SUSTENTABILIDADE

MP pede condenação de produtor rural ao pagamento de R$ 12 milhões  por danos morais e coletivos  

Publicados

em

A Promotoria de Justiça de Nortelândia (a 253km de Cuiabá) requereu a condenação de um produtor rural ao pagamento de R$ 12.386.181,37, a título de compensação pelos danos morais coletivos provocados em razão do exercício de atividade agropecuária potencialmente degradadora ao meio ambiente, sem autorização do órgão competente. Ele é acusado de desmatar 522,9296 hectares de vegetação nativa sem autorização, bem como de explorar atividade pecuária sem licença.

A Ação Civil Pública (ACP) ambiental foi ajuizada na quinta-feira (27).  De acordo com o Ministério Público, a princípio o proprietário foi notificado para que providenciasse Autorização Provisória de Funcionamento de Atividade Rural (APF), em novembro de 2018. Contudo, em nova vistoria realizada em janeiro de 2019, a equipe de fiscalização verificou que a documentação não havia sido apresentada. Assim, foi aplicada multa administrativa no valor de R$ 25 mil, lavrado termo de embargo da área e encaminhado relatório à Promotoria com as informações.

A Promotoria de Justiça de Nortelândia então solicitou ao Centro de Apoio Operacional (Caop) do MPMT a análise da ocorrência de danos ambientais, sua extensão e indicações de recuperação ou medidas aplicáveis ao caso. O Caop “constatou que o imóvel rural de propriedade do requerido deveria ter no mínimo 792,7370 hectares correspondentes a área de reserva legal, o que corresponde a 80% de sua área total, entretanto possui um passivo ambiental de 522,9296 hectares”.

Leia Também:  Justiça suspende “cessão” de veículo e bloqueia bens de prefeito e vereador de Alta Floresta

Ainda segundo levantamento do Caop, do total do passivo ambiental, “173,141 hectares devem, por obrigação, ser recuperados no próprio imóvel, mediante apresentação de Plano de Recuperação de Área Degradada (Prad), ou adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA)”. Foi verificado inclusive que o Termo de Embargo foi descumprido pelo requerido, bem como que não havia atividade de pecuária que caracterizasse ser de confinamento, mas sim pecuária extensiva.

Segundo o promotor de Justiça José Jonas Sguarezi Junior, “percebe-se que a realização de um desmatamento, assim como funcionamento da atividade de pecuária sem licença ou autorização legal, são atos lesivos ao meio ambiente, vez que a não observância dos procedimentos que seriam realizados com a licença necessária traz inúmeros prejuízos, dentre eles a ausência de preservação da fauna”.

Dessa forma, o promotor considerou “incontestável e absolutamente necessária” a responsabilização civil do produtor, com a obrigatoriedade de completa reparação dos prejuízos causados ao meio ambiente”. Assim, solicitou também que seja determinada a recuperação e regularização da área desmatada, bem como da exploração de atividade econômica pelos órgãos ambientais competentes.

Leia Também:  Cinco frentes combatem incêndios no Pantanal com apoio de seis aeronaves

Indenização – A aferição do dano ocorrido foi baseada na Orientação Técnica desenvolvida pela Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa Ambiental e Ordem Urbanística do MPMT. Neste caso, observou-se que o desmate foi realizado em área de reserva legal (RL), mediante corte raso, revolvimento do solo e implantação de cultura (pastagem para a atividade de pecuária). “Tendo em vista os parâmetros condicionantes constantes na orientação técnica mencionada (…), chegamos ao valor do dano equivalente a R$ 23.686,14 por hectare. Assim, considerando que foram 522,9296 hectares desmatados, a quantia total para indenização perfaz-se em R$ 12.386.181,37”, consta na ação.

COMENTE ABAIXO:

SUSTENTABILIDADE

Registro de 99 espécies entre Cerrado e Pantanal ajuda cientistas a analisarem futuro dos biomas

Publicados

em

Por

JB News

O mapeamento de espécies tem papel fundamental para orientar ações de conservação e preservação da fauna. Para acompanhar os impactos das mudanças climáticas e os efeitos causados pelo homem, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP) e da Universidade Federal de Mato Grosso registraram 99 espécies do Cerrado e do Pantanal, entre elas, 36 espécies de anfíbios. A pesquisa foi feita no Parque Sesc Serra Azul, em Mato Grosso (MT), no decorrer de 11 meses.

Leia o estudo sobre a diversidade de anfíbios e répteis do Parque Sesc Serra Azul (inglês)

Para o biólogo e pesquisador do INPP Leonardo Moreira, a partir desse estudo será possível criar uma linha base para identificar mudanças a longo prazo, como a diminuição ou o desaparecimento de espécies mais sensíveis ou a expansão de outras em ambientes mais alterados. O especialista, que é um dos autores do levantamento, destaca que muitas dessas alterações não acontecem isoladamente. “É necessário um conjunto de fatores, como clima, expansão agrícola e mineração para que isso ocorra”, pontua.

Leia Também:  Liminar suspende eficácia de lei estadual que flexibiliza porte de arma

Segundo Moreira, a transformação das áreas naturais afeta o regime hídrico. O excesso de água na estação das chuvas no Cerrado abastece a planície pantaneira. Porém, o uso indevido das áreas úmidas, como o abastecimento, a irrigação e a indústria, interfere no armazenamento de água no Pantanal. Isso impacta diretamente nas áreas fundamentais para a reprodução de anfíbios.

O estudo contou com a participação de colaboradores locais do parque. Os pesquisadores passaram instruções sobre como fotografar e registrar os animais e as informações que eles precisavam enviar com os registros. Quinze voluntários participaram e ajudaram a registrar 38 espécies de répteis.

A participação das pessoas que vivem ou trabalham na região pode fazer uma diferença enorme para a ciência. O grupo de pesquisadores registrou 36 espécies de anfíbios (entre sapos, rãs e pererecas) e 63 répteis (incluindo cobras, lagartos, jabutis, cágados e jacarés). Desse total, 11 não teriam sido encontrados pela equipe de pesquisadores sem a participação da população.

O crescimento de infraestruturas, como estradas e áreas urbanas, tem uma série de efeitos negativos sobre a fauna, juntando-se aos desafios impostos pela mudança do clima em andamento. Algumas espécies tendem a ser mais dependentes de condições específicas e assim acabam sendo mais vulneráveis a mudanças no ambiente. Entender como esses animais estão lidando com o efeito dos conjuntos de tanta transformação é essencial para uma melhor ação de preservação.

Leia Também:  Cinco frentes combatem incêndios no Pantanal com apoio de seis aeronaves

 

As informações Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

POLÍTICA

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA