AGRONEGÓCIOS
‘Regovaço’ ambiental do Governo Lula contrapõe a atividade do agronegócio e desacelera o crescimento do país, ”, explica advogada
JB News
Por Alana Casanova
Desde janeiro deste ano, após o Governo Federal promover o “revogaço” de uma série de atos referentes à atuação do Ibama, o órgão fiscalizador ambiental tem lançado eletronicamente multas que estavam paralisadas há mais anos. Só para se ter uma ideia, em Estados como o Pará apenas no que se refere a autorização de exportação foram mais de 3 mil autos de infração ambiental.
Dados apresentados em um levantamento do Laboratório Observatório do Clima mostram que a quantidade de multas pagas nos processos administrativos sancionadores reduziu de uma média de 688/ano entre 2014 e 2018 para 74 e 13 multas pagas em 2019 e 2020, respectivamente, sendo que, em 2020, pela primeira vez na série histórica, o número de desembargos foi superior ao de embargos.
“Com essas novas medidas adotadas pelo Ibama ficou determinada a revisão de entendimentos de outros despachos e também a autorização da criação de um grupo de trabalho destinado a revisar todas as decisões administrativas tomadas em processos sancionadores. Isso tem repercussão não apenas na esfera administrativa, mas também no âmbito judicial”, explica a advogada Thais Vieira, do escritório Barbero Vieira Advogados, estabelecido em Alta Floresta e Barra do Garças.
Entre os vários atos normativos editados, sobretudo decretos alterando ou revogando regras estabelecidas ao longo dos últimos anos, destaca-se o Decreto 11.373/2023, que altera o Decreto 6.514/2008, o qual dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente e estabelece o processo administrativo federal para apuração dessas infrações.
“Essa é uma norma que ao longo de mais de dez anos sofreu diversas alterações. Isso chama a atenção para a urgente necessidade de se discutir uma reestruturação da responsabilidade administrativa ambiental, uma vez que essas mudanças e alterações em decretos geram incertezas para quem produz e acarretam em uma enxurrada de medidas judiciais”, pontua a advogada.
Veja o que foi revogado na área ambiental:
- Revogação dos decretos 10.223/2020 e 10.144/2019, que extinguiram a governança do Fundo Amazônia, e agora retornou com a revogação do decreto;
- Revisão do decreto N° 11.018/2022, que manteve o esvaziamento do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama);
- Revogação dos decretos 10.142/19, 10.239/19 e 10.845/21;
- Revogação do decreto 9.760/2019, que antes estipulava que as autuações deveriam ser revistas em audiências de conciliação, o que poderia resultar em descontos ou anulação das sanções;
- Revogação do decreto N° 10.239/2020, que transferiu o Conselho Nacional da Amazônia Legal (Cnal), do Ministério do Meio Ambiente para a vice-presidência da República de Hamilton Mourão (Republicanos).
- Revogação do decreto N° 10.966/2022, que legalizou o garimpo a partir de uma regulamentação do chamado “garimpo artesanal”, que muito mais beneficia pequenas famílias principalmente no estado do Ceará.
A advogada se posicionou contrária aos decretos governamentais por entender que não traz soluções para o cenário atual: “Os decretos assinados pelo novo governo federal, de longe, solucionam o atual problema do Brasil quanto ao desmatamento na Amazônia. Até porque tomar as terras que já foram desmatadas há anos e estão em plena atividade como pecuária e agricultura resolveria o que? Só traria ainda mais prejuízos para o próprio governo, que aliás deveria estar preocupado em criar políticas para regularizar estas terras que estão irregulares e instituir regras de preservação de outras áreas para contrapor as que já estão desmatadas há tempos.”
Pontua ainda que “o agronegócio brasileiro alimenta mais de 12% da população mundial com menos de 40% de área aberta no Brasil, sendo que é utilizado menos de 10% de todo território brasileiro para a agricultura e pastagem. Ou seja, o Brasil não é responsável pelos desafios climáticos no mundo. Aliás, é um dos países que ainda tem grande parte do seu território com florestas intactas. Voltar agora o FUNDO AMAZÔNIA é na verdade financiar, ou melhor, entregar a Amazônia a outros países, que nada mais querem do que parar a todo o custo o crescimento brasileiro, até porque o agronegócio brasileiro poderá tornar esse país em uma potência mundial. Ainda há de se pontuar que a Noruega, que é um dos países que mais investe no FUNDO AMAZÔNIA é também responsável por investir quase dez vezes mais em atividades que destroem a Amazônia, bem contraditória né?!”
Por fim, frisou que “não é a favor do desmatamento exacerbado na Amazônia, todavia, enquanto o governo não criar política que regulamenta a abertura legal de terras, somente piorará a situação, porque assim os produtores continuarão desmatando grande quantidade, ou seja, se regulamentar por exemplo o estado do Pará, Acre, etc como fez o estado do Mato Grosso, somente serão feitos desmatamentos em quantidades previstas em lei, até porque se um produtor tiver a opção de comprar uma terra com averbação de 50% de área preservada, por exemplo, e trazer a ele a legalidade e regularização do título da propriedade, com certeza vão optar por esta prerrogativa ao invés de desmatar 100% de uma área que o deixa irregular. Assim, creio que a melhor solução seja o governo fazer um novo marco ambiental de agora em diante e buscar a regularização das terras desmatadas na Amazônia para que estas terras também possam trazer lucratividade para o governo, podendo tributá-las.”
AGRONEGÓCIOS
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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