EDUCAÇÃO
Ministro Camilo Santana anuncia corte do Fies e MEC aperta o cerco contra cursos de Medicina reprovados no Brasil, MT tem faculdade nota 1, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
A visita do ministro da Educação, Camilo Santana, a Mato Grosso nesta quarta-feira — durante a inauguração de novas estruturas ligadas ao IFMT/UFMT em Várzea Grande — ganhou dimensão nacional quando ele transformou o palanque da educação pública em recado direto ao ensino superior privado: o MEC vai endurecer a regulação e vai retirar financiamento público de cursos, sobretudo de Medicina, que exibiram desempenho considerado inaceitável nas avaliações mais recentes.
O pano de fundo é o resultado do Enamed/Enade (avaliação da formação médica) divulgado pelo MEC em janeiro, que escancarou uma realidade incômoda para parte do setor privado: 107 dos 351 cursos de Medicina avaliados ficaram nas faixas 1 e 2, o equivalente a 30,4% do total — conceito tratado como insatisfatório. Dentro desse grupo, 24 cursos receberam a nota mínima (conceito 1), e apenas 49 cursos alcançaram conceito 5.
Foi com base nesse diagnóstico que Camilo Santana defendeu, no evento em Várzea Grande, o retorno do MEC ao “papel protagonista” de fiscalizar e impor limites. O ministro deixou claro que a intenção não é “fechar universidade por fechar”, mas impedir que a sociedade aceite médicos mal formados. O argumento central do governo é que o Brasil não pode permitir que cursos cobrem mensalidades elevadas e, ao mesmo tempo, entreguem formação reprovada — porque o resultado aparece no SUS, nos hospitais, nos postos de saúde e na vida real das pessoas.
E o problema não é abstrato: ele tem nome e endereço em Mato Grosso. Segundo reportagens locais que repercutiram os dados do Enamed, duas instituições do estado receberam conceitos inadequados: a Universidade de Cuiabá (Unic) ficou com conceito 2, e o Centro Universitário Estácio do Pantanal (Unipantanal), em Cáceres, recebeu conceito 1, a pior nota possível.
O recorte é ainda mais duro quando se observa o desempenho dos concluintes: dos 26 estudantes que fizeram a prova nessas duas instituições, apenas 4 atingiram a nota mínima exigida pelo MEC para serem considerados proficientes.
As mesmas reportagens registram a avaliação do Conselho Regional de Medicina: mais de 35% dos concluintes de Medicina em Mato Grosso estariam se formando em instituições reprovadas no exame — um dado que o CRM-MT usa para sustentar a defesa de medidas mais rígidas e até fechamento de cursos reincidentes.
No panorama estadual, a leitura dos resultados mostra um contraste: além das duas reprovadas, houve cursos com conceito intermediário e outros acima da média. O noticiário cita que Univag e Unemat (Cáceres) ficaram em conceito 3, enquanto UFMT (Cuiabá e Sinop) e UFR alcançaram conceito 4, apontado como satisfatório pelo MEC.
Com os números na mesa, o Ministério da Educação anunciou uma bateria de ações que mexe diretamente no caixa e no modelo de expansão de faculdades privadas. A medida mais sensível é o bloqueio do Fies para cursos com notas 1 e 2: na prática, o governo fecha a torneira do financiamento para novas matrículas em instituições que não entregaram formação mínima aceitável.
Além disso, o MEC determinou sanções graduais, com reflexo direto no tamanho das turmas e no crescimento de vagas: 54 cursos terão de reduzir vagas, sendo que 8 ficam impedidos de fazer novos ingressos no segundo semestre; 13 cursos terão corte de 50% das vagas, e 33 terão redução de 25%. Em 45 instituições, a penalidade é o impedimento de ampliar vagas.
