OPINIÃO

Cuiabá é a atualmente a capital nacional da mulher  

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Quando olhamos há alguns anos, a discussão em torno de políticas públicas para às mulheres, em Cuiabá, era uma necessidade, assim como Brasil afora à nível local, porém ela se restringia ao campo das ideias, dos planos e das promessas. Não sei dizer se era pela falta de interesse pela pauta (gosto de acreditar não), pela indisposição política ao assunto ou mesmo à ausência concreta de projetos.

Claro que não podemos generalizar e precisamos valorizar o empenho de pessoas e instituições na busca de maior igualdade para nós mulheres. Nesse seleto grupo, logo de imediato, vem em mente os valorosos membros do judiciário mato-grossense e para não fazer injustiça à nenhum deles os represento com a figura líder da desembargadora Maria Erotildes Kneipe, defensora da bandeira feminina há mais de 30 anos e que não se pode falar em políticas públicas para mulheres sem lembrará de sua luta assim como de todo o núcleo de judiciário.

Foram eles os pioneiros, os precursores e os incentivadores de novos tempos para as mulheres cuiabanas, o qual, hoje, felizmente, estamos vivendo. Quando iniciamos a gestão municipal, em 2017, nos inspiramos na batalha árdua desse valoroso grupo e buscamos mudar a realidade da inoperância do executivo quanto à pauta ou pelo menos protagonizar maior empenho e eficácia em ações que realmente impactaram na vida das mulheres.

E assim o fizemos. Pensamos nas mulheres ainda enquanto meninas, quando ressignificamos o Programa Siminina aplicando uma nova roupagem no atendimento delas ao implantar o maior conjunto de ações da história de 25 anos do projeto. Inserimos aulas como a de ballet, inglês básico, reforço escolar, artesanato, judô, plantio de hortifrúti, dentre outros.

Estendemos o atendimento em 1 ano a mais para oferecer aulas de informática básica e intermediária com noções de lógica computacional para condicionar essa menina melhor para o mercado de trabalho, futuramente. Proporcionamos para mais de 1 mil meninas todo essa gama de aprendizado e oportunizamos a elas condições para, daqui alguns anos, se tornarem mulheres mais independentes e empoderadas.

Já no segundo ano, oferecemos às mulheres cursos de qualificação profissional em mais de 40 opções de qualificação de quatro áreas de atuação diferentes entregando ao mercado de trabalho mais de 3 mil mulheres e criando novos empregos formais e informais e colocando Cuiabá entre os menores índices de desemprego do país. Tudo sem mencionar o empoderamento, a autoestima e a independência financeira que faz a mulher não mais se submeter à situações de violência verbal, psicológica, emocional, física e outras por não terem condição de sustento familiar.

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O Qualifica Cuiabá 300 anos, sem dúvidas, foi o pontapé inicial para a mudança significativa de Cuiabá nas políticas voltadas à mulher. Os órgãos de proteção passaram a fazer encaminhamento para os cursos, além de reconhecer a contribuição do programa com o registro de zero casos de feminicídio em 2019.

Sem mencionar os dois prêmios de expressão nacional pela contribuição social, dentre eles o “Amigos da ODS” que figurou o programa entre os principais do Brasil em consonância com os 17 objetivos estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Também fomos convidados pelo Governo Federal para apresentar os resultados e prática do programa na conferência de Dia da Mulher, na sede da ONU, em Nova Iorque, entretanto a crise de saúde global do novo coronavírus fez cancelar o encontro e a oportunidade histórica para à capital.

Do Qualifica 300 em diante passamos a atuar mais junto à proposta da consolidação da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher que, de forma inédita, uniu 14 instituições e os três poderes em prol da construção unificada de ações voltadas às mulheres cuiabanas e mato-grossense.

Esse com certeza foi o maior passo em busca da construção de uma nova era para às políticas direcionadas as nossas mulheres, pois a assinatura do Termo de Cooperação com o Tribunal de Justiça garantirá a maior efetividade nesse desenvolvimento.

De quebra, anunciamos a criação da inédita Secretaria Municipal da Mulher, no mesmo ato, carimbando assim o marco histórico para à política em torno da mulher. Em seu pouco tempo de atuação, a pasta já conquistou feitos em prol das mulheres sem precedentes como a inauguração do primeiro espaço do Brasil, voltado ao atendimento feminino, dentro de uma unidade de saúde público, no caso o Hospital Municipal de Cuiabá.

