Policial
Autor de duplo homicídio em Aripuanã é preso na zona rural de Juruena
Um homem investigado por envolvimento em diversos crimes violentos, incluindo um duplo homicídio ocorrido na zona rural de Aripuanã, foi preso pela Polícia Civil, nesta quinta-feira (22.5), em uma fazenda no município de Juruena.
O criminoso, de 65 anos, conhecido como “Chocolate”, estava com a prisão preventiva em aberto e foi localizado pelos policiais civis durante ação integrada das Delegacias de Polícia de Aripuanã e Juruena.
A prisão foi fruto de um trabalho investigativo contínuo, com base em diligências realizadas após a descoberta dos corpos das vítimas, João Gonçalves de Oliveira, de 80 anos, e Valdevino Rodrigues de Souza, de 65 anos, encontrados em estado avançado de decomposição.
Conforme apurado pela Polícia Civil o suspeito convivia com os idosos, e no dia do crime ele consumiu bebidas alcoólicas com as vítimas e depois de cometer o duplo homicídio fugiu. Um das vítimas foi golpeada com uma faca nas costas e a outra foi degolada.
O comportamento do criminoso foi similar à de outro homicídio, praticado anteriormente, no ano de 2023, em Juruena, quando o suspeito também matou um companheiro de bebida.
Durante a investigação, que contou ainda com apoio da equipe da Delegacia de Colniza, coordenada pelo delegado Lucas Pereira Santos, foi possível identificar o suspeito através de diligências e coleta de dados.
“O suspeito estava foragido desde o início das investigações, e sua prisão foi possível graças à troca de informações e articulação entre as delegacias dos dois municípios. Ele foi preso em uma fazenda na zona rural de Juruena, sem oferecer resistência, sendo posteriormente encaminhado à unidade policial local, onde permanecerá à disposição da Justiça”, destacou o delegado Marco Remuzzi.
A Polícia Civil reforça seu compromisso com a justiça e segurança da população, destacando que ações integradas como esta são essenciais para combater a impunidade, especialmente em crimes de natureza hedionda como o presente caso.
O inquérito policial referente ao duplo homicídio foi concluído com indiciamento do autor e encaminhado ao Ministério Público e Poder Judiciário.
Fonte: Policia Civil MT – MT
Policial
Ciúme, rejeição e crime brutal: empresário é condenado a 13 anos de prisão por matar mulher trans e abandonar corpo em lavoura de MT
Lá JB News
por Emerson Teixeira
A condenação do empresário Jorlan Cristiano Ferreira a 13 anos e seis meses de prisão, decidida nesta quarta-feira (15), encerra uma das etapas mais marcantes de um caso que chocou Mato Grosso pela crueldade, pela tentativa de apagar vestígios do crime e pelo reconhecimento, pelo Tribunal do Júri, de que a vítima foi morta em razão de sua condição de mulher. A sentença foi proferida em Lucas do Rio Verde e reconheceu os crimes de feminicídio, fraude processual e ocultação de cadáver.
A vítima, Mayla Rafaela Martins, foi assassinada na madrugada de 16 de janeiro de 2024, nos fundos de um estabelecimento comercial localizado no bairro Parque das Emas. Segundo a denúncia do Ministério Público, Mayla foi morta com golpes de arma branca depois de recusar manter um relacionamento com o empresário. Para a acusação, o crime teve como pano de fundo o inconformismo do réu diante da negativa da vítima, revelando sentimento de posse, intolerância e desprezo à autonomia de Mayla.
Durante o julgamento, os jurados acolheram a tese do Ministério Público de que o homicídio foi praticado em razão da condição feminina da vítima. O reconhecimento de feminicídio em um caso envolvendo uma mulher transexual foi apontado pela acusação como um avanço importante na aplicação da lei e no combate à violência de gênero. A decisão reforça o entendimento de que mulheres trans também estão protegidas pela legislação que pune crimes motivados por misoginia, discriminação e menosprezo.
As investigações mostraram que, após matar Mayla, o empresário tentou eliminar qualquer vestígio que pudesse ligá-lo ao crime. Conforme os autos, ele limpou o local do assassinato, descartou pertences pessoais da vítima e organizou o transporte do corpo para longe da cena do crime. O cadáver foi levado até uma área rural no município de Sorriso, onde foi abandonado em uma lavoura, numa tentativa de dificultar a localização e retardar o trabalho da polícia.
A frieza demonstrada na tentativa de ocultação do corpo e de manipular a cena do crime foi um dos pontos centrais levados em consideração durante o processo. A acusação sustentou que não se tratava de um crime impulsivo isolado, mas de uma sequência de atos voltados a esconder a autoria e impedir a responsabilização penal. O Tribunal do Júri acolheu essa linha de argumentação ao também condenar o réu por fraude processual e ocultação de cadáver.
O promotor de Justiça Samuel Telles Costa, que atuou no plenário, afirmou que a decisão representa uma resposta firme contra a violência motivada por preconceito de gênero. Para ele, o julgamento reafirma que crimes praticados contra mulheres — inclusive mulheres trans — não podem ser relativizados nem tratados com tolerância institucional.
O caso provocou grande repercussão desde o início, tanto pela violência do assassinato quanto pelo simbolismo da vítima: uma jovem que teve a vida interrompida de forma brutal. A condenação de Jorlan não apaga a dor da perda, mas estabelece um precedente importante no enfrentamento à violência contra a população trans, historicamente exposta a altos índices de agressão, discriminação e mortes violentas.
Para familiares, amigos e movimentos de defesa dos direitos humanos, a sentença representa um passo importante por justiça. A história de Mayla agora se transforma também em símbolo de resistência e de luta para que crimes motivados por ódio, rejeição e discriminação sejam punidos com o rigor da lei.
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