POLITICA
“Não é contra servidores, é uma limitação saudável”, diz Max Russi sobre projeto que impõe freio a mandatos sindicais remunerados em MT, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
“Projeto é polêmico e mexe com uma estrutura ampla do Estado”, afirma Max Russi sobre a PLC 01/2026 que limita remuneração de presidentes de sindicatos
A tramitação da PLC 01/2026 na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso tem provocado forte repercussão entre servidores públicos e dirigentes sindicais em todo o Estado. A proposta estabelece que presidentes de sindicatos que sejam servidores públicos estaduais poderão receber remuneração custeada pelo órgão de origem por, no máximo, dois mandatos consecutivos à frente da entidade. Após esse período, o dirigente poderá permanecer na presidência, caso seja reeleito pela categoria, mas sem o pagamento do salário pelo Estado durante o afastamento para exercício do mandato classista.
A medida alcança servidores vinculados à administração direta, autarquias e fundações estaduais, além de instituições como o Tribunal de Justiça de Mato Grosso e o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso. O texto conta com apoio do Executivo Estadual, o que ampliou ainda mais o debate político em torno da matéria, considerada por muitos como uma das mais sensíveis do início do ano legislativo.
O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, reconheceu a complexidade do tema e afirmou que o Parlamento terá cautela na condução da discussão. Segundo ele, trata-se de uma proposta que envolve diferentes categorias profissionais espalhadas por todo o território mato-grossense. “É um projeto polêmico, porque trata de um setor muito amplo no Estado. Nós temos inúmeras categorias, cada uma com sua forma de organização, suas negociações salariais, suas progressões de carreira e suas pautas específicas”, destacou. O parlamentar afirmou ainda que existem parâmetros que precisam ser amplamente debatidos antes de qualquer definição em plenário, justamente porque a matéria toca em aspectos estruturais do funcionamento sindical.
A proposta não impede a reeleição de dirigentes sindicais, mas limita o período em que poderão permanecer afastados recebendo remuneração paga pelo poder público. Para defensores da medida, a iniciativa busca estimular a alternância de liderança nas entidades de classe e evitar a permanência prolongada de dirigentes custeados pelo erário. A avaliação é de que a regra pode trazer maior rotatividade e incentivar o surgimento de novas lideranças dentro das categorias.
Por outro lado, representantes sindicais têm demonstrado preocupação com a interferência do Estado na dinâmica interna das entidades. Para eles, a autonomia sindical, prevista na Constituição Federal, garante às categorias o direito de definir seus representantes e as regras de permanência nos cargos de direção. A limitação da remuneração, segundo esse entendimento, pode gerar desequilíbrios, sobretudo em sindicatos menores ou em categorias com menor capacidade de mobilização, onde a renovação de quadros nem sempre ocorre com facilidade.
O debate também se estende ao campo jurídico. Especialistas discutem se a restrição à remuneração configura medida administrativa legítima ou se pode ser interpretada como ingerência indevida na organização sindical. A depender da forma como for regulamentada, a proposta poderá enfrentar questionamentos judiciais caso seja aprovada.
Nos corredores da Assembleia Legislativa, o clima é de atenção redobrada. Parlamentares reconhecem que o tema mobiliza diversas categorias organizadas, com forte capacidade de articulação política. Max Russi reforçou que o Legislativo tem responsabilidade em promover um diálogo equilibrado. “É preciso ouvir todos os lados. Estamos falando de servidores que representam milhares de trabalhadores em Mato Grosso. A decisão precisa ser tomada com responsabilidade”, afirmou.
A PLC 01/2026 ainda deve passar pelas comissões permanentes antes de eventual votação em plenário. Até lá, a expectativa é de que audiências públicas e reuniões ampliem o debate, permitindo ajustes no texto original, caso haja consenso. Independentemente do resultado final, a proposta já recolocou no centro da agenda política estadual a discussão sobre os limites entre a atuação sindical, a remuneração custeada pelo Estado e a necessidade — ou não — de mecanismos que promovam maior alternância nas lideranças das entidades de classe.
