POLITICA
Governador Mauro Mendes critica pacote fiscal do Governo Federal e alerta sobre impacto do juro alto “Quem paga a conta é o trabalhador”
Veja o vídeo:
JB News
Por Alisson Gonçalves
Em declarações a imprensa, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, destacou as preocupações com os juros altos no Brasil e seus reflexos diretos na vida do trabalhador e na economia nacional.
Durante seu discurso, Mendes enfatizou que as taxas de juros, que podem alcançar 14% ou 15% em 2024, afetam desde o crédito pessoal até os custos de bens essenciais.
“E o juro alto, vai beneficiar quem? Quando o trabalhador for comprar uma geladeira, o fogão, a prestação, quem vai pagar essa conta? Quem vai pagar a conta da inflação?”, questionou Mendes.
Segundo ele, o cenário atual de juros elevados penaliza principalmente os consumidores finais, ao mesmo tempo que é reflexo de uma administração pública endividada e de gastos mal direcionados.
Mendes destacou que a dívida pública brasileira, que ultrapassa R$ 6 trilhões, é um dos fatores que encarece os juros cobrados.
Ele comparou a situação a um indivíduo endividado: “Se você deve muito e vai no banco pedir um empréstimo, talvez você não consiga ou, se conseguir, vai ser um juro muito caro”.
O governador também explicou como esse custo se reflete no cheque especial, nos cartões de crédito e no repasse para os preços de bens e serviços, o que pode agravar a inflação.
Outro ponto destacado foi o impacto do dólar na economia:
“Ah, mas eu não uso o dólar, não compro dólar. Não, o dólar está no preço da passagem de ônibus, da gasolina, dos insumos agrícolas, que impactam diretamente nos alimentos”, disse Mendes, ressaltando que a alta da moeda estrangeira é sentida de forma indireta em diversas áreas do consumo.
O governador ainda criticou o governo federal por promessas de austeridade que, segundo ele, não se traduziram em práticas concretas.
“Depois de um mês falando em corte de gasto, o primeiro anúncio foi um corte de receita”, concluiu Mendes, sinalizando preocupação com as consequências de decisões econômicas recentes.
Veja medidas:
governo federal anunciou medidas de cortes de gastos que, segundo projeções, podem gerar uma economia de R$ 327 bilhões nos próximos cinco anos.
As iniciativas incluem mudanças em regras de políticas públicas, propostas de emenda à Constituição (PEC), e projetos de lei (PL).
Medidas detalhadas
Proposta de Emenda Constitucional (PEC):
Abono salarial: Reduz a faixa de direito ao benefício de até R$ 2.824 para até R$ 2.640.
Fundeb: Até 20% da complementação da União ao Fundeb poderá ser usada em ações para matrículas em tempo integral na educação básica pública.
Desvinculação de Receitas da União (DRU): Prorrogação da medida até 2032.
Subsídios e subvenções:
Ajuste orçamentário estimado em R$ 18 bilhões.
Fundo Constitucional do Distrito Federal:
Limitação do crescimento de recursos pela inflação.
Projeto de Lei (PL):
Salário mínimo: Crescimento real limitado a 2,5%.
Bolsa Família:
Regras mais rígidas, incluindo atualização obrigatória de cadastros e uso de biometria.
Benefício de Prestação Continuada (BPC): Concessão limitada a pessoas incapacitadas para a vida independente e o trabalho.
Lei Aldir Blanc: Repasse de R$ 3 bilhões ao ano com a condição de execução dos recursos no ano anterior.
Militares: Fim de práticas como “morte fictícia” e transferências de pensão.
Outras iniciativas:
Emendas parlamentares:
Limitação do crescimento, com economia de R$ 79,9 bilhões até 2030.
Concursos públicos:
Faseamento e limitação para novas contratações a partir de 2025.
Em 2025, as medidas somadas devem gerar uma economia de R$ 22,8 bilhões (R$ 11,1 bilhões pela PEC e R$ 11,7 bilhões pelo PL).
Até 2030, a redução nos gastos públicos alcançará R$ 73,9 bilhões, com impacto crescente nos anos seguintes.
As propostas seguem para análise e aprovação no Congresso Nacional.
Se aprovadas, essas ações representam parte do plano de ajuste fiscal do governo.
Veja :
POLITICA
Wanderley Cerqueira abre investigação e condiciona decisão da Câmara à perícia oficial sobre escândalo dos áudios vazados em VG, VEJA
JB News
Da redação
Crise política se agrava em várzea grande com suspeita de escuta clandestina e guerra entre poderes
A crise política em Várzea Grande se intensificou nos últimos dias e expôs um cenário de forte instabilidade institucional entre o Executivo e o Legislativo municipal. O ambiente já era considerado sensível desde o início da atual gestão, mas ganhou novos contornos após a renúncia do vice-prefeito Sebastião dos Reis, o Tião da Zaeli, e, mais recentemente, com a revelação de suspeitas de escuta clandestina dentro do gabinete da prefeita Flávia Moretti, além da circulação de áudios que passaram a repercutir nos bastidores políticos e nas redes sociais.
