Polícia Federal
PF desarticula organização criminosa em MT que utilizava casas lotéricas para lavar dinheiro do tráfico e da corrupção, ex-deputado é alvo
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Da Redação
A operação Bilhete Premiado realizada nesta manhã de quarta-feira 06.03, pela Polícia Federal (PF), e pela Receita Federal, desarticulou uma organização criminosa em Mato Grosso, que utilizavam casas lotéricas para lavagem de dinheiro, e apreendeu cerca de R$ 96 mil em espécie.
Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão expedidos pela 5ª Vara Federal de Mato Grosso, nas cidades de Várzea Grande, Pontes e Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. Foi determinado também o bloqueio de bens no valor de até R$ 106 milhões de reais da quadrilha.
Segundo as investigações a utilização das casas lotéricas seriam para mascarar a origem ilícita das atividades criminosa do grupo, que vai entre corrupção e tráfico de drogas.
Dentre os alvos da operação desta quarta-feira, está o ex-deputado Carlos Antônio Azambuja, que foi alvo na Operação Ararath em 2017, onde estava sendo investigado por corrupção na participação de recebimento de propina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, no caso “mensalinho”. O ex-deputado foi filmado recebendo propina do governo de Silval Barbosa.

O ex-deputado se livrou de ressarcir R$ 15 milhões em uma ação por improbidade administrativa, sendo beneficiado por um acordo de não persecução cível firmado com o Ministério Público Estadual (MPE), comprometeu-se a pagar 72 parcelas de R$ 2,2 mil, totalizando R$ 163,2 mil.
Outros alvos da operação de hoje são pessoas que estão sendo investigada em outras operações como por exemplo, a Operação Bybris realizada para combater o tráfico de cocaína no estado.
Os investigadores com o apoio da Receita Federal detectaram a movimentação de milhões de reais em espécie pela quadrilha. Durante a operação foram identificados que os valores eram incompatíveis com o patrimônio declarado pelos depositantes.
Durante as investigações foram detectados que os saques dos valores eram realizados quando não no mesmo dia, no dia seguinte, para dificultar o rastreamento do dinheiro por parte das autoridades.

As investigações apontam que a origem do dinheiro da quadrilha provém da corrupção e do tráfico internacional de drogas.
A partir de agora a PF irá se concentrar no material apreendido durante a operação para saber quais os outros crimes a organização estão envolvidos, inclusive para identificar outros nomes que possivelmente possam participar do grupo.
veja vídeos da operação :
Polícia Federal
Ex-assessor de ministras preso pela PF vazou informações sigilosas e monitorava delegado em esquema com lobista de MT
JB News
Por Emerson Teixeira
Ex-assessor é preso após monitorar delegado e vazar decisões judiciais em esquema milionário de corrupção
A prisão de Márcio José Toledo Pinto, realizada pela Polícia Federal no fim da tarde desta terça-feira (31), elevou o nível de gravidade das investigações da Operação Sisamnes e revelou novos elementos sobre um suposto esquema de corrupção e venda de decisões judiciais em instâncias superiores. Apontado como peça-chave na engrenagem criminosa, o ex-assessor é acusado de receber cerca de R$ 4 milhões do lobista Anderson de Oliveira Gonçalves para manipular informações e atuar em processos de interesse privado.
A nova ordem de prisão preventiva foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, após a Polícia Federal apresentar indícios adicionais colhidos a partir da análise do celular do investigado. Inicialmente, o pedido de prisão temporária havia sido negado, mas o avanço das investigações levou à decretação da medida mais rigorosa.
Um dos pontos mais graves identificados pela Polícia Federal foi o monitoramento de um delegado responsável pelo caso. O próprio investigador percebeu que estava sendo seguido, realizou a abordagem e identificou Márcio. Para os agentes, a conduta configura tentativa de obstrução das investigações.
Segundo relatos, o ex-assessor alegou que apenas acompanhava o delegado porque ele estaria utilizando um veículo apreendido, justificativa que não convenceu os investigadores.
De acordo com relatório enviado ao STF, Márcio foi indiciado por violação de sigilo funcional e corrupção passiva. As investigações apontam que ele produziu minutas e decisões com base em jurisprudências para atender interesses de terceiros, além de vazar informações sigilosas de gabinetes ligados a tribunais superiores.
Márcio já havia sido alvo de busca e apreensão na primeira fase da Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024. Ele atuou nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti.
As quebras de sigilo bancário indicaram que o lobista teria repassado cerca de R$ 4 milhões ao investigado por meio de uma empresa em nome da esposa de Márcio, reforçando a suspeita de pagamento por favorecimento em decisões judiciais.
Apesar da gravidade do caso, o novo relatório elaborado pelo delegado José Heloíse dos Santos Neto aponta que não há, até o momento, indícios de participação de ministros de tribunais superiores no esquema.
A defesa do investigado ainda não se manifestou. Em declarações anteriores, Márcio negou envolvimento nas irregularidades.
A prisão aprofunda a crise envolvendo suspeitas de corrupção no Judiciário e coloca sob pressão um dos esquemas mais sensíveis já investigados pela Polícia Federal nos últimos anos.
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