POLITICA
Em ato inédito, governador debate gestão estadual com deputados
Mauro Mendes fez um balanço da gestão no ano de 2019 e respondeu aos questionamentos e ouviu sugestões, elogios, críticas e ponderações dos deputados estaduais
Carol Sanford | Secom-MT
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O governador Mauro Mendes fez um balanço das ações do Executivo Estadual no ano de 2019, durante sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, nesta quinta-feira (06.02).
Por quase três horas, Mendes respondeu aos questionamentos e ouviu sugestões, elogios, críticas e ponderações dos parlamentares, ato considerado inédito pelo presidente do Legislativo Estadual, Eduardo Botelho.
Ao longo do discurso na sessão, o governador destacou a participação e importância da Assembleia para que a gestão estadual pudesse alcançar novamente o equilíbrio econômico e fiscal.
“Em 2019 vivenciamos a reconstrução do ambiente harmônico entre os poderes, sem conflito de interesses, que não fossem a defesa do povo de Mato Grosso. Foi essa forma de trabalhar que nos possibilitou focar nos objetivos e alcançar resultados, e esta Casa de Leis foi uma das responsáveis por essa ‘mudança de página’ que tenho certeza que viveremos em 2020”, afirmou Mendes.
O chefe do Executivo Estadual agradeceu a todos os parlamentares pela aprovação de projetos fundamentais para o conserto de Mato Grosso. Ele destacou projetos como a reforma administrativa, a criação do novo Fethab e de critérios para a concessão da Revisão Geral Anual (RGA) aos servidores, a reinstituição dos incentivos fiscais, a reforma tributária e o reajuste da alíquota da previdência dos servidores, este último aprovado em janeiro de 2020.
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Créditos: Tchélo Figueiredo – SECOM/MT
“Se não a fizéssemos [reforma da previdência], estaríamos condenando toda a população mato-grossense nos próximos anos. E, nos próximos dias, terá início uma segunda etapa. Todos os Estados estão fazendo esse movimento, que é extremamente necessário para a adimplência de Mato Grosso junto ao Governo Federal. A reforma que estamos promovendo é uma das mais moderadas e segue o que já foi aprovado pelo Congresso Nacional”, explicou o governador.
Mendes definiu o ano de 2019 como bastante positivo, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas. Ele pontuou como exemplos as entregas de obras de infraestrutura; os repasses dos duodécimos, Fundeb e da saúde aos municípios, feitos rigorosamente em dia; e as melhorias na saúde pública, elencando a reabertura da Santa Casa como hospital estadual, a reinauguração do Hospital Metropolitano, que deve ocorrer nos próximos dias, assim como a entrega de 10 leitos de UTI, em Sinop.
O deputado estadual Paulo Araújo comentou a decisão do Governo em retomar a administração dos hospitais regionais, que eram administrados por Organizações Sociais de Saúde (OSS). Mendes informou que somente com a retomada dos hospitais de Sinop e Rondonópolis, a economia aos cofres públicos foi de R$ 1 milhão ao mês.
“Podemos atestar que a decisão tomada lá no início foi a mais acertada, acabando com as terceirizações, valorizando o servidor e recuperando a capacidade de produzir procedimentos nessas unidades”, disse o parlamentar.
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Créditos: Tchélo Figueiredo – SECOM/MT
O governador revelou que seu legado no Executivo estadual será a mudança de como a administração pública se relaciona com os contribuintes e cidadãos, começando com o exemplo de democracia e respeito às diferenças, além de implantar um grande programa de simplificação de processos e de atendimento.
“Vamos exercer a boa democracia e as conquistas da sociedade serão os senhores que ajudarão a escrever. São essas decisões sérias e necessárias que nos possibilitarão entregar mais resultados”, conclamou.
Botelho finalizou a sessão pontuando a respeito da disponibilidade de Mendes em participar da sessão, que debateu com 14 parlamentares sobre a gestão estadual. “Isso é inédito e muito proveitoso para todos”.
POLITICA
Pivetta rebate críticas Lula, diz VLT era “inviável” e garante definição de veículo e entrega do novo modal até o fim do mandato, “ Um verdadeiro pepino” VEJA O VÍDEO
JB News
pir Nayara Cristina
lula critica “obra sem fim” em cuiabá, e pivetta reage ao embate sobre futuro do transporte coletivo
A recente troca de críticas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador em exercício Otaviano Pivetta reacendeu um dos capítulos mais emblemáticos e prolongados da infraestrutura urbana de Mato Grosso: o impasse envolvendo os modais de transporte coletivo entre Cuiabá e Várzea Grande.
Durante agenda recente, Lula fez críticas diretas à descontinuidade do projeto do VLT e à substituição pelo BRT, classificando o caso como exemplo de obras públicas paralisadas e decisões que resultam em desperdício de recursos. O presidente citou, inclusive, o fato de os vagões originalmente adquiridos para Cuiabá terem sido vendidos ao governo da Bahia e hoje estarem em operação em Salvador. Para ele, a situação evidencia falhas de gestão e a interrupção de projetos por motivações políticas, ressaltando que, na capital mato-grossense, “nem o VLT, nem o BRT, nem qualquer solução está funcionando” .
A crítica ocorre sobre um histórico que se arrasta há mais de uma década. O VLT começou a ser implantado em 2012 como uma das principais obras de mobilidade para a Copa do Mundo de 2014, com previsão de ligar pontos estratégicos entre Cuiabá e Várzea Grande. No entanto, o projeto foi interrompido em 2015 em meio a investigações sobre irregularidades e suspeitas de fraudes, tornando-se símbolo de atrasos e problemas administrativos . Em 2020, o governo estadual decidiu abandonar definitivamente o modelo e substituí-lo pelo BRT, alegando inviabilidade econômica e técnica do sistema sobre trilhos.
Apesar da mudança, o BRT também não avançou no ritmo esperado. As obras seguem incompletas, com sucessivos entraves contratuais e operacionais, alimentando a percepção de um ciclo contínuo de indefinições. Dados recentes apontam que o novo sistema ainda não alcançou sequer um terço da execução prevista .
A resposta de Pivetta veio em tom firme. O governador rebateu as declarações do presidente e afirmou que Lula não possui conhecimento técnico suficiente para avaliar a viabilidade dos modais. Segundo ele, o VLT era “completamente inviável” desde sua concepção, destacando que houve erros estruturais no projeto, como a compra antecipada dos trens antes mesmo da conclusão da infraestrutura. Pivetta classificou o legado recebido como um “pepino” herdado de gestões anteriores e defendeu que a venda dos vagões foi uma solução para reduzir prejuízos e viabilizar um novo modelo de transporte mais moderno e eficiente .
O governador também afirmou que os recursos obtidos com a venda dos trens serão integralmente destinados à implantação de um sistema atualizado, com possibilidade de incorporar novas tecnologias e fontes energéticas, como etanol, biodiesel e energia solar. Embora mantenha o BRT como base, ele não descartou a análise de outros formatos de transporte coletivo, indicando que a decisão final ainda está em avaliação técnica.
O embate político ocorre em meio a uma população que convive há anos com obras inacabadas, desvios viários e a ausência de um sistema estruturado de mobilidade urbana. O caso do VLT/BRT tornou-se um símbolo local de promessas não cumpridas, mudanças de rumo e disputas entre diferentes gestões.
Agora, com o debate reaberto em nível nacional, a pressão aumenta para que o Estado finalmente apresente uma solução definitiva. Enquanto isso, Cuiabá e Várzea Grande seguem aguardando o desfecho de uma obra que começou há mais de uma década e que ainda não conseguiu sair do papel — independentemente do modal escolhido.
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