EDUCAÇÃO

Entenda como funciona o processo de abertura de uma faculdade privada

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(Foto: Agência Brasil)

Com o mercado de educação em alta, empresas de educação privada podem ter o maior crescimento da história nacional

Você sabe como funciona o processo de abertura de uma faculdade privada? Com o mercado de educação em alta, a abertura de uma faculdade privada pode ser uma excelente oportunidade para novos empresários. E para desmistificar algumas questões, produzimos este artigo para sanar as dúvidas dos novos empresários que pretendem contribuir para a educação nacional.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, Artigo 6°, todos os brasileiros têm direito à educação, sendo responsabilidade do Estado fornecê-la. No entanto, a quantidade de instituições públicas de ensino superior é insuficiente para atender toda a população. Atualmente, conforme dados do portal e-MEC, o país conta apenas com 364 instituições de ensino superior públicas, sendo 36 municipais, 154 estaduais, 149 federais e 25 especiais, em contraste com um total de 3.106 instituições de ensino credenciadas.

Para suprir essa demanda, o Estado brasileiro concede autorizações para empresas privadas explorarem a educação superior no país. Portanto, abrir uma instituição de ensino superior (IES), como uma faculdade, centro universitário ou universidade, requer a autorização do Ministério da Educação (MEC).

Qualquer empresa privada que possua um CNPJ pode solicitar ao MEC o credenciamento como IES. O primeiro passo, portanto, é registrar uma empresa com CNPJ que inclua a educação superior em suas atividades. No entanto, ter apenas isso não permite que você tenha uma faculdade em funcionamento, pois é necessário obter o credenciamento da empresa no MEC.

A empresa que solicita o credenciamento é chamada de mantenedora e terá a responsabilidade legal pela faculdade. A faculdade em si será denominada mantida e será responsável pelo desenvolvimento das atividades acadêmicas.

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O processo de credenciamento como faculdade não possui um prazo definido para ser concluído, mas geralmente leva de 2 a 3 anos e envolve várias etapas:

1) Análise documental da mantenedora, que deve estar regularizada com todos os órgãos públicos, como a receita municipal, estadual e federal, FGTS, INSS, etc. Além disso, a mantenedora deve demonstrar capacidade financeira para instalar e operar a faculdade.

2) Apresentação de uma infraestrutura física pronta em nome da mantenedora, incluindo espaços como secretaria, financeiro, salas de aula, laboratórios, sala de professores, sanitários, entre outros. Esses espaços devem estar adaptados e sinalizados para atender às necessidades de pessoas com deficiência (PcD). A infraestrutura necessária varia de acordo com a proposta da IES e dos cursos oferecidos e, mesmo para cursos a distância (EaD), é necessário possuir infraestrutura adequada.

3) Infraestrutura tecnológica, que inclui sistemas de apoio ao ensino para registro de notas, frequências, histórico acadêmico, materiais de apoio, conteúdos de estudo, etc.

4) Biblioteca, que pode ser física ou virtual, para atender às necessidades de pesquisa e estudo dos estudantes.

5) Professores comprometidos com o projeto da faculdade, com formação adequada e experiência na área em que irão atuar.

6) Documentação detalhada sobre como todas as atividades da faculdade ocorrerão.

7) Propostas dos cursos, incluindo matriz curricular, atividades de extensão, estágios, Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), entre outros.

Todos os documentos, informações e estrutura física e tecnológica são verificados pelo MEC em várias fases, que incluem:

1) Fase interna: Realização de análise técnica dos documentos e informações apresentados.

2) Avaliação virtual in loco: Designação de avaliadores Ad Hoc para verificar todos os itens apresentados. Anteriormente, essas avaliações eram realizadas presencialmente, com os avaliadores visitando o local da instituição. No entanto, devido à pandemia de Covid-19, essas avaliações, exceto para cursos da área da saúde, passaram a ser realizadas remotamente, embora os critérios de avaliação permaneçam os mesmos.

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As avaliações são baseadas em instrumentos publicados pelo MEC, que contêm 45 indicadores para o credenciamento e 55 indicadores para a autorização dos cursos. Esses indicadores recebem um conceito que varia de 1 a 5. Ao final do processo de avaliação, as faculdades são credenciadas e os cursos são autorizados se obtiverem um conceito mínimo médio igual a 3.