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O espaço físico que conta com sala de acolhimento infantil, sala de aconchego, sala de atendimento médico, recepção, banheiros e outras veio para oferecer à vítima de agressão apoio emocional, psicológico, médico e jurídico antes mesmo de registrar denúncia formal contra seu agressor nas instituições de Segurança Pública.

A espécie de delegacia 24 horas, presente dentro do maior hospital público do Centro Oeste, garante maior privacidade, segurança emocional à vítima que chega extremamente abalada com à agressão e requer de isolamento para amenizar à vergonha e os impactos psicológicos advindos da violência, além de propiciar todo o suporte para saída do ciclo da violência doméstica.

Esse foi o sonho concretizado da Maria de Penha que nos pediu a construção desse espaço, ressaltando à importância dele para uma mulher violentada que fica sem nenhuma referência do poder público para esse atendimento especializado.

Extremamente satisfeita e agradecida, Maria da Penha ainda destaca a concretização do espaço que, em suas viagens pelo Brasil, nunca presenciou o projeto sair do papel e citou a capital Cuiabá como exemplo a ser seguido no país por, em menos de 1 ano, concluir o espaço inédito.

Adentramos em 2020, como referência nacional na atuação e promoção de ações que protagonizam a mulher, que oferecem o suporte e a perspectiva de maior participação social, segurança nas instituição e, principalmente, combate contundente contra à violência doméstica e familiar.

E mesmo com toda a barreira imposta pela crise sanitária da COVID-19, às dificuldades de se colocar em prática as ações; os tristes casos de aumento da violência doméstica, Cuiabá, hoje, é case de sucesso na atuação do bem estar social de suas mulheres e se torna a “Capital Nacional da Mulher”, sem sombra de dúvidas.

Iremos nos reinventar, buscar soluções e estratégias para fortalecer ainda mais esse pilar construído em torno da mulher cuiabana, garantindo a todas elas maiores perspectivas de equidade, igualdade de gênero, respeito e participação social em todas as áreas porque o lugar dela é onde ela quiser.

Márcia Pinheiro é primeira-dama de Cuiabá, empresária, pós-graduada em Gestão Pública e presidente estadual da Virada Feminina. 

