Mulher
Etapa Castanheira: violência contra mulheres indígenas dentro e fora de seus territórios é amplamente debatida
A Etapa Castanheira – que integra e precede a 1ª Conferência Nacional da Mulher Indígena – foi realizada entre os dias 28 e 30 de maio. A etapa reuniu lideranças indígenas de territórios que abarcam os estados de Rondônia, Pará, Amapá e Tocantins. As discussões sobre o Direito e Gestão Territorial; Emergências Climáticas; Políticas Públicas e Violência; Saúde; Educação e Transmissão de Saberes Ancestrais resultaram em propostas que serão encaminhadas para a etapa nacional, denominada Copaíba, que será realizada em agosto, em Brasília.
Na abertura da Etapa Castanheira, a Secretária nacional substituta de Enfrentamento à Violência contra Mulheres (Senev/MMulheres), Pagu Rodrigues, foi enfática sobre a importância deste momento de construção de uma agenda positiva para as mulheres indígenas. Pagu também contou sobre o concurso, que será anunciado em breve, para a construção de Casas da Mulher Indígena nos biomas brasileiros. O espaço de convivência será utilizado, não apenas para ações de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres indígenas, mas também para promover os saberes ancestrais, estimular a autonomia econômica de mulheres indígenas e preservar o bem-viver.
“Não podemos ignorar o quanto nossa luta é estratégica para o Brasil. Estamos diante do PL da devastação ambiental, o que fizeram com a ministra Marina Silva é um sintoma gritante da misoginia que enfrentamos em espaços de poder e isso demonstra o quanto a gente representa na luta contra o garimpo ilegal, por exemplo. A nossa presença nestes espaços ameaçam os inúmeros interesses econômicos com os quais somos resistência histórica contra esse modelo exploratório, inclusive do nosso povo. Então, por isso é importante realizar essa conferência. Queremos que as propostas que saiam daqui sejam direcionadas para a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, mas é importante apresentarmos essas propostas com o peso estratégico que elas têm. Vamos debater e ter política pública para enfrentar o que acontece em nossos territórios. Contem com o Ministério das Mulheres”, salientou Pagu Rodrigues, que é da etnia Fulni-ô.
A secretária Nacional de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas, do Ministério dos Povos Indígenas, Giovana Mandulão Macuxi e Wapichana, também ressaltou a importância destas etapas preparatórias. “Esse encontro visa à criação de uma política pública nacional para as mulheres indígenas e protagonizada pelos nossos corpos e territórios de todos os biomas brasileiros. A partir das experiências e conhecimentos ancestrais, essa construção visa fortalecer a promoção dos direitos dessas mulheres pela educação de qualidade, a saúde integral e o combate à violência que sofremos. Além de garantir que esse bem-estar também se estenda às comunidades indígenas de todo o país. Ouvir as especificidades das regiões são fundamentais para a construção de uma política pública”, declarou.
A diretora executiva da ANMIGA, Jozileia Kaingang, reforçou que diante das diversas conferências estimuladas pelo governo federal, a primeira a apresentar suas propostas é a das mulheres indígenas. Ela convocou a participação de cada uma para que cada pleito seja debatido na etapa nacional.
“A articulação não nasce de um grupo de pessoas e parte pra fora, não, a articulação nasce dentro da nossa terra, dentro da nossa marcha. Mulheres, as propostas que a gente vai construir aqui surgem especialmente desse lugar do debate, da luta diária pela vida. Nós, mulheres indígenas, precisamos lutar todos os dias contra as dores que nos violentam. Nós precisamos fazer resistência nos nossos territórios, fora dos nossos territórios, na universidade, nos espaços de poder, nos espaços de política pública. E cada uma de nós mulheres que está aqui presente é responsável por fazer essa luta diária, então é esse compromisso”, salientou.
Etapas regionais
Todas as etapas regionais contam com pelo menos dois dias de programação que incluem: momento espiritual, debate sobre as propostas de cada eixo, formação de grupos de trabalhos, apresentação de propostas e escolha de representantes para a etapa nacional. Confira o nome e a localidade de cada etapa regional:
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Sumaúma – Acre, Roraima, Amazonas e Mato Grosso;
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Castanheira – Rondônia, Pará, Amapá e Tocantins;
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Sapopema – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo;
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Araucária – Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina;
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Jurema – Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia-Norte; e
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Mangabeira – Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão e Bahia-Sul.
A etapa nacional, Copaíba, tem a expectativa de reunir 5 mil mulheres indígenas dos seis biomas brasileiros, em quatro dias de atividades. Estão programadas, além da 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, a IV Marcha das Mulheres Indígenas: “Nosso corpo, nosso território: Somos as guardiãs do planeta”; e Ato Político Cultural.
