Tecnologia

Observatório Nacional desenvolve projeto pioneiro de exploração de hidrogênio natural

Publicados

em

O hidrogênio natural tem chamado a atenção no mundo todo, devido ao potencial de ser uma fonte de energia limpa que a própria Terra produz de forma contínua, a partir de processos geológicos. Visando desenvolver um projeto inédito neste caminho, o Observatório Nacional, unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (ON/MCTI), adquiriu os sistemas sísmicos Mini e Nimble da STRYDE, equipamentos que vão permitir a realização de levantamentos geofísicos de alta resolução, com foco na investigação do potencial brasileiro em fontes de energia limpa.

Os sistemas são capazes de adquirir dados sísmicos passivos, que são relativos a movimentos naturais do solo e também dados sísmicos gerados artificialmente, empregando uma fonte sísmica, como vibradores de grande porte, geralmente acoplados a caminhões.

“São equipamentos ultracompactos e leves, pensados para registrar vibrações do subsolo com alta precisão. Eles permitem instalar um número muito maior de sensores em campo, cobrindo áreas extensas e coletando dados de forma mais densa e rápida do que tecnologias convencionais”, explicou o pesquisador em Geofísica do Observatório Nacional, Artur Benevides. 

Por meio dos sistemas, será possível obter imagens sísmicas mais detalhadas, capazes de mostrar estruturas geológicas sutis, em que  possivelmente o hidrogênio pode se acumular. Outras vantagens é que eles são fáceis de transportar e operar, o que é essencial em regiões remotas ou de difícil acesso. Na prática, essa tecnologia aumenta a qualidade dos dados e a precisão dos levantamentos geofísicos, reduzindo também o tempo de aquisição e ampliando a capacidade de trabalhar em diversos projetos de grande escala.

Leia Também:  Empresas devem comprovar investimentos em inovação até 30 de setembro

A primeira aplicação dos sistemas será na campanha pioneira de exploração de hidrogênio, com o objetivo de obter dados sísmicos de alta densidade que revelem, de forma sem precedentes, a estrutura do subsolo brasileiro.

“O ON está sempre atento e atualizado, buscando estar na vanguarda de novas tecnologias para desenvolver as melhores práticas e oferecer soluções para a sociedade brasileira e no caso do hidrogênio natural não ficaria de fora disso, devido ao seu enorme potencial”, pontuou Artur Benevides. 

Segundo o pesquisador, o Observatório identificou que o Brasil reúne ambientes geológicos favoráveis, por exemplo, à presença de rochas ultramáficas, que são ricas em ferro, e que é um componente essencial em um dos ambientes formadores de hidrogênio. Também, trabalhos científicos apontam para exsudações de hidrogênio natural na Bacia Sedimentar de São Francisco, localizada, em parte, em Minas Gerais, e também foram observadas essas exsudações na região de Maricá, no estado do Rio de Janeiro. 

“Foi a partir daí que começamos a estruturar um grupo de pesquisadores, liderado no Observatório Nacional pelo Dr. Sérgio Fontes, para desenvolver uma análise sistemática e integrada de geologia e geofísica, usando a infraestrutura existente e também incorporando novas tecnologias, como o caso desses novos sistemas. Tudo isso para avaliar se esses lugares guardam reservas de hidrogênio natural que possam ser exploradas no futuro”, detalhou Benevides.

Leia Também:  MCTI anuncia chamada de R$ 100 milhões para proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital

A campanha de hidrogênio será a primeira de uma série de iniciativas planejadas pelo Observatório Nacional para avaliar o potencial do Brasil na formação de acúmulos naturais viáveis de hidrogênio, tema que vem despertando crescente interesse da comunidade científica e do setor energético.

“Esses estudos dão uma base científica para que o Brasil decida se o hidrogênio natural pode fazer parte da nossa matriz energética ou não. Quando você conhece onde ele está, seu volume, quanto pode ser produzido e quais são os impactos ambientais disso, que no caso do hidrogênio natural é baixíssimo comparado com as outras fontes de energia a partir de hidrogênio, é possível criar políticas públicas mais assertivas, definir áreas prioritárias e estabelecer regras para a exploração segura”, ressaltou Artur Benevides.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

COMENTE ABAIXO:

Tecnologia

Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade

Publicados

em

Por

Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.     

Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.  

Projetos selecionados 

  • Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;  

  • Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc); 

Leia Também:  Brasil e Chile lançam programa de incubação cruzada para startups inovadoras
  • Organização Baniwa e Koripako — NadzoeriParceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);  

  • Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;  

  • Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara; 

  • Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.  

Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.  

Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.  

Leia Também:  MCTI/SETEC reforça investimentos em inovação durante 77ª SBPC em Pernambuco

O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.  

Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

POLÍTICA

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA