta das Mulheres e a ONU Mulheres vem desde 2023, mas foi em 2024, por meio de apoio técnico entre as instituições, que foi possível formular o projeto de diagnóstico da Casa da Mulher Brasileira e as diretrizes de funcionamento das Casas.

“Desde junho do ano passado (2025), entramos em campo para visitar a Casa da Mulher Brasileira. Selecionamos oito, que estavam em funcionamento naquele momento. Fizemos visitas, observamos o funcionamento, realizamos mais de 80 entrevistas locais, entrevistas com secretárias de políticas para as mulheres. Finalizamos esse diagnóstico e, nesse momento, estamos concluindo o diagnóstico. Hoje vamos apresentar para as equipes das Casas o resultado dessa revisão das diretrizes, para que a gente possa colher um pouco mais de insumos e contribuições para finalizar o documento”, contextualizou a pesquisadora da ONU Mulheres, Wânia Pasinato.

Próximos passos

Maura Souza, coordenadora-geral de Fortalecimento da Rede de Atendimento, explicou que o evento representa uma das etapas do projeto, que, a partir do diagnóstico identificado, apresentará uma proposta de alteração das diretrizes, para qualificação no âmbito do colegiado do Conselho das Mulheres e apresentado também para o Fórum do Secretário Estadual de Política para as Mulheres.

“Vamos concluir esse instrumento para publicar em junho. A partir de junho, nós vamos colocar em prática um plano de implementação das diretrizes. Essa  implementação requer a articulação territorial com os estados, com os municípios que fazem a gestão da Casa da Mulher Brasileira”, finalizou a coordenadora-geral.

 

Fonte: Ministério das Mulheres

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