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Polícia Civil apreende quatro menores em segunda fase de operação para apurar homicídio de jovem em Guiratinga

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Quatro adolescentes com idades entre 16 e 17 anos tiveram mandados de internação cumpridos pela Polícia Civil, nesta quinta-feira (9.10), na segunda fase da Operação Canto da Sereia, deflagrada pela Delegacia de Guiratinga para apurar o homicídio de um jovem de 19 anos, ocorrido no mês de julho no município.

Os mandados, expedidos pela Comarca de Guiratinga e cumpridos com o apoio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Rondonópolis.

As ordens judiciais contra os três adolescentes foram cumpridas em Guiratinga e a menor teve o mandado cumprido no município de Tesouro. Os menores responderão por atos infracionais análogos aos crimes de cárcere privado, tortura probatória, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Os adolescentes do sexo masculino foram encaminhados ao Centro Socioeducativo de Rondonópolis, e a menor para Cuiabá.

Relembre o caso

As investigações iniciaram no dia 16 de julho, quando um familiar registrou o desaparecimento da vítima. O jovem chegou à Guiratinga no dia 7 de julho, vindo de outro estado, e no dia 12 avisou à irmã que se encontraria com uma mulher na praça da cidade e desde então, não manteve mais contato com a família.

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As investigações apontaram que o jovem enviou um pedido de amizade no Instagram a uma jovem de 19 anos, cujo perfil exibia gestos ligados a uma facção criminosa rival. A imagem foi repassada a membros de uma facção, e o grupo decidiu atrair o rapaz para uma emboscada.

Por ordem de um suspeito de 21 anos, integrante da organização criminosa, o encontro foi marcado na Praça Elevada de Guiratinga. No local, a vítima foi abordada pela jovem e por uma adolescente, sendo levada a uma residência onde estava o mandante do crime, um homem de 31 anos e outros adolescentes. Conforme a apuração, o jovem foi torturado e assassinado, e o corpo segue desaparecido.

Prisões anteriores

A primeira fase da operação ocorreu no dia 5 de setembro, quando foram presos o homem de 31 anos e a jovem de 19 anos. Também foram apreendidos celulares encaminhados para perícia, e um suspeito de 21 anos continua foragido.

A Operação Canto da Sereia integra a Operação Inter Partes, dentro do programa Tolerância Zero, do Governo de Mato Grosso, que intensifica o combate às facções criminosas em todas as regiões do Estado.

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A Polícia Civil de Mato Grosso segue empenhada em localizar o corpo da vítima e responsabilizar todos os envolvidos no crime.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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Ciúme, rejeição e crime brutal: empresário é condenado a 13 anos de prisão por matar mulher trans e abandonar corpo em lavoura de MT

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Lá JB News

por Emerson Teixeira

A condenação do empresário Jorlan Cristiano Ferreira a 13 anos e seis meses de prisão, decidida nesta quarta-feira (15), encerra uma das etapas mais marcantes de um caso que chocou Mato Grosso pela crueldade, pela tentativa de apagar vestígios do crime e pelo reconhecimento, pelo Tribunal do Júri, de que a vítima foi morta em razão de sua condição de mulher. A sentença foi proferida em Lucas do Rio Verde e reconheceu os crimes de feminicídio, fraude processual e ocultação de cadáver.

A vítima, Mayla Rafaela Martins, foi assassinada na madrugada de 16 de janeiro de 2024, nos fundos de um estabelecimento comercial localizado no bairro Parque das Emas. Segundo a denúncia do Ministério Público, Mayla foi morta com golpes de arma branca depois de recusar manter um relacionamento com o empresário. Para a acusação, o crime teve como pano de fundo o inconformismo do réu diante da negativa da vítima, revelando sentimento de posse, intolerância e desprezo à autonomia de Mayla.

Durante o julgamento, os jurados acolheram a tese do Ministério Público de que o homicídio foi praticado em razão da condição feminina da vítima. O reconhecimento de feminicídio em um caso envolvendo uma mulher transexual foi apontado pela acusação como um avanço importante na aplicação da lei e no combate à violência de gênero. A decisão reforça o entendimento de que mulheres trans também estão protegidas pela legislação que pune crimes motivados por misoginia, discriminação e menosprezo.

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As investigações mostraram que, após matar Mayla, o empresário tentou eliminar qualquer vestígio que pudesse ligá-lo ao crime. Conforme os autos, ele limpou o local do assassinato, descartou pertences pessoais da vítima e organizou o transporte do corpo para longe da cena do crime. O cadáver foi levado até uma área rural no município de Sorriso, onde foi abandonado em uma lavoura, numa tentativa de dificultar a localização e retardar o trabalho da polícia.

A frieza demonstrada na tentativa de ocultação do corpo e de manipular a cena do crime foi um dos pontos centrais levados em consideração durante o processo. A acusação sustentou que não se tratava de um crime impulsivo isolado, mas de uma sequência de atos voltados a esconder a autoria e impedir a responsabilização penal. O Tribunal do Júri acolheu essa linha de argumentação ao também condenar o réu por fraude processual e ocultação de cadáver.

O promotor de Justiça Samuel Telles Costa, que atuou no plenário, afirmou que a decisão representa uma resposta firme contra a violência motivada por preconceito de gênero. Para ele, o julgamento reafirma que crimes praticados contra mulheres — inclusive mulheres trans — não podem ser relativizados nem tratados com tolerância institucional.

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O caso provocou grande repercussão desde o início, tanto pela violência do assassinato quanto pelo simbolismo da vítima: uma jovem que teve a vida interrompida de forma brutal. A condenação de Jorlan não apaga a dor da perda, mas estabelece um precedente importante no enfrentamento à violência contra a população trans, historicamente exposta a altos índices de agressão, discriminação e mortes violentas.

Para familiares, amigos e movimentos de defesa dos direitos humanos, a sentença representa um passo importante por justiça. A história de Mayla agora se transforma também em símbolo de resistência e de luta para que crimes motivados por ódio, rejeição e discriminação sejam punidos com o rigor da lei.

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