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PF conclui que desembargadores de MT receberam propinas em relógios e barras de ouro e transferências bancárias de advogado assassinado em Cuiabá

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por Nayara Cristina

 

Venda de Sentenças no TJ-MT: PF Aponta Corrupção com Barras de Ouro, Relógio de R$ 158 Mil

Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema de corrupção no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) envolvendo a suposta compra e venda de decisões judiciais por desembargadores. Segundo o relatório final, os magistrados João Ferreira Filho e Sebastião de Moraes Filho teriam recebido propina em troca de sentenças favoráveis, com pagamentos que iam de transferências bancárias e depósitos em espécie até objetos de alto valor, como relógios de luxo e barras de ouro.

O advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em 2023, figura como peça central do esquema. Ele atuava como operador financeiro e intermediário entre empresários e magistrados. De acordo com a PF, Zampieri foi responsável por diversas tratativas ilícitas com os desembargadores, chegando inclusive a realizar pagamentos diretos e presentear autoridades com itens de luxo.

A investigação interceptou, em agosto de 2023, um diálogo entre Zampieri e Valdoir Islapak, sócio da empresa Force Consultoria, no qual discutem a compra de um relógio Vacheron Constantin, modelo Fiftysix automático — avaliado em cerca de R$ 158 mil. O presente seria destinado ao desembargador João Ferreira Filho. Zampieri, inclusive, enviou fotos do relógio ao magistrado, indicando ciência e aceitação da vantagem indevida.

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Em outro trecho do relatório, a PF afirma que uma empresa ligada a Zampieri transferiu aproximadamente R$ 5 milhões para a enteada do desembargador João Ferreira — uma possível forma de disfarçar o repasse de propina, segundo os investigadores.

A força-tarefa ainda localizou comprovantes de depósitos bancários realizados por Zampieri diretamente para o desembargador Sebastião de Moraes Filho, que totalizaram cerca de R$ 500 mil. Em mais uma tentativa de suborno, o advogado ofereceu ao magistrado uma barra de ouro de 400 gramas, avaliada em R$ 126 mil, conforme detalhado no relatório da Polícia Federal.

Em anexo oficial, a PF declarou:

“Com base no conjunto probatório reunido até o momento, a Polícia Federal entende que as hipóteses criminais inicialmente formuladas se encontram em grande parte confirmadas por um corpo consistente de indícios, especialmente quanto ao possível envolvimento dos desembargadores João Ferreira Filho e Sebastião de Moraes Filho nos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro.”

As investigações também identificaram a atuação da empresa Force Consultoria, especializada em auxiliar companhias em crise, como em processos de recuperação judicial ou disputas fundiárias. Segundo a PF, os sócios Aroldo Augusto Filho e Valdoir Islapak foram responsáveis pela “compra” de algumas decisões judiciais e se beneficiaram de sentenças manipuladas para favorecer interesses comerciais em litígios envolvendo grandes propriedades de terra.

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Em nota, os advogados de defesa dos acusados afirmaram que “não existem provas concretas contra os desembargadores” e que a investigação se baseia em “indícios frágeis e interpretações equivocadas de atos isolados”.

Com a morte de Zampieri — que agora é considerado o pivô do esquema —, as autoridades intensificaram o foco sobre os demais envolvidos. O caso, que choca a opinião pública, lança dúvidas profundas sobre a integridade do sistema judiciário mato-grossense e deve ser encaminhado ao Ministério Público e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para responsabilização administrativa e penal dos envolvidos.

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Polícia Federal

Ex-assessor de ministras preso pela PF vazou informações sigilosas e monitorava delegado em esquema com lobista de MT

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Por Emerson Teixeira

 

Ex-assessor é preso após monitorar delegado e vazar decisões judiciais em esquema milionário de corrupção

A prisão de Márcio José Toledo Pinto, realizada pela Polícia Federal no fim da tarde desta terça-feira (31), elevou o nível de gravidade das investigações da Operação Sisamnes e revelou novos elementos sobre um suposto esquema de corrupção e venda de decisões judiciais em instâncias superiores. Apontado como peça-chave na engrenagem criminosa, o ex-assessor é acusado de receber cerca de R$ 4 milhões do lobista Anderson de Oliveira Gonçalves para manipular informações e atuar em processos de interesse privado.

A nova ordem de prisão preventiva foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, após a Polícia Federal apresentar indícios adicionais colhidos a partir da análise do celular do investigado. Inicialmente, o pedido de prisão temporária havia sido negado, mas o avanço das investigações levou à decretação da medida mais rigorosa.

Um dos pontos mais graves identificados pela Polícia Federal foi o monitoramento de um delegado responsável pelo caso. O próprio investigador percebeu que estava sendo seguido, realizou a abordagem e identificou Márcio. Para os agentes, a conduta configura tentativa de obstrução das investigações.

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Segundo relatos, o ex-assessor alegou que apenas acompanhava o delegado porque ele estaria utilizando um veículo apreendido, justificativa que não convenceu os investigadores.

De acordo com relatório enviado ao STF, Márcio foi indiciado por violação de sigilo funcional e corrupção passiva. As investigações apontam que ele produziu minutas e decisões com base em jurisprudências para atender interesses de terceiros, além de vazar informações sigilosas de gabinetes ligados a tribunais superiores.

Márcio já havia sido alvo de busca e apreensão na primeira fase da Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024. Ele atuou nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti.

As quebras de sigilo bancário indicaram que o lobista teria repassado cerca de R$ 4 milhões ao investigado por meio de uma empresa em nome da esposa de Márcio, reforçando a suspeita de pagamento por favorecimento em decisões judiciais.

Apesar da gravidade do caso, o novo relatório elaborado pelo delegado José Heloíse dos Santos Neto aponta que não há, até o momento, indícios de participação de ministros de tribunais superiores no esquema.

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A defesa do investigado ainda não se manifestou. Em declarações anteriores, Márcio negou envolvimento nas irregularidades.

A prisão aprofunda a crise envolvendo suspeitas de corrupção no Judiciário e coloca sob pressão um dos esquemas mais sensíveis já investigados pela Polícia Federal nos últimos anos.

 

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