OPINIÃO
A Força da Mulher Negra no Brasil
*Gisela Simona*
Esta semana – como deputada federal pelo União Brasil – realizei reuniões importantes em alguns municípios, na região mais ao Oeste de Mato Grosso, como Cáceres, Jauru, Vila Bela da Santíssima Trindade, Porto Esperidião, Vale do São Domingos e Comodoro. E pude, inclusive, com imensa alegria participar em Vila Bela da Santíssima Trindade, do III Encontro Regional de Mulheres Negras de Mato Grosso, neste dia 25 de julho. Celebrando com a população da primeira capital de Mato Grosso, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, Dia Nacional de Tereza de Benguela [líder quilombola que, no século XVIII, comandou o Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso] e Dia Nacional da Mulher Negra.
Estar lá celebrando datas tão singulares, em uma cidade no Alto Guaporé, que até pouco tempo possuia uma população composta quase que exclusivamente por descendentes de escravos africanos foi uma imensa honra.
Assim, enquanto uma dos 31 parlamentares que se declaram negros, dos 513 que participam da Câmara Federal, sobretudo, uma deputada que participa da bancada negra desde a sua criação, em 2023, e ainda da bancada da mulher no Congresso Nacional, estar em Vila Bela que continua conhecida como a ‘Cidade Negra’ de Mato Grosso, mesmo com a imigração e os casamentos interraciais, foi inequivocamente um grande presente.
Sobretudo, poder debater políticas públicas para o enfrentamento ao racismo estrutural. E discutir a importância de Mato Grosso se colocar na linha de frente na garantia de direito, justiça e igualdade para a população negra.
Comemoração que muito antes nos convida a refletir sobre a trajetória e a contribuição das mulheres negras na construção do nosso país. E o impacto social ainda hoje desproporcional destas mulheres, frequentemente, marginalizadas. Que enfrentam diariamente as desigualdades econômicas e que fazem parte do contingente mais atingido pela violência doméstica. Exigindo que as políticas públicas considerem estas especificidades vividas por elas.
Em um ano de atuação na Câmara Federal, tenho trabalhado no sentido de promover políticas públicas que atendam às necessidades das mulheres, buscando reduzir as desigualdades e garantir mais oportunidades para todas. Pois entendemos que as lutas pela igualdade de gênero e raça devem ser contínuas e multifacetadas. Sobretudo, compreendendo, em especial, que as mulheres negras, ao longo da história do Brasil, têm sido pilares na resistência e na construção de uma sociedade mais justa.
Assim, orgulhosamente, posso neste um ano de Câmara dos Deputados, computar participações extremamente importantes dentro dos debates e na construção de propostas que estão garantindo que nossas vozes sejam ouvidas e que as políticas públicas reflitam nossas necessidades e experiências. Neste contexto, em abril deste ano, fui uma das quatro representantes da Câmara Federal, em Genebra, na Suíça, em missão oficial, participando da 3ª Sessão do Fórum Permanente sobre Afrodescendente da Organização das Nações Unidas. Contribuindo para o diálogo global sobre as questões raciais.
Acabei de participar neste início de julho, em Maceió, de um encontro histórico no Brasil: a 1ª Reunião de Mulheres Parlamentares desde a criação do famoso G-20, em 1999, formado por ministros de finanças e chefe de bancos centrais de nações desenvolvidas que se reúnem para buscar soluções que garantam estabilidade à economia global.
De forma inédita, representantes de Câmaras, Senados e Assembleias Nacionais das maiores potências mundiais, especialmente, de suas bancadas femininas se reuniram na capital para falarem sobre sobre o protagonismo feminino no mundo. E as saídas globais para quebrar uma invisibilidade que, historicamente, nos incomoda.
E como reconhecimento, acredito, desta luta contínua em favor das mulheres e da população mato-grossense fui indicada ao Prêmio Congresso em Foco 2024, premiação considerada a mais importante da política brasileira.