O coração do discurso de Camilo Santana em Mato Grosso se encaixa nesse desenho: o MEC diz que vai dar prazo para correção e readequação, mas com o financiamento público condicionado à qualidade. A lógica é simples e politicamente explosiva: se o curso não prova que forma bem, não pode continuar crescendo com dinheiro público — e, em casos mais graves, pode ter o funcionamento restringido até comprovar melhoria.
A discussão ganhou tração nacional também porque entidades médicas entraram no debate com números que reforçam a predominância do setor privado entre os piores resultados: o Conselho Federal de Medicina afirmou que, entre as faculdades que receberam nota 1, a maioria é particular, e que, no conceito 2, o predomínio privado é ainda maior — argumento usado para pressionar o MEC por mais rigor e por um exame de proficiência na saída do curso.
Em Mato Grosso, esse embate tende a crescer porque o estado não está fora da estatística: ele aparece com instituição nota 1 e com outra nota 2, e isso pode significar, na prática, impacto imediato na captação de alunos via Fies, além de pressão por redução de vagas e fiscalização mais intensa.
O recado do MEC é que não basta abrir curso e lotar turma: será preciso demonstrar qualidade, estrutura, campo de prática, corpo docente e resultado.
No fim, a inauguração de Várzea Grande serviu como símbolo de dois Brasis educacionais que agora colidem de frente: de um lado, a expansão da rede pública e técnica, tratada como eixo estratégico; do outro, um ensino superior privado que cresceu em ritmo acelerado — e que, diante das notas, foi chamado a provar que forma profissionais à altura do que cobra. E, quando o assunto é Medicina, a cobrança ganha um peso extra: é a vida do paciente que está em jogo.
Veja :
EDUCAÇÃO
Instituições podem aderir ao Bolsa Permanência até 13/2
As instituições que ofertam graduação em medicina por meio do Programa Mais Médicos têm até 13 de fevereiro para aderir ao Programa Bolsa Permanência (PBP-PMM), do Ministério da Educação (MEC). Em 2026, o MEC oferta 1,5 mil novas bolsas do PBP-PMM a estudantes participantes, com valor mensal de R$ 700. Para isso, a pasta fará um investimento anual de R$ 12,6 milhões.
Nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, a Secretaria de Educação Superior do MEC (Sesu) realizou reunião para orientar as instituições sobre os procedimentos para a adesão e como obter acesso ao sistema, sobretudo para instituições que participarão do programa pela primeira vez.
A adesão deverá ser formalizada mediante a assinatura do representante legal ou de mantenedora de instituição, por meio do Sistema de Gestão da Bolsa Permanência (SISBP). Após essa etapa, os estudantes elegíveis devem se cadastrar no processo de seleção, também pelo SISBP, até 20 de fevereiro. O processo de seleção é regulado pelo Edital nº 8/2026 e pelo Edital nº 9/2026.
Equidade – O PBP-PMM busca minimizar as desigualdades sociais e contribuir para a permanência e a diplomação de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Do total de bolsas ofertadas, 25% serão destinadas a estudantes de universidades federais e os demais 75% a alunos bolsistas integrais de instituições de ensino (IES) privadas.
São ofertadas 1.125 novas vagas em 59 instituições privadas de ensino superior. Serão beneficiados alunos bolsistas integrais (100%) das próprias instituições. Já para as universidades públicas federais são disponibilizadas 375 vagas, distribuídas em 32 instituições e 37 campi.
A distribuição das bolsas priorizou municípios com maiores índices de vulnerabilidade, utilizando como base o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Foram adotados critérios diferenciados de pontuação e acréscimo de vagas para IES localizadas na Amazônia Legal e na Faixa de Fronteira.
Para receber a bolsa, os estudantes devem ter renda bruta familiar por pessoa de até um salário mínimo e meio e estarem inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico); terem matrícula ativa em um curso de medicina em instituições que participam do Programa Mais Médicos; não terem concluído qualquer outro curso superior; e não serem beneficiários do programa de Bolsa Permanência em outra modalidade. A inscrição no CadÚnico é um pilar central da política, pois garante que a assistência estudantil seja direcionada com transparência e precisão para as famílias que mais precisam.