Fonte: Ministério das Mulheres
Mulher
Ministra Márcia Lopes participa da I Cúpula Brasil-Espanha e firma memorando para avançar no enfrentamento à violência de gênero
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou nesta sexta-feira (17/4), em Barcelona, da I Cúpula Brasil-Espanha, que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, além de autoridades, com o objetivo de fortalecer a parceria entre os dois países. O encontro foi realizado no Palácio de Pedralbes.
Durante a cúpula, foi assinado um Memorando de Entendimento com a ministra da Igualdade da Espanha, Ana Redondo García, voltado à promoção da igualdade de gênero e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
A Espanha é considerada referência internacional na área e registrou, em 2024, o menor número de casos de violência de gênero de sua série histórica.
Na troca de experiências, o Brasil apresentará à Espanha a estratégia do Pacto Brasil entre os Três Poderes de Enfrentamento do Feminicídio e outras iniciativas voltadas à proteção das mulheres, como o Programa Mulher Viver Sem Violência, que prevê o fortalecimento dos canais de denúncia (Ligue 180), a implantação de Casas da Mulher Brasileira — que reúnem, em um só local, vários serviços de apoio e orientação às mulheres vítimas de violência —, os Centros de Referência da Mulher Brasileira e outras políticas públicas voltadas ao cuidado e à autonomia econômica feminina.
Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o fortalecimento da cooperação internacional reforça o compromisso do governo brasileiro com a promoção dos direitos das mulheres.
“O memorando representa um passo importante para fortalecer a cooperação internacional na promoção da igualdade de gênero e no enfrentamento da violência contra as mulheres, ampliando a troca de experiências e o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes”, afirmou a ministra Márcia Lopes.
Entre os principais encaminhamentos do encontro bilateral estão a criação de um grupo de trabalho para monitorar a implementação do acordo e a realização de intercâmbios técnicos entre especialistas dos dois países.
Protocolos de atendimento humanizado
A cooperação bilateral abrange temas como prevenção à violência, enfrentamento à misoginia no ambiente digital, promoção de masculinidades não violentas e fortalecimento de sistemas integrados de proteção às mulheres. Também estão previstas trocas de experiências sobre canais de denúncia e atendimento remoto, como o Ligue 180, no Brasil, e o 016, na Espanha, além de protocolos de atendimento humanizado.
Sistemas de monitoramento de riscos
Outro eixo prioritário do acordo assinado é o acesso à justiça, com interesse brasileiro no aprofundamento técnico sobre o sistema espanhol VioGén, que monitora e classifica riscos de violência por meio de ferramentas tecnológicas, permitindo respostas mais rápidas e integradas entre instituições.
A agenda inclui ainda a proteção de mulheres migrantes, com foco na construção de fluxos de atendimento para brasileiras na Espanha, e a capacitação de operadores do sistema de justiça, com intercâmbio sobre tribunais especializados em violência de gênero.
Fortalecimento das estratégias de prevenção
O Brasil também demonstra interesse em fortalecer estratégias de prevenção que atuem diretamente na formação de valores e comportamentos, com destaque para o ambiente educacional e o esporte como espaços centrais de transformação social.
No campo da educação, a prioridade é promover a igualdade de gênero desde a educação básica, por meio de ações de formação, projetos pedagógicos e fortalecimento de redes, contribuindo para a prevenção da violência e o enfrentamento do racismo e de outras desigualdades estruturais.
De forma complementar, o país busca conhecer experiências que utilizem o esporte como ferramenta de mudança cultural, reconhecendo seu papel na socialização e na construção de identidades, especialmente entre homens, e seu potencial para promover valores alinhados à equidade e à não violência.
Dignidade menstrual
Na área de dignidade menstrual, o Brasil busca compartilhar e aprimorar políticas públicas. Dados apontam que uma em cada quatro meninas falta à escola durante o período menstrual, e cerca de 4 milhões enfrentam precariedade de higiene nas escolas. Apesar do avanço do Programa Dignidade Menstrual, apenas 14% do público estimado acessa regularmente o benefício, o que indica desafios como falta de informação, barreiras operacionais e persistência de estigmas.
A agenda inclui também discussões sobre democracia, multilateralismo e participação social.
“Foi uma viagem muito produtiva com relação à nossa expectativa de futuro. Queremos um mundo sem guerra, queremos um mundo de paz, um mundo onde as democracias de fato se realizem e a população se sinta sempre muito envolvida, muito engajada e com seus direitos garantidos”, concluiu a ministra.
Sobre a I Cúpula Brasil-Espanha
A I Cúpula Brasil-Espanha, realizada em Barcelona neste mês de abril, é um desdobramento do diálogo bilateral realizado em 2025, em Madri, para fortalecer a parceria estratégica entre os dois países, com foco na defesa do multilateralismo e na ampliação da cooperação internacional em áreas como igualdade de gênero, transição energética e desenvolvimento econômico.
Fonte: Ministério das Mulheres
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