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Governador cobra que ministro esclareça qual será o auxílio a MT

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_Mauro Mendes afirmou que o Estado precisa saber quais recursos serão aportados para fazer o devido planejamento_

Lucas Rodrigues – Secom/MT


O governador Mauro Mendes cobrou que o Ministério da Saúde esclareça qual será o auxílio fornecido a Mato Grosso para o combate ao coronavírus.
A solicitação foi feita durante reunião dos governadores do centro-oeste com o ministro da Saúde, Nelson Teich, na tarde desta quinta-feira (30.04).
Na ocasião, Mendes explicou que o Estado precisa saber qual será o aporte do Ministério em relação à pandemia, para poder planejar as ações e obter melhores resultados para a população.
“Nós só recebemos até agora as 10 UTIs que o Ministério mandou e alguns EPIs [Equipamentos de Proteção Individual], que compartilhamos com as nossas unidades e com os municípios. Recebemos um recurso da parcela extra do teto MAC e estamos nos virando com o que podemos em relação a essas despesas extras. Então a pergunta que temos é qual a diretriz objetiva da estratégia do ministério para que possamos, com esta clareza, planejar um pouco mais o quanto devemos continuar correndo no mercado internacional em busca de equipamentos”, relatou o governador.
O chefe do Executivo Estadual reforçou que é necessário saber a quantidade de testes, EPIs, respiradores e demais equipamentos que o Ministério da Saúde irá enviar para Mato Grosso.
“Sabemos que o Ministério tem dificuldades e só queremos ter a ciência, de forma objetiva, do que o Ministério tem planejado para Mato Grosso e no que vai poder ajudar. Nesse momento de dificuldades, não podemos planejar com incertezas”, afirmou.
Ainda na reunião, feita via videoconferência, Mendes fez um balanço ao ministro da atuação do Estado no combate à pandemia, desde às determinações de isolamento social até os investimentos para ampliar a capacidade de leitos a rede pública.
O governador destacou que a taxa de ocupação das UTIs reservadas para casos de Coronavírus é de 4,8%, a segunda menor taxa do país entre os estados.
“A situação no Estado está sob controle no momento. A curva de contaminação está abaixo das projeções iniciais. Estaremos entregando na próxima semana um hospital com 210 novos leitos na região da Grande Cuiabá. Também estamos criando leitos em todo o interior”.
Outra medida citada pelo governador foi a obrigatoriedade do uso da máscara. Mato Grosso foi pioneiro na aplicação dessa providência e tem feito uma ampla campanha de conscientização.
“Estamos fazendo fortes campanhas para que a população adote as medidas de restrição do convívio social e continuamos a proibir eventos, festas e aglomerações. Estamos seguindo os protocolos da Organização Mundial de Saúde”.
Em sua fala, o ministro Nelson Teich afirmou que possui uma projeção de recursos e de equipamentos para ser distribuídos aos estados, e que irá discutir o tema com sua equipe técnica.
“O nosso foco é ajudar os estados e municípios a ajudar as pessoas”, disse ele.

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TJMT abre debate sobre sigilo judicial e convoca imprensa para ajudar a frear escalada da violência contra a mulher em Mato Grosso

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JB News

por Nayara Cristina

Diante do avanço dos casos de violência doméstica e feminicídio em Mato Grosso, o Tribunal de Justiça do Estado decidiu transformar a informação em ferramenta de prevenção. Na manhã desta quarta-feira (15), a Corte abriu as portas de sua sede, em Cuiabá, para reunir jornalistas, magistrados, especialistas e representantes da rede de proteção em um encontro que marcou o início de uma nova estratégia institucional para enfrentar a violência de gênero. O “Café com a Imprensa – Diálogo e Proteção à Mulher” foi mais do que uma agenda institucional: foi um chamado público para construir, junto com quem leva a notícia à população, uma rede de alerta, acolhimento e proteção às mulheres.

Recepcionado pelo presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, José Zuquim Nogueira, e pela vice-presidente da Corte, Maria Erotides Kneip Baranjak, o encontro foi idealizado pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), em parceria com a Coordenadoria de Comunicação do TJMT. A proposta foi construir uma comunicação mais responsável, mais humana e mais eficiente para orientar vítimas, reduzir a revitimização e conter os efeitos sociais que a cobertura inadequada de crimes dessa natureza pode provocar.

O alerta do Judiciário tem como pano de fundo uma realidade preocupante. Mato Grosso encerrou 2025 com 53 feminicídios consumados, número superior ao registrado em 2024, quando houve 47 casos. A maioria das vítimas foi assassinada dentro de casa e, em grande parte das ocorrências, o autor era companheiro ou ex-companheiro. O cenário evidencia a persistência da violência doméstica como principal porta de entrada para crimes letais contra mulheres. Só no primeiro trimestre de 2026, o Estado já acumulava novos casos, mantendo a curva de preocupação em alta.

Ao abrir o encontro, José Zuquim defendeu que o Judiciário não pode atuar apenas depois da tragédia consumada. Segundo ele, a imprensa tem papel central nesse esforço porque chega primeiro à sociedade e pode ajudar a romper o ciclo da violência ao informar com responsabilidade, orientar vítimas e divulgar caminhos de proteção. Para o presidente do TJMT, comunicar bem também é uma forma de prevenir crimes.

Maria Erotides reforçou que a cobertura de violência de gênero precisa ir além do impacto do fato policial. A desembargadora defendeu uma mudança de cultura na forma de noticiar esses casos, evitando a exposição excessiva da vítima, a culpabilização da mulher e a reprodução de estigmas que acabam naturalizando a agressão. Segundo ela, uma narrativa comprometida com os direitos humanos pode salvar vidas antes mesmo da intervenção do Estado.

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Um dos pontos centrais do encontro foi a palestra do delegado do Distrito Federal, Marcelo Zago, que apresentou estudos sobre o chamado efeito “copycat” — fenômeno em que crimes violentos podem ser reproduzidos ou estimulados a partir da repetição massiva de imagens chocantes, detalhes cruéis ou narrativas sensacionalistas. A recomendação aos jornalistas foi clara: evitar descrições mórbidas, preservar a dignidade da vítima e sempre incluir informações úteis sobre canais de ajuda.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa afirmou que a informação de qualidade é uma ponte entre o sistema de Justiça e a mulher em situação de risco. Para ela, combater a desinformação e garantir uma linguagem acessível e acolhedora é parte essencial da política de enfrentamento à violência doméstica.

Durante o debate, jornalistas também foram diretos ao cobrar mais transparência do Judiciário em relação aos casos de violência doméstica e feminicídio. O principal ponto levantado foi o excesso de informações mantidas sob segredo de justiça, o que, na avaliação dos profissionais da imprensa, muitas vezes dificulta explicar à sociedade a gravidade do crime, o andamento do processo, as decisões judiciais e as responsabilizações dos autores.

Em resposta, Maria Erotides reconheceu que o sigilo processual, embora necessário para resguardar a intimidade da vítima, preservar provas e evitar constrangimentos em casos de violência familiar, precisa ser constantemente revisto para não se transformar em barreira à informação de interesse público. A desembargadora sinalizou que o Tribunal vai estudar formas de aperfeiçoar esse fluxo de comunicação, buscando um equilíbrio entre a proteção legal das partes e o direito da sociedade de compreender como a Justiça atua nesses casos.

A discussão abriu espaço para um novo eixo de trabalho entre Judiciário e imprensa: a construção de protocolos que permitam divulgar, com mais clareza, decisões, medidas protetivas, condenações e estágios processuais, sem violar a intimidade das vítimas. A ideia é que a sociedade tenha acesso a informações mais completas sobre punições, respostas do Estado e instrumentos de proteção, fortalecendo a confiança no sistema de Justiça e ampliando o efeito preventivo da informação.

Entre os representantes da imprensa que participaram do encontro, o diretor do portal JB News em Mato Grosso, José Teixeira, popularmente conhecido como Jota de Sá, que reforçou o compromisso do veículo com a construção de uma comunicação mais responsável no enfrentamento à violência contra a mulher. Segundo ele, o jornalismo tem papel essencial não apenas na divulgação dos fatos, mas também na orientação da sociedade e na proteção de quem vive em situação de risco.

Jota de Sá afirmou que o JB News estará ao lado do Poder Judiciário nessa mobilização permanente em defesa da vida. “O JB News assume esse compromisso de caminhar junto com o Judiciário, levando informação com responsabilidade, sensibilidade e compromisso social. Nosso papel é ajudar a orientar, acolher e dar visibilidade aos caminhos de proteção. Não podemos aceitar a escalada da violência como algo normal. Vamos somar forças para que a informação ajude a construir paz, segurança e dignidade para as mulheres e para as famílias de Mato Grosso”, destacou.

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O coordenador de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Ranieri Queiroz, destacou que o encontro com os jornalistas foi estruturado a partir de uma escuta ativa dos próprios profissionais da imprensa, com o objetivo de compreender dificuldades, demandas e possibilidades de construção conjunta. Segundo ele, a proposta do Judiciário não é interferir na liberdade editorial dos veículos, mas abrir um espaço de diálogo para refletir sobre o impacto social da informação e sobre a responsabilidade coletiva na cobertura de casos de violência contra a mulher.

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Outro dado destacado no encontro foi o alto índice de esclarecimento dos feminicídios em Mato Grosso. Segundo magistrados e integrantes da rede de proteção, praticamente todos os casos recentes tiveram resposta rápida das forças de segurança, com identificação dos autores, prisões e responsabilização penal, restando raríssimas exceções de suspeitos ainda foragidos. O dado foi usado como argumento para reforçar que, embora a resposta repressiva exista, o grande desafio ainda está na prevenção e na capacidade de impedir que a violência chegue ao desfecho fatal.

Como encaminhamento prático, Judiciário e imprensa começaram a discutir a criação de um protocolo de cobertura responsável para casos de violência doméstica e feminicídio. Entre as diretrizes em debate estão evitar exposição indevida da vítima, não reproduzir versões que a culpem, não divulgar imagens degradantes e sempre informar onde buscar ajuda.

Em Mato Grosso, mulheres em situação de violência podem buscar ajuda pelo telefone 180, canal nacional gratuito que funciona 24 horas. Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo 190. O Estado também conta com Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher em cidades como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop, além da Patrulha Maria da Penha e da rede de apoio psicossocial do próprio Judiciário. O recado final do encontro foi claro: em um estado onde os números ainda assustam, a informação correta — dada na hora certa — pode ser decisiva para impedir que uma ameaça vire tragédia.

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