Cronograma – A seleção dos estudantes será realizada entre 6 e 13 de março pelas instituições de ensino superior participantes. As IES deverão definir procedimentos de seleção em edital próprio, a partir dos critérios estabelecidos pelo MEC, como a priorização de candidatos com renda familiar per capita de até meio salário mínimo e que tenham cursado integralmente o ensino médio em escola pública.
Confira o calendário completo da seleção:
|
2 a 13 fevereiro de 2026 |
Adesão pelas IES |
|
4 a 20 fevereiro de 2026 |
Abertura do calendário para inscrições dos alunos candidatos à bolsa |
|
9 a 27 fevereiro de 2026 |
Validação dos cadastros dos alunos pelas IES |
|
6 a 13 de março de 2026 |
Prazo para realização do processo de seleção pelas IES dos estudantes aptos a receberem a bolsa |
|
6 a 20 de março de 2026 |
Autorização pelas IES dos cadastros no SISBP para início de recebimento de bolsas |
|
Março de 2026 |
Homologação de bolsas pela IES/MEC e envio ao FNDE |
|
Abril de 2026 |
Previsão de crédito para o estudante referente ao mês de março |
Dúvidas poderão ser esclarecidas pela Central de Atendimento do MEC (0800 616161) ou pelo e-mail [email protected].
PBP-PMM – O Programa Bolsa Permanência – Mais Médicos (PBP-PMM) tem como objetivo assegurar condições materiais para a permanência de alunos de baixa renda no curso de medicina, especialmente aqueles oriundos de regiões socioeconomicamente vulneráveis e afastadas dos grandes centros urbanos. Além de um instrumento de enfrentamento das desigualdades sociais, o programa busca melhorar a oferta de serviços de saúde, uma vez que a evasão desses estudantes prejudica também o atendimento às populações que mais precisam.
O PBP-PMM foi regulamentado pela Portaria nº 655/2025, alterada pela Portaria MEC nº 655/2025. Os procedimentos para a execução das bolsas foram estabelecidos pela Resolução FNDE nº 25/2025. Entre outros detalhamentos, as normas determinam que o pagamento das bolsas será efetuado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) preferencialmente por meio de Poupança Social Digital. A modalidade dispensa a confecção de cartões físicos e o deslocamento dos estudantes beneficiários, sobretudo daqueles residentes em regiões remotas.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Superior (Sesu)
Fonte: Ministério da Educação
-
Policial6 dias atrásEmpresa com sede em presídio: esquema milionário de fraude fiscal em comercialização de grãos era comandado da cadeia em MT; principal alvo não foi localizado, VEJA
-
Cidades7 dias atrásPolicial civil preso por estuprar mulher custodiada em delegacia de Sorriso tem mais de 20 anos de carreira
-
POLITICA6 dias atrásFederação Brasil da Esperança confirma Natasha Slhessarenko como pré-candidata ao governo de MT
-
Destaque6 dias atrásVirgínia Mendes, é internada com dores abdominal e transferida para São Paulo; estado de saúde é estável
-
CUIABÁ6 dias atrásAbílio diz que manterá corridas de rua e quer setor de inteligência da Polícia Civil dentro da prefeitura para fiscalizar execução de emendas em Cuiabá
-
POLITICA7 dias atrásMax Russi prevê baixa renovação na Assembleia em 2026 e aposta em reeleição de até 23 deputados, VEJA O VÍDEO
-
CUIABÁ3 dias atrásCom dívida trabalhista superior a R$ 200 milhões e pressão do Ministério Público por concurso, Abílio anuncia extinção da Empresa Cuiabana de Saúde, VEJA O VÍDEO
-
POLITICA6 dias atrásDéficit trilionário, Previdência em colapso e contas fora de controle: saída de Caiado do UB mexe no tabuleiro eleitoral e expõe urgência por solução para o Brasil Diz Mauro Mendes, VEJA O VÍDEO


