Mulher
Dia dos Povos Indígenas destaca desafios e protagonismo das mulheres indígenas no Brasil
Celebrado em 19 de abril, o Dia dos Povos Indígenas foi instituído em 1943, inspirado na atuação do indigenista Marechal Rondon e nas discussões do Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México, em 1940. A data tem como objetivo reconhecer a diversidade cultural dos povos indígenas e promover a garantia de seus direitos.
No Brasil, as mulheres indígenas ocupam um papel central na preservação das culturas, tradições e formas de organização social de seus povos. Ao mesmo tempo, enfrentam múltiplas vulnerabilidades, marcadas pela sobreposição de desigualdades de gênero, étnicas e territoriais.
De acordo com o Censo 2022 do IBGE, o país possui mais de 1,6 milhão de pessoas indígenas, concentradas principalmente na região Norte. Nesse contexto, as mulheres indígenas vivenciam desafios como a violência, a exclusão social, o acesso limitado a políticas públicas e as ameaças constantes aos seus territórios, provocadas por invasões, exploração ilegal de recursos naturais e degradação ambiental.
Além disso, fatores como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e pobreza agravam ainda mais as condições de vida dessas mulheres, impactando diretamente sua segurança, saúde e autonomia. Esse cenário reforça a importância da criação e fortalecimento de políticas públicas específicas voltadas às mulheres indígenas.
Política Nacional para Mulheres Indígenas (PNMI)
A Política Nacional para Mulheres Indígenas (PNMI) é uma iniciativa articulada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em parceria com o Ministério das Mulheres, ONU Mulheres e outros órgãos federais, que estabelece diretrizes para promover direitos, enfrentar violências e fortalecer a autonomia das mulheres indígenas no Brasil.
Construída com ampla participação de lideranças indígenas, a política tem caráter intersetorial e abrange áreas como saúde, educação, território, autonomia econômica e participação política. Seu objetivo é orientar a atuação integrada do poder público, considerando o contexto de agravamento das violações de direitos e dos conflitos territoriais no país.
A PNMI também prevê ações como a criação das Casas da Mulher Indígena, a adaptação de serviços públicos às especificidades culturais e o fortalecimento das redes de atendimento, com foco na efetividade das políticas públicas e no respeito à autodeterminação dos povos indígenas.
1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas
Entre os dias 4 e 7 de agosto de 2025, foi realizada a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, promovida pelo Governo Federal, por meio dos Ministérios das Mulheres e dos Povos Indígenas, em parceria com a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA).
A conferência é resultado de um processo que envolveu sete etapas regionais, realizadas ao longo do primeiro semestre do ano, reunindo mais de 700 mulheres indígenas em consultas preparatórias. Durante os três dias da etapa nacional, as participantes debateram cinco eixos temáticos: Direito e Gestão Territorial; Emergência Climática; Políticas Públicas e Violência de Gênero; Saúde; e Educação e Transmissão de Saberes Ancestrais para o Bem Viver.
Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas
O Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas tem como objetivo propor, avaliar e monitorar políticas de prevenção e de enfrentamento à violência contra as mulheres do campo, da floresta e das águas. Ao fórum compete também propor e elaborar estudos e diagnósticos sobre o fenômeno da violência contra as mulheres do campo, da floresta e das águas, e ao acesso e características dos serviços especializados, ou não, de atendimento a mulheres em situação de violência.
A iniciativa também busca fortalecer a articulação entre os organismos responsáveis pelas políticas para as mulheres da União, estados e municípios, e as organizações da sociedade civil, com experiência de atuação no âmbito da pauta.
PEC do Marco
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023 propõe incluir na Constituição Federal a tese do marco temporal, que define que os povos indígenas só terão direito à demarcação de terras se comprovarem que estavam ocupando essas áreas na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988.
Na prática, a PEC estabelece um critério fixo para a demarcação de terras indígenas, com o objetivo declarado de trazer mais segurança jurídica ao processo, reduzindo disputas e conflitos fundiários. O texto também prevê a ampliação de regras para indenização de ocupantes não indígenas considerados de boa-fé que estejam em áreas posteriormente reconhecidas como terras indígenas.
A proposta está inserida em um debate amplo sobre os direitos territoriais indígenas no Brasil. Defensores afirmam que o marco temporal cria previsibilidade e estabilidade jurídica. Já críticos argumentam que a medida pode restringir direitos, ao desconsiderar casos em que comunidades foram expulsas de suas terras antes de 1988.
Aprovada pelo Senado, a PEC ainda precisa ser analisada pela Câmara dos Deputados para entrar em vigor.
