AGRONEGÓCIOS
Os benefícios da retirada da vacina contra febre aftosa é tema de debate durante 2º Fórum Estadual
Por Rodrigo Meloni
Acrimat questiona benefícios da retirada da vacinação contra febre aftosa durante 2º Fórum Estadual
Retirada da vacinação pode levar a economia de até R$ 86 milhões / ano para pecuaristas mato-grossenses.
Ascom/Acrimat
Ao participar do “2º Fórum Estadual de Vigilância contra a Febre Aftosa: o caminho para tornar MT livre sem vacinação”, realizada nesta quinta (22), a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) chamou atenção para as consequências da retirada da vacinação contra a febre aftosa no estado. O tema foi amplamente discutido durante o evento, e diversas autoridades da pecuária pontuaram os prós e contras da ação juntamente com especialistas do assunto.
Para atingir o status de área livre da aftosa sem vacinação, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) audita o Estado para verificar o cumprimento das ações do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA), e MT apenas falta cumprir 4 metas analisadas pela auditoria. Tais ações já estão sendo desenvolvidas desde 2017, o que faz com que o estado possa estar preparado para avançar no status até 2022, tornando-o livre da tarefa de vacinar os bovinos.
O presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior questionou o chefe da Divisão de Febre Aftosa do Mapa, Diego Viali dos Santos, e Felipe Peixoto de Arruda, do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT), sobre como comunicar aos pequenos pecuaristas, que são os principais ativos da Acrimat, a respeito desta mudança, que irá impactar em toda cadeia produtiva da pecuária.
Para Diego dos Santos, “MT é o coração desse plano estratégico, e a importância de MT dentro desse processo se deve ao fato do estado ter o maior rebanho bovino do Brasil. Este plano foi pensado e é feito para os produtores rurais, e são os produtores que vão decidir quando a suspensão vai ocorrer, são eles que vão decidir quando MT vai dar esse passo”.
A diretora executiva da Acrimat, Daniella Bueno, chamou atenção para uma série de fatos que cercam a mudança que deve ocorrer até 2022, quando MT deve alcançar o status de estado livre da aftosa sem vacinação. “Esse fórum é uma oportunidade ímpar para que todos os atores estejam na mesma mesa para poder dirimir todas as dúvidas sobre este assunto e decidir quando avançar”. Em seguida, citou os dados apresentados pelo MAPA, de que os benefícios para o produtor a partir do momento que ele deixar de vacinar passam pela diminuição de custos na produção.
“Temos todo um custo para vacinar, e como foi colocado pelo Mapa, este custo aproximado é da ordem de R$ 86 milhões por ano para o produtor rural mato-grossense, que investe na proteção do seu rebanho com a vacinação”. Outro ponto abordado pelos participantes e ressaltado pela diretora executiva é a possibilidade de abertura de novos mercados internacionais que exigem essa condição sem vacinação. “Estes mercados realmente pagam mais, remuneram melhor o produto, e a partir do momento que o produtor for melhor remunerado, ele pode reinvestir no seu negócio, e com isso vamos parar de produzir apenas commodities, e conseguir produzir animais que alcancem os grandes mercados”.
Questão Sanitária x Sistemas produtivos
O superintendente do Imea, Daniel Latorraca, falou sobre as novas oportunidades para o mercado de carnes quando MT alcançar o status de estado livre da aftosa sem vacinação. “Devido a relevância do tema e das possibilidades que se podem abrir para MT e para o Brasil com esse status, o Imea vem estudando, a pedido da Famato e da Acrimat, ao longo de 2020, quais são as potencialidades que teremos quando alcançarmos este status”. Segundo ele, num cenário mundial bastante complexo sob o ponto de vista de mercado, MT é uma economia de excedentes.
“Nossa produção supera em muito o nosso consumo interno, e dentro dessa perspectiva se mostra importante investir em áreas como logística e sanidade animal, bem como nos acordos bilaterais, a exemplo do que foi feito em 2019 entre Mercosul e União Europeia. Este é um dos caminhos para concretizar o comércio mundial”, analisou Latorraca.
Entre os dados que usou para exemplificar a mudança de comportamento da atividade pecuária em MT, o superintendente exibiu um gráfico que mostra o comportamento do abate de bovinos por faixa etária e peso de carcaça entre 2003 e 2020, onde a trajetória apontada mostra que “estão diminuindo a idade média dos animais que estão sendo abatidos, ao passo que ocorre o aumento do peso da carcaça que chega ao frigorífico, o que se mostra relevante para o momento atual, uma vez que a China, responsável por 57% da exportação da carne bovina de MT, solicita animais com essas características; e fornecer animais com essas características só é possível por conta do investimento em novas tecnologias, em conhecimento”.
Em sua análise, Latorraca destaca que “estruturalmente a pecuária mato-grossense já vem mudando ao longo dos anos”.
Status Livre da Aftosa sem vacinação
O presidente da Acrimat, Oswaldo Ribeiro, ponderou que uma série de fatores contribuem para o fortalecimento da pecuária e o alcance do status livre da Aftosa sem vacinação é apenas uma destas ações. A adoção de sistemas de integração como a lavoura Pecuária (ILP), boi com peso maior, câmbio, adoção de tecnologias que contribuam desde a alimentação ao manejo do animal, bem como na área genética, também se apresentam como condicionantes da conquista de mercados internacionais que restringem ou proíbem a compra de carne de países que não tenham o status livre da aftosa sem vacinação, como Japão e Coreia do Sul.
“A carne de MT já tem entrada na maioria dos países importadores e um passo importante como esse deve ser cuidadosamente discutido e somente tomada a decisão quando o produtor tiver suas dúvidas esclarecidas e tiver a segurança técnica de que seu rebanho e todo o comércio já conquistado não está em risco’ asseverou Oswaldo Ribeiro.
Dentre os vários painelistas, estavam o Dr Alejandro Rivera, coordenador do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), que destacou que 68 países do mundo já não praticam mais a vacinação contra febre aftosa e o Brasil pode sofrer descredito de sua condição sanitária se continuar vacinando, mesmo afirmando ao mundo que não possui mais vírus circulante em seu território.
Segundo ele, mesmos os países que já importam do Brasil, quando negociam os Certificados Internacionais, nos tratam como países infectados porque vacinamos, colocando maiores exigências e diminuindo o valor pago pela tonelada de carne importada.
Para a diretora executiva da Acrimat, é importante frisar que a abertura e consolidação de mercados mais exigentes no quesito sanitário relacionado a febre aftosa irá contribuir para o crescimento da pecuária como um todo. “A atividade pecuária só tem a ganhar com a modernização dos seus sistemas de criação, com investimentos em logísticas e na área sanitária, e isso passa pela retirada da vacinação com responsabilidade e segurança, que além de trazer economia para o bolso do pecuarista, vai fortalecer toda a cadeia; assim vamos consolidar nossa condição sanitária e conseguir precificar melhor a carne que exportamos”.
AGRONEGÓCIOS
Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro
A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.
O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.
O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.
Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.
Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.
No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.
O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.
O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.
Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.
Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.
Fonte: Pensar Agro
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