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Mulher

O fim da violência contra a mulher depende de todos nós

Por Luciana Zamproni

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Nunca foi fácil ser mulher neste mundo, em qualquer que seja a sociedade, pois a imensa maioria é marcada pelo patriarcado, que por sua vez gera o machismo e coloca a mulher em posição de suposta inferioridade. O resultado disso são mulheres dependentes financeiramente do pai e depois do marido, fadadas ao ambiente do lar, ao cuidado dos seus familiares, muitas vezes se deixando de lado, deixando de lado sua auto estima, seus sonhos, seu potencial, tendo pouca visibilidade e representatividade no espaço público, no mundo dos negócios, da política.
Com o passar do tempo, aos poucos isso foi mudando, mas a cultura do machismo ainda persiste e, em pleno século 21, ainda vemos muitas mulheres sofrendo violência doméstica, violência sexual e ate feminicídio. Não é diferente em Mato Grosso e na Capital, Cuiabá. Em nosso estado, o número de feminicídios aumentou 279% nos últimos três anos, de acordo com relatório divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Há menos de um mês, durante a programação do Agosto Lilás, lembramos e homenageamos 32 mulheres vítimas de feminicídio este ano, em Mato Grosso.
São mulheres que tinham uma história, que tinham família, mas que, infelizmente, tiveram sua jornada interrompida por alguém com quem mantinham relação de afeto, por aquele de quem esperavam receber segurança e amor. Muitas vezes, a Justiça é feita. O autor do crime é preso. Mas a vida já foi destruída. A família foi destruída. Ficaram filhos que carregarão consigo o trauma para o resto da vida. No caso das sobreviventes, seja de violência física ou sexual, por exemplo, também fica a marca da dor, a dificuldade em seguir em frente. Por isso, muito mais do que combater o crime de feminicídio, previsto na Lei nº 13.104/15 e lutar para que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06) seja colocada em prática, precisamos urgentemente promover a cultura de paz, levantar a bandeira da igualdade de gênero, lutar contra o machismo, que tanto assola a nós, mulheres de Cuiabá, de Mato Grosso, do Brasil e de todo o planeta!
Ser mulher não é fácil, mas é possível mudar e avançar rumo a uma sociedade em que mulheres não precisem sentir medo ao sair de casa e muito menos dentro de suas próprias casas! E a Prefeitura de Cuiabá, através da Secretaria da Mulher, vem trabalhando incansavelmente com este objetivo.
Em apenas quatro meses de criação da pasta, já realizamos diversas ações em defesa das mulheres cuiabanas. A própria implementação da Secretaria da Mulher já significa um marco histórico, que demonstra a importância que a gestão dá à emancipação e ao protagonismo feminino em todas as áreas da sociedade pois entendemos que podemos avançar cada vez mais e melhor se todos estivermos envolvidos.
No Agosto Lilás, dedicamos um mês inteiro com uma vasta programação voltada ao combate à violência contra a mulher e acreditamos que conseguimos deixar a mensagem para muitas pessoas de que é preciso dizer: “Basta! Chega de violência! Eu não me calo! Em briga de marido e mulher, se mete a colher, sim!”. Divulgamos massivamente os canais de denúncia, como o 190 e o Disque 100 e esperamos com isso, levar o socorro tão necessário a quem precisa.
Sabemos que para a mulher vítima de violência, denunciar não é algo tão simples quanto pegar um telefone ou ir até uma delegacia. Sobre ela pesam milhares de dúvidas, incertezas, medos. Por isso, a cada vez que uma mulher vítima de violência tem a coragem de denunciar, de expor o seu agressor publicamente, ela está livrando não somente a si própria, mas a inúmeras outras mulheres que, como ela, se veem aprisionadas e sem forças para romper todo esse ciclo de violência. Cada mulher que denuncia, é incentivo para outras mulheres. E quem está de fora dessa trama de dor e sofrimento pode ajudar com o simples fato de não julgar, de não apontar o dedo, de não culpar a vítima ao invés do agressor. Mais do que isso, pode ajudar ativamente, denunciando, não se calando, oferecendo apoio, emprego para aquela mulher com filhos.
Nesse sentido de contribuir para esse recomeço, em julho, inauguramos o Espaço de Acolhimento à Mulher no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), um espaço inédito no país voltado ao atendimento especializado de vítimas de violência doméstica, que conta com médico, assistente social, psicóloga, ludoteca, brinquedoteca, espaço de aconchego. Lá, a vítima pode ser atendida de forma reservada, com a atenção necessária e ter todo o suporte para se livrar do ciclo da violência.
Também em julho, realizamos a campanha “Sinal Vermelho para a Violência Doméstica”, uma iniciativa em parceria com as farmácias, onde a mulher vítima de violência poderia fazer um sinal de X na palma de sua mão e, de forma discreta, pedir ajuda no balcão de alguma farmácia. A ideia é que essas vítimas consigam ajuda em qualquer lugar, não somente em lugares especializados, como centros de assistência social, delegacias e casas de acolhimento.
Entre maio e junho, atentos aos impactos da pandemia nas vidas das mulheres mais carentes e em parceria com outras pastas, como as Secretarias de Assistência Social e Trabalho e Desenvolvimento Econômico, desenvolvemos ações como a entrega de kits de higiene, cobertores e a reformulação do Qualifica Cuiabá 300 para o formato online, proporcionando às mulheres e suas famílias um pouco mais de perspectiva neste momento delicado que vive a humanidade.
Nosso desafio é longo e árduo, mas estamos firmes neste propósito de garantir não só às mulheres, mas a toda a sociedade uma vida melhor, mais leve, mais desenvolvida. Porque quando uma mulher é livre para fazer escolhas, todo mundo ganha. E é preciso que cada um faça a sua parte, desde ensinando as crianças que não existe diferença entre meninos e meninas, que todos têm potencialidades iguais, como não aceitando piadas machistas e misóginas, não se calando diante de uma violência, denunciando os atos de agressão verbal ou física, acolhendo, oferecendo apoio, sem preconceito ou julgamento. Somente juntos, poder público e sociedade, faremos deste mundo um lugar mais justo, em que nenhuma mulher terá que enfrentar grandes batalhas para sobreviver, mas simplesmente poderá viver.

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Luciana Zamproni – Secretária municipal da Mulher de Cuiabá

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