Fonte: Ministério das Mulheres
Mulher
Ministra Márcia Lopes participa da I Cúpula Brasil-Espanha e firma memorando para avançar no enfrentamento à violência de gênero
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou nesta sexta-feira (17/4), em Barcelona, da I Cúpula Brasil-Espanha, que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, além de autoridades, com o objetivo de fortalecer a parceria entre os dois países. O encontro foi realizado no Palácio de Pedralbes.
Durante a cúpula, foi assinado um Memorando de Entendimento com a ministra da Igualdade da Espanha, Ana Redondo García, voltado à promoção da igualdade de gênero e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
A Espanha é considerada referência internacional na área e registrou, em 2024, o menor número de casos de violência de gênero de sua série histórica.
Na troca de experiências, o Brasil apresentará à Espanha a estratégia do Pacto Brasil entre os Três Poderes de Enfrentamento do Feminicídio e outras iniciativas voltadas à proteção das mulheres, como o Programa Mulher Viver Sem Violência, que prevê o fortalecimento dos canais de denúncia (Ligue 180), a implantação de Casas da Mulher Brasileira — que reúnem, em um só local, vários serviços de apoio e orientação às mulheres vítimas de violência —, os Centros de Referência da Mulher Brasileira e outras políticas públicas voltadas ao cuidado e à autonomia econômica feminina.
Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o fortalecimento da cooperação internacional reforça o compromisso do governo brasileiro com a promoção dos direitos das mulheres.
“O memorando representa um passo importante para fortalecer a cooperação internacional na promoção da igualdade de gênero e no enfrentamento da violência contra as mulheres, ampliando a troca de experiências e o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes”, afirmou a ministra Márcia Lopes.
Entre os principais encaminhamentos do encontro bilateral estão a criação de um grupo de trabalho para monitorar a implementação do acordo e a realização de intercâmbios técnicos entre especialistas dos dois países.
Protocolos de atendimento humanizado
A cooperação bilateral abrange temas como prevenção à violência, enfrentamento à misoginia no ambiente digital, promoção de masculinidades não violentas e fortalecimento de sistemas integrados de proteção às mulheres. Também estão previstas trocas de experiências sobre canais de denúncia e atendimento remoto, como o Ligue 180, no Brasil, e o 016, na Espanha, além de protocolos de atendimento humanizado.
Sistemas de monitoramento de riscos
Outro eixo prioritário do acordo assinado é o acesso à justiça, com interesse brasileiro no aprofundamento técnico sobre o sistema espanhol VioGén, que monitora e classifica riscos de violência por meio de ferramentas tecnológicas, permitindo respostas mais rápidas e integradas entre instituições.
A agenda inclui ainda a proteção de mulheres migrantes, com foco na construção de fluxos de atendimento para brasileiras na Espanha, e a capacitação de operadores do sistema de justiça, com intercâmbio sobre tribunais especializados em violência de gênero.
Fortalecimento das estratégias de prevenção
O Brasil também demonstra interesse em fortalecer estratégias de prevenção que atuem diretamente na formação de valores e comportamentos, com destaque para o ambiente educacional e o esporte como espaços centrais de transformação social.
No campo da educação, a prioridade é promover a igualdade de gênero desde a educação básica, por meio de ações de formação, projetos pedagógicos e fortalecimento de redes, contribuindo para a prevenção da violência e o enfrentamento do racismo e de outras desigualdades estruturais.
De forma complementar, o país busca conhecer experiências que utilizem o esporte como ferramenta de mudança cultural, reconhecendo seu papel na socialização e na construção de identidades, especialmente entre homens, e seu potencial para promover valores alinhados à equidade e à não violência.
Dignidade menstrual
Na área de dignidade menstrual, o Brasil busca compartilhar e aprimorar políticas públicas. Dados apontam que uma em cada quatro meninas falta à escola durante o período menstrual, e cerca de 4 milhões enfrentam precariedade de higiene nas escolas. Apesar do avanço do Programa Dignidade Menstrual, apenas 14% do público estimado acessa regularmente o benefício, o que indica desafios como falta de informação, barreiras operacionais e persistência de estigmas.
A agenda inclui também discussões sobre democracia, multilateralismo e participação social.
“Foi uma viagem muito produtiva com relação à nossa expectativa de futuro. Queremos um mundo sem guerra, queremos um mundo de paz, um mundo onde as democracias de fato se realizem e a população se sinta sempre muito envolvida, muito engajada e com seus direitos garantidos”, concluiu a ministra.
Sobre a I Cúpula Brasil-Espanha
A I Cúpula Brasil-Espanha, realizada em Barcelona neste mês de abril, é um desdobramento do diálogo bilateral realizado em 2025, em Madri, para fortalecer a parceria estratégica entre os dois países, com foco na defesa do multilateralismo e na ampliação da cooperação internacional em áreas como igualdade de gênero, transição energética e desenvolvimento econômico.
Fonte: Ministério das Mulheres
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