O episódio envolvendo o suposto monitoramento dentro da sede do Executivo elevou o nível de tensão política na cidade industrial. De acordo com informações apuradas, a prefeita acionou autoridades após identificar um objeto suspeito em seu gabinete, o que levantou a hipótese de interceptação ambiental irregular. A Polícia foi comunicada e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi chamada para analisar o material e verificar sua natureza. Até o momento, não há divulgação oficial sobre o resultado dessa análise.
Paralelamente, áudios atribuídos a interlocuções internas da gestão municipal começaram a circular amplamente, com conteúdos que mencionam tratativas políticas, possíveis articulações institucionais e críticas a membros do Legislativo. A autenticidade do material, no entanto, ainda não foi confirmada por órgãos oficiais, nem há identificação formal dos autores das gravações.
Diante da repercussão, a Câmara Municipal convocou uma coletiva de imprensa para tratar do caso. O presidente do Legislativo, Vanderley Cerqueira, afirmou que a Casa irá instaurar procedimento para solicitar perícia técnica nos áudios antes de qualquer deliberação.
“Nós vamos pedir uma perícia técnica nesses áudios, até para ter a comprovação de forma correta e verdadeira. A gente precisa ter responsabilidade para não acusar ninguém injustamente”, declarou.
O presidente também ressaltou, logo no início da coletiva, a necessidade de cautela por parte de agentes públicos diante da repercussão do caso. “A gente sendo pessoa pública, tem que medir as palavras. Esses áudios já estão circulando, mas nós vamos agir com responsabilidade”, afirmou.
Questionado sobre denúncias envolvendo suposta oferta de vantagens indevidas, o presidente afirmou que teve conhecimento apenas por meio da imprensa e que não há, até o momento, registro formal na Câmara.
“Eu tomei conhecimento pela imprensa. Não chegou nada oficialmente até a Casa”, disse.
Ao ser perguntado sobre possíveis providências antes da conclusão da perícia, Vanderley Cerqueira reforçou que a Câmara não irá se antecipar. “Nós queremos a veracidade dos áudios para tomar uma posição. Sem perícia, não podemos agir.”
Sobre a origem das gravações, o presidente afirmou não haver elementos técnicos que confirmem se o conteúdo foi obtido por meio de escuta no gabinete da prefeita ou em outro ambiente. “Só a perícia pode esclarecer isso”, pontuou.
Em relação à possibilidade de medidas administrativas ou políticas mais severas, como eventual processo de cassação, o presidente destacou que qualquer decisão dependerá da confirmação dos fatos e do devido processo legal. “Isso depende da Justiça. Primeiro precisamos da veracidade para depois tomar uma posição”, declarou.
Durante a coletiva, também foram abordadas falas atribuídas à prefeita que mencionariam articulações políticas envolvendo vereadores. O presidente reiterou que não é possível confirmar a autoria sem análise técnica. “Precisamos comprovar de quem é a fala antes de qualquer julgamento.”
Sobre o teor dos áudios que circulam, afirmou que, caso sejam confirmados, o conteúdo é considerado grave. “Se aquilo for verdade, é muito grave e precisa ser tratado com responsabilidade”, disse.
Questionado sobre a relação entre os poderes, Vanderley Cerqueira afirmou que a Câmara mantém sua atuação institucional e que não há impedimentos na tramitação de projetos. “A Câmara tem aprovado os projetos do Executivo. Não há impedimento nas votações”, declarou.
Ao abordar as acusações envolvendo possíveis negociações políticas dentro do Legislativo, afirmou que não há confirmação oficial e que cada parlamentar responde individualmente por suas condutas. “Cada um responde por si”, disse.
O presidente também destacou que, após a conclusão da perícia, os vereadores deverão se reunir para definir os encaminhamentos. “No momento em que tivermos a perícia, vamos reunir os vereadores e tomar uma decisão com base em fatos concretos”, afirmou.
Até o momento, não há confirmação pública sobre a abertura de inquérito específico para investigar o conteúdo dos áudios. A análise do suposto dispositivo encontrado no gabinete da prefeita segue sob responsabilidade técnica da Politec, que deverá indicar se houve, de fato, interceptação irregular.
Caso seja constatada a existência de escuta clandestina, o caso poderá ser encaminhado para investigação criminal. Por outro lado, se os áudios não tiverem autenticidade comprovada, a apuração poderá avançar para eventual responsabilização pela produção ou disseminação de conteúdo falso.
O caso permanece em apuração e depende dos resultados técnicos para definição de eventuais medidas administrativas ou judiciais.
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