POLITICA
“Estamos criando uma nova referência de qualidade na saúde pública”, afirma Mauro Mendes
JB News
por Ana Paula Figueiredo
Governador de Mato Grosso diz que obra simboliza superação de décadas de abandono e destaca equilíbrio fiscal como base para investimentos
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, afirmou durante a inauguração do Hospital Central de Cuiabá, que a entrega da unidade representa a transformação de uma obra que simbolizava tudo o que não deveria existir na administração pública em uma nova referência de qualidade para a saúde pública do Estado.
Segundo o governador, o prédio ficou marcado por décadas como exemplo de problemas na legislação e na execução de obras públicas, mas agora passa a integrar um novo momento vivido por Mato Grosso.
“Esse prédio representava tudo aquilo que não deveria existir na legislação pública de um país. Hoje, fazemos um registro histórico, porque lamentavelmente ainda existem muitas histórias semelhantes no Brasil, mas aqui conseguimos virar essa página”, afirmou Mauro Mendes.
Em seu discurso, o governador destacou que a recuperação do equilíbrio fiscal foi fundamental para que o projeto se tornasse realidade. De acordo com ele, somente após a reorganização das finanças públicas o Estado passou a ter capacidade de investir em obras estruturantes.
Mauro Mendes ressaltou que os investimentos se estenderam por todas as áreas da administração pública. Na saúde, citou a construção de seis grandes hospitais e a reforma profunda de unidades já existentes. Na infraestrutura, destacou o maior pacote de obras da história do Estado. Já na educação, mencionou investimentos acompanhados de resultados concretos.
O governador lembrou que a decisão de retomar a obra e transformá-la no maior hospital de Mato Grosso foi tomada em 2019, após a constatação de que o Estado tinha condições financeiras para investir. Laudos técnicos permitiram o aproveitamento da estrutura existente, aliada a um novo projeto, com dimensão muito maior.
Segundo Mauro Mendes, o hospital entregue conta com 32 mil metros quadrados de área construída, frente aos cerca de 9 mil metros quadrados do projeto original, e reúne condições para se tornar um dos melhores hospitais do Brasil.
“Com a expertise do Albert Einstein, temos a convicção de que este será o melhor hospital público do Brasil, com padrão equivalente aos melhores hospitais privados do país”, declarou.
O governador explicou ainda que o processo de ativação do hospital será gradual, por se tratar de uma estrutura de grande porte, com mais de 1,5 mil profissionais. A expectativa, segundo ele, é que a unidade esteja operando com 100% da capacidade no primeiro semestre de 2026.
Para Mauro Mendes, mais do que entregar um hospital, o governo está estabelecendo um novo padrão de qualidade no serviço público de saúde, que deve servir de referência para todo o país.
POLITICA
Pivetta rebate críticas Lula, diz VLT era “inviável” e garante definição de veículo e entrega do novo modal até o fim do mandato, “ Um verdadeiro pepino” VEJA O VÍDEO
JB News
pir Nayara Cristina
lula critica “obra sem fim” em cuiabá, e pivetta reage ao embate sobre futuro do transporte coletivo
A recente troca de críticas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador em exercício Otaviano Pivetta reacendeu um dos capítulos mais emblemáticos e prolongados da infraestrutura urbana de Mato Grosso: o impasse envolvendo os modais de transporte coletivo entre Cuiabá e Várzea Grande.
Durante agenda recente, Lula fez críticas diretas à descontinuidade do projeto do VLT e à substituição pelo BRT, classificando o caso como exemplo de obras públicas paralisadas e decisões que resultam em desperdício de recursos. O presidente citou, inclusive, o fato de os vagões originalmente adquiridos para Cuiabá terem sido vendidos ao governo da Bahia e hoje estarem em operação em Salvador. Para ele, a situação evidencia falhas de gestão e a interrupção de projetos por motivações políticas, ressaltando que, na capital mato-grossense, “nem o VLT, nem o BRT, nem qualquer solução está funcionando” .
A crítica ocorre sobre um histórico que se arrasta há mais de uma década. O VLT começou a ser implantado em 2012 como uma das principais obras de mobilidade para a Copa do Mundo de 2014, com previsão de ligar pontos estratégicos entre Cuiabá e Várzea Grande. No entanto, o projeto foi interrompido em 2015 em meio a investigações sobre irregularidades e suspeitas de fraudes, tornando-se símbolo de atrasos e problemas administrativos . Em 2020, o governo estadual decidiu abandonar definitivamente o modelo e substituí-lo pelo BRT, alegando inviabilidade econômica e técnica do sistema sobre trilhos.
Apesar da mudança, o BRT também não avançou no ritmo esperado. As obras seguem incompletas, com sucessivos entraves contratuais e operacionais, alimentando a percepção de um ciclo contínuo de indefinições. Dados recentes apontam que o novo sistema ainda não alcançou sequer um terço da execução prevista .
A resposta de Pivetta veio em tom firme. O governador rebateu as declarações do presidente e afirmou que Lula não possui conhecimento técnico suficiente para avaliar a viabilidade dos modais. Segundo ele, o VLT era “completamente inviável” desde sua concepção, destacando que houve erros estruturais no projeto, como a compra antecipada dos trens antes mesmo da conclusão da infraestrutura. Pivetta classificou o legado recebido como um “pepino” herdado de gestões anteriores e defendeu que a venda dos vagões foi uma solução para reduzir prejuízos e viabilizar um novo modelo de transporte mais moderno e eficiente .
O governador também afirmou que os recursos obtidos com a venda dos trens serão integralmente destinados à implantação de um sistema atualizado, com possibilidade de incorporar novas tecnologias e fontes energéticas, como etanol, biodiesel e energia solar. Embora mantenha o BRT como base, ele não descartou a análise de outros formatos de transporte coletivo, indicando que a decisão final ainda está em avaliação técnica.
O embate político ocorre em meio a uma população que convive há anos com obras inacabadas, desvios viários e a ausência de um sistema estruturado de mobilidade urbana. O caso do VLT/BRT tornou-se um símbolo local de promessas não cumpridas, mudanças de rumo e disputas entre diferentes gestões.
Agora, com o debate reaberto em nível nacional, a pressão aumenta para que o Estado finalmente apresente uma solução definitiva. Enquanto isso, Cuiabá e Várzea Grande seguem aguardando o desfecho de uma obra que começou há mais de uma década e que ainda não conseguiu sair do papel — independentemente do modal escolhido.
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