Ano passado, ao comemorar esta mesma data, disse igualmente, em um artigo, que não poderia deixa-la passar em branco, pois era necessário frisar que Mato Grosso agora tinha uma mulher declaradamente preta como deputada federal. Para alguns, só uma característica há mais, para muitos, uma conquista histórica, digna de agradecimento a toda a nossa ancestralidade que, com suas lutas, nos fizeram chegar aqui.
Assim, mais uma vez, ao celebrarmos o Dia da Mulher Negra, convido toda a sociedade para o enfrentamento do racismo e a promoção da igualdade racial. Para que possamos tornar realidade nossa luta por respeito, cidadania, dignidade e igualdade de oportunidades.
*Gisela Simona é cuiabana, advogada e deputada federal pelo União Brasil*
OPINIÃO
Parece que foi ontem
Por Antônio Joaquim
Parece que foi ontem. Dia 7 de abril de 2000. A lembrança da minha nomeação ao Tribunal de Contas de Mato Grosso ainda me vem com nitidez, como se o tempo não tivesse passado com a velocidade que, hoje percebo, ele realmente passou. São 26 anos de uma jornada que começou com expectativas, desafios e um profundo senso de responsabilidade pública. Ao revisitar essa trajetória, o sentimento que emerge é uma mistura de saudosismo e gratidão. Saudosismo pelas etapas vividas, pelas pessoas que caminharam ao meu lado e pelos momentos que ajudaram a construir quem sou hoje. E gratidão pela oportunidade de servir ao Estado de Mato Grosso e o Brasil em diferentes frentes ao longo da vida pública.
Antes mesmo de chegar ao Tribunal de Contas, tive a honra de atuar no Parlamento. Primeiro como um aguerrido deputado estadual, na trincheira da oposição, inclusive durante a Constituinte Estadual. Fui o “brizolinha pantaneiro”, em referência ao guerreiro Leonel Brizola, nosso líder no PDT. Tinha como marcas de atuação a determinação e a lealdade. Aprendi desde cedo que você pode ser firme, convicto, mas precisa sempre respeitar aliados e adversários. Depois, na Câmara dos Deputados, vivi momentos especiais como deputado federal, um dos mais votados de Mato Grosso. Foram experiências que moldaram minha compreensão sobre a importância das instituições e do compromisso com o bem comum.
No Governo Dante de Oliveira, pude contribuir com políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do nosso Estado, em um período de grandes transformações estruturais em um Estado que estava quebrado, falido se o poder público pudesse falir. Fui secretário de Infraestrutura e Secretário de Estado de Educação, com letras maiúsculas. Disparado, a maior e mais inesquecível experiência, pelas marcas deixadas em minha trajetória pública. Vem desse período minha verdadeira paixão pela causa da educação pública. Eu acredito no poder transformador da educação. Transforma a si, transforma o próximo. Transforma e melhora a sociedade. Aproveito para homenagear todos aqueles que dedicam a vida ao ensino, a começar pela minha esposa Tânia, professora de carreira, minha educadora.
Mas foi no Tribunal de Contas que encontrei um espaço permanente de construção. Aqui, ao longo desses anos, fortaleceu-se em mim a convicção de que o controle externo vai muito além da fiscalização da gestão dos recursos públicos: ele é instrumento de cidadania. Por isso, sempre defendi o fortalecimento do controle social, como forma de aproximar a sociedade da gestão pública e, com a participação cidadã, retroalimentar o controle externo. O cidadão está sempre onipresente. Quando participa, fala, denuncia, cobra, transforma a vida social e impulsiona as instituições. Acredito que cidadãos bem-informados participam melhor, cobram melhor e ajudam a construir governos mais responsáveis. Impossível não lembrar de iniciativas como o projeto Consciência Cidadã, que nasceram dessa crença. Não fui pai desse projeto, mas fui padrinho, padrasto.