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POLITICA
“Assinaturas de três anos não representam mais a vontade política”, diz Fábio Garcia ao criticar parecer da Procuradoria da ALMT e instalação da CPI da Saúde, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
A confirmação da instalação da CPI da Saúde na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, anunciada nesta quarta-feira pelo presidente Max Russi, aprofundou um embate que já vinha se arrastando nos bastidores do Parlamento e agora ganha contornos públicos e mais duros. Embora a comissão ainda não esteja completamente formada — já que os blocos partidários não concluíram a indicação de todos os membros —, o anúncio oficial de que a CPI será instalada intensificou as críticas do governo estadual, especialmente do chefe da Casa Civil, Fábio Garcia.
A polêmica gira em torno das assinaturas que fundamentaram o requerimento apresentado pelo deputado Wilson Santos. Segundo diversos parlamentares, os nomes foram colhidos há três anos, durante uma tentativa anterior de abertura de comissão parlamentar de inquérito que acabou não avançando. Para esses deputados, o cenário político de 2023 não é o mesmo de 2026, e a vontade manifestada naquele momento não necessariamente se mantém agora.
Alguns parlamentares chegaram a solicitar formalmente a retirada de seus nomes, alegando que não foram consultados novamente antes da reapresentação do documento à Mesa Diretora. Mesmo diante dessas manifestações, a Procuradoria da Assembleia Legislativa entendeu que o requerimento é legal e que cabe ao presidente dar andamento ao processo de instalação.
Max Russi, ao anunciar que a CPI será instalada, afirmou que aguarda a indicação dos membros pelos blocos parlamentares. Até o momento, apenas dois nomes teriam sido encaminhados, mas ainda não divulgados oficialmente. O presidente concedeu novo prazo para que os blocos façam as indicações, o que provocou questionamento de Wilson Santos. Para ele, diante da suposta revelia no prazo regimental, o presidente já poderia indicar os integrantes para garantir a imediata instalação da comissão.
Enquanto o impasse sobre os nomes se prolonga, a CPI já provoca forte desgaste político, inclusive no âmbito do Palácio Paiaguás. Nesta quinta-feira, Fábio Garcia fez duras críticas à forma como o requerimento foi reapresentado.
“O instrumento da CPI é legítimo, é um instrumento que o Poder Legislativo tem para investigar. O problema, nesse caso específico, é a forma como isso foi feito”, afirmou. Segundo ele, a coleta de assinaturas começou há três anos, o documento ficou guardado e foi reapresentado sem que houvesse a convalidação da vontade atual dos deputados. “Ele não convalidou com os seus pares se eles ainda tinham a vontade política que tinham há três anos atrás. Fez à revelia de alguns deputados que formalizaram isso.”
Garcia também criticou a atuação da Procuradoria da Assembleia por não considerar o posicionamento atual dos parlamentares que questionaram o uso de suas assinaturas. “Me espantou que a Procuradoria tenha ignorado a vontade política atual dos parlamentares. Essas assinaturas foram colhidas há três anos e não representam mais, para muitos, a vontade política de hoje.”
Ele comparou a situação a um episódio ocorrido no Senado Federal, onde, segundo relatou, houve caso semelhante e os parlamentares foram consultados novamente para confirmar o interesse na abertura da comissão. “Aqui não houve essa confirmação. Alguns deputados entraram com representação porque aquele requerimento apresentado três anos depois não representava mais o que pensavam hoje.”
Apesar do tom crítico, Fábio Garcia negou que haja desgaste na relação do governo com Wilson Santos. “O deputado é livre para tomar seus posicionamentos. Se entende que precisa investigar um fato, ele tem todo o direito. Mas poderia ter buscado novas assinaturas, conversado um a um com os deputados. Isso não é respeito ao governo, é respeito aos próprios pares.”
Ele ainda exemplificou: “Se alguém guarda um documento assinado por mim três anos atrás e apresenta sem me consultar novamente, eu me sentiria desrespeitado.”
Mesmo afirmando que, em sua avaliação, o processo não teve a legitimidade política adequada, Garcia reconheceu que a CPI deve ocorrer. “Ela vai acontecer. Pode até ocorrer normalmente. Mas, para mim, foi feita de uma forma não adequada.”
A CPI da Saúde deverá investigar possíveis irregularidades na área, incluindo contratos administrativos, dispensas de licitação, compras públicas, execução de recursos e eventuais falhas na gestão do setor. No entanto, enquanto os blocos não definirem seus representantes, a comissão permanece apenas formalmente anunciada, mas ainda não plenamente instalada — mantendo o Parlamento sob tensão e ampliando o debate político em torno da legalidade, legitimidade e oportunidade da investigação.
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