POLITICA
“Se o governo não agir, vamos à Justiça”, dispara Max Russi sobre cerca de 60 leis contra violência doméstica e feminicídios aprovados na ALMT desde 1992
JB News
por Nayara Cristina
Assembleia Legislativa cobra governo por descumprimento de leis de proteção às mulheres em Mato Grosso
Cuiabá, 10 de setembro de 2025 – O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (PSB), afirmou nesta quarta-feira que o parlamento pode recorrer à Justiça caso o governo estadual continue a ignorar leis já aprovadas que tratam da proteção das mulheres e do enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio.
A declaração ocorreu após a Mesa Diretora encaminhar um requerimento oficial à Casa Civil cobrando explicações sobre o não cumprimento de cerca de 60 leis aprovadas desde 1992, todas voltadas ao combate à violência contra a mulher. Segundo Russi, essas normas já estão em vigor, foram sancionadas, mas não são implementadas de forma efetiva pelo Executivo.
“São ações que podem salvar vidas e ajudar no combate ao feminicídio em Mato Grosso. A Assembleia vai cobrar de forma coletiva. A maioria dos deputados está comprometida com essa pauta e com essa causa”, reforçou o presidente durante entrevista coletiva.
Entre as medidas destacadas por Russi está uma lei de sua autoria que prevê que agressores indenizem o Estado pelos custos do tratamento médico de vítimas de violência doméstica. “Hoje quem paga essa conta é toda a sociedade. O justo é que o infrator arque com o prejuízo que ele causa”, afirmou.
Além da cobrança ao Executivo, a ALMT encaminhou à Procuradoria da Casa a análise para instalação de uma comissão especial permanente dedicada a discutir e propor medidas de enfrentamento à violência contra as mulheres. A iniciativa foi apresentada em requerimentos do deputado Gilberto Cattani (PL) e de uma deputada do PT, que reforçaram a necessidade de manter o tema em debate contínuo no Legislativo.
A criação dessa comissão ocorre após a tentativa de instaurar uma CPI para investigar o aumento do feminicídio em Mato Grosso, proposta que não avançou dentro do parlamento. A nova comissão, portanto, deverá suprir esse espaço de discussão e buscar alternativas para reduzir os índices de agressões e mortes de mulheres no estado.
Caminho judicial
De acordo com Max Russi, a primeira medida da Assembleia será insistir no cumprimento administrativo das leis. Contudo, caso o governo estadual continue a não regulamentar ou aplicar as normas já sancionadas, o parlamento estuda judicializar a cobrança.
“Foram aprovadas pelo parlamento, sancionadas pelo governo e precisam ser colocadas em prática. Se não houver resposta, vamos buscar outros meios para que essas leis sejam efetivas”, concluiu Russi.
Atualmente, Mato Grosso está entre os estados brasileiros com maior índice de feminicídios proporcionais à população, segundo dados recentes da Secretaria de Segurança Pública (Sesp-MT).
POLITICA
Otaviano Pivetta endurece regras no sistema prisional e veta visitas íntimas para condenados por feminicídio, estupro e pedofilia em MT
JB News
por Nayara Cristina
O governador em exercício Otaviano Pivetta sancionou uma nova lei que endurece o tratamento a presos condenados por crimes de extrema gravidade em Mato Grosso. A norma, publicada nesta terça-feira (15), proíbe visitas íntimas a detentos com condenação definitiva por feminicídio, estupro e pedofilia em todas as unidades do sistema penitenciário estadual.
A nova legislação, de autoria do deputado estadual Eduardo Botelho, estabelece que a restrição vale exclusivamente para condenados com sentença transitada em julgado — ou seja, quando já não há possibilidade de recurso. A medida atinge diretamente autores de crimes marcados pela violência extrema, especialmente aqueles praticados contra mulheres, crianças e adolescentes.
Pelo texto sancionado, visita íntima é caracterizada como o encontro realizado em ambiente reservado, sem acompanhamento direto dos agentes penitenciários, em espaço fechado e com a presença exclusiva do preso e do visitante. A partir da entrada em vigor da lei, esse tipo de benefício passa a ser expressamente proibido para os condenados enquadrados nas condutas previstas.
Apesar do endurecimento, a norma mantém o direito às visitas sociais, asseguradas pela Lei de Execução Penal. Esse tipo de visita continua permitido em espaços apropriados dentro das unidades prisionais, com supervisão dos servidores e dentro dos protocolos de segurança já existentes.
A sanção ocorre em meio ao debate nacional sobre o fortalecimento das políticas de proteção às vítimas de violência e o aperfeiçoamento das regras de execução penal. Com a nova regra, o governo de Mato Grosso reforça um posicionamento de maior rigor no enfrentamento a crimes que causam forte impacto social e amplia o recado institucional de intolerância à violência contra os grupos mais vulneráveis.
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