Em nível nacional, tive a honra de contribuir para o desenvolvimento do sistema Tribunais de Contas. Na presidência da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, trabalhei para mudar o foco da entidade, direcionando esforços para a melhoria concreta das nossas instituições de controle externo. A Atricon, quando assumi, era uma instituição corporativa, voltada praticamente para o interesse do associado. Como os Tribunais de Contas até hoje carecem de um conselho nacional que os organiza e fiscaliza, a exemplo do CNJ para o Poder Judiciário, e o CNMP, para o Ministério Público (órgãos de controle criados pela Emenda Constitucional 40), entendi que a Atricon tinha que organizar o sistema e lutar pela melhoria dos Tribunais de Contas brasileiros.
Parece um passado longínquo, mas em 2012, existiam tribunais de ponta e muitos abaixo da linha do aceitável. Minha gestão foi um marco transformador. Falo isso pelo sem-número de homenagens que recebo constantemente por ter sido esse líder naquele momento histórico. Foi um período de intensa dedicação, do qual resultaram iniciativas estruturantes, como o Marco de Medição de Desempenho dos Tribunais de Contas, o MMD-TC, iniciado com outro nome o QATC, programa que avaliava a qualidade e agilidade dos tribunais. Atualmente, todos os 33 Tribunais de Contas se submetem a essa avaliação. Com certeza, a evolução de todos passou por esse programa.
Para essa época da minha vida, homenageio a memória do saudoso conselheiro Salomão Ribas (TCE-SC). Ele que inventou minha candidatura, em um congresso da Atricon em Belém (PA), uma ideia que teve a adesão de outros dois ícones, Thiers Montebello (TCM/RJ) e Chico Neto (TCM-BA). Disse-me Salomão, secretamente: “eu não posso, mas você, novo e pouco desconhecido, pode nos provocar um terremoto necessário”. Como desafio pouco é bobagem, aceitei fui lançado aos leões. Não custa lembrar que, diferente do CNJ e CNMP, era e ainda é a mensalidade dos associados que banca o trabalho da Atricon de melhorar instituições públicas. Por isso, fui amado, odiado, mas felizmente hoje exaltado.
Ver, anos depois, o avanço dessas e outras ações na Atricon e em todo o Sistema Tribunais de Contas, como o Programa Nacional de Transparência Pública – minha última contribuição nacional mesmo apenas como membro da entidade, proposta de 2021 – reforça a certeza de que cada esforço valeu e continua valendo a pena. Logicamente, são conquistas que não pertencem a uma pessoa, mas a todos que acreditam na força das instituições.
No Tribunal de Contas de Mato Grosso, para além da atividade obrigatória voltada à fiscalização e o julgamento de contas públicas, uma das causas que mais têm mobilizado minha atuação é a educação pública, agora presidindo a Comissão Permanente de Educação e Cultura. Em especial, a atenção à primeira infância e a defesa da construção de creches como política essencial para o futuro, com ajuda do Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política de Educação (GAEPE), uma iniciativa de governança colaborativa.
Cuidar das nossas crianças é, sem dúvida, o maior investimento que podemos fazer enquanto sociedade. Essa causa tem-me nutrido diariamente, em conjunto com a atuação como conselheiro ouvidor do TCE-MT. Nessa área, basta lembrar que em menos de cinco anos, como trabalho de mobilização, orientação, treinamento, conseguimos influenciar e fazer com que praticamente todos os órgãos públicos tenham criado sua Ouvidoria Pública.
Ao olhar para trás, é impossível não sentir saudade. Mas é uma saudade serena, acompanhada do orgulho pelas sementes plantadas e pelos resultados alcançados. O tempo passou — rápido, talvez até mais do que eu gostaria —, mas deixou marcas positivas, aprendizados e realizações. Se hoje parece que foi ontem, é porque cada momento vivido foi significativo. E é com esse mesmo espírito que sigo adiante, renovando o compromisso com o serviço público, com a ética e com a construção de um Estado cada vez melhor.
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