Isso caracteriza um mercado regulamentado, ou seja, qualquer empresa/mantenedora que obtiver conceitos satisfatórios recebe autorização do MEC para iniciar as operações oferecendo ensino superior. Por ser um mercado regulamentado e não regulado, o MEC não analisa o mercado em si, ou seja, não considera se já existem outras IES próximas ou se há estudantes suficientes na região para manter a viabilidade econômica da operação.

Outra característica da regulamentação desse mercado é que as concessões são temporárias. Portanto, para manter o direito de explorar a educação superior, as IES são constantemente avaliadas por diferentes indicadores e devem apresentar bom desempenho nesses quesitos. Alguns desses indicadores incluem a nota do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) e processos de reavaliação in loco, conhecidos como recredenciamento e reconhecimento de cursos.

Caso essas avaliações resultem em conceitos inferiores a 3, uma série de sanções podem ser aplicadas pelo MEC, incluindo o descredenciamento, ou seja, o fechamento da faculdade.

Para obter mais informações sobre o tema, é possível visitar o site www.invistanaeducacao.com.br.

Autor:
Flávio Cella
Administrador, Mestre e Doutor em Administração, atua como consultor em educação superior na 14 Bis Consultoria (www.14bisconsultoria.com.br).

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EDUCAÇÃO

MEC fará seminário sobre política de educação superior

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Com o intuito de construir diretrizes para a formulação da Política Nacional de Educação Superior (Pneds), o Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Superior (Sesu), promoverá o Seminário Pneds, com o tema “Educação Superior como Política de Estado: fundamentos, objetivos e compromissos institucionais”. O objetivo é escutar especialistas e a sociedade para a elaboração da política, com ênfase na diversidade, equidade e inclusão. O encontro ocorrerá na sexta-feira, 17 de abril, das 8h às 13h (horário de Brasília), no Plenário do Conselho Nacional de Educação (CNE), em Brasília (DF). 

Estão confirmadas as presenças do secretário de Educação Superior, Marcus David; da secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão, Zara Figueiredo; da diretora de Desenvolvimento Acadêmico da Sesu, Lucia Pellanda; e do diretor de Políticas de Acesso à Educação Superior, Adilson Carvalho. A mediação será feita pelo coordenador-geral de Políticas Estudantis da Sesu, Artur Araujo. 

O evento contará também com a presença de estudantes, docentes e técnicos-administrativos, gestores de instituições de educação superior, pesquisadores, especialistas, representantes de movimentos sociais, da sociedade civil e de órgãos governamentais e de participação social. O seminário integra uma série de atividades de escuta, com participação social, que estão acontecendo desde agosto de 2025, visando à formulação da política. 

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A programação conta com as palestras “Educação Superior Indígena: diversidade sociocultural e políticas educacionais” e “Povos Quilombolas e Educação Superior: reconhecimento, inclusão e justiça educacional”. Essa última discutirá a educação superior a partir do reconhecimento dos direitos dos povos quilombolas, da valorização de seus saberes tradicionais e epistemologias próprias, da necessidade de revisão curricular, incluindo disciplinas obrigatórias, metodologias inclusivas e estratégias institucionais para o enfrentamento da reprovação, evasão e abandono.  

Outra palestra será “Relações Étnico-Raciais e Educação Superior: desafios e perspectivas institucionais”. Nela, será analisada a educação das relações étnico-raciais na educação superior, com ênfase na incorporação de epistemologias negras nos currículos, na obrigatoriedade de disciplinas específicas e no enfrentamento de práticas acadêmicas excludentes que naturalizam a reprovação e aprofundam desigualdades, especialmente para estudantes cotistas e negros. 

A programação inclui, ainda, a palestra “Pessoas com Deficiência na Educação Superior: acessibilidade, inclusão e responsabilidade institucional”, que abordará a inclusão de pessoas com deficiência na educação superior, com foco na acessibilidade, revisão de práticas avaliativas, metodologias de ensino inclusivas e superação da cultura acadêmica que associa qualidade à exclusão, com responsabilização institucional pelos resultados acadêmicos e pelo sucesso estudantil.  

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Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Sesu

Fonte: Ministério da Educação

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