AGRONEGÓCIOS
Presidente Lula e ministro Carlos Fávaro lançam programa Solo Vivo em Mato Grosso
O presidente República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa do lançamento do Programa Solo Vivo e da entrega de máquinas agrícolas no Assentamento Santo Antonio da Fartura, em Campo Verde (MT). O evento inicia às 10h (horário local), com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Também é prevista a entrega de títulos de terra pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Idealizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o programa Solo Vivo visa a recuperação de solo degradado para aumentar a produtividade e competividade dos agricultores familiares. O objetivo é reduzir as desigualdades na produção rural. O programa conta com a parceria do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de Mato Grosso (Fetagri/MT).
O IFMT realiza a análise do solo nos locais selecionados pela Fetagri e, a partir do laudo, o MAPA fornece equipamentos, máquinas e insumos necessários para a preparação do solo.
Piloto do programa, Mato Grosso terá 10 assentamentos beneficiados, inicialmente. Além de Campo Verde, são realizadas coletas e análise de solo em propriedades de Alto Araguaia, Poconé, Rosário Oeste, Barra do Bugres, São Félix do Araguaia, Matupá, Juína, Pontes e Lacerda e São José dos Quatro Marcos.
Durante o evento, também será realizada a entrega de máquinas do Programa Estratégico de Fortalecimento Estrutural de Assentamentos Rurais e Sustentabilidade da Agricultura Familiar em Mato Grosso, desenvolvido pelo MAPA em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq) em 38 municípios mato-grossenses.
CREDENCIAMENTO – Os profissionais de veículos de imprensa interessados em cobrir o evento devem se credenciar no sistema da Presidência da República. Profissionais com credencial anual 2025 também precisam se credenciar.
Atenção: Os profissionais com credenciamento aprovado poderão optar por se deslocar até o local do evento em veículos do Mapa, que partirão da Superintendência de Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso, em Várzea Grande. Apenas os profissionais credenciados poderão embarcar. O embarque será realizado entre 7h e 7h30, no endereço Avenida Dr. Aníbal Molina, s/n°, bairro Porto, Várzea Grande.
SERVIÇO
Lançamento do programa Solo Vivo
Data: neste sábado, 24 de maio
Horário: 10h
Local: Assentamento Santo Antonio da Fartura, no município de Campo Verde (MT)
AGRONEGÓCIOS
Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro
A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.
O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.
O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.
Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.
Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.
No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.
O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.
O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.
Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.
Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.
Fonte: Pensar Agro
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