Economia
Custos de produção da pecuária de corte devem subir a partir desta quinta-feira diz NeoAgro
JB News
Os preços dos principais insumos e commodities agropecuárias deverão registrar alta a partir desta quinta-feira (03) no Brasil, de acordo com especialistas. Devido ao carnaval, a bolsa brasileira não operou no começo desta semana e os reflexos do conflito entre Rússia e Ucrânia deverão atingir mais fortemente o mercado interno.
De acordo com Luiz Ernesto Emiliani, gestor de pool de compras e vendas da Nutripura, petróleo, trigo, soja e milho já registram alta e a tendência é que a escalada de preço continue nos próximos dias. “O milho se aproxima da casa dos R$ 100 e boi gordo iniciou a semana em alta, fruto das incertezas do mercado. Apesar de índices variando de 1% a 5%, todo aumento de custo é significativo, sobretudo em um cenário de incertezas”, afirma Emiliani.
Com relação aos fertilizantes, assim como os agricultores, os pecuaristas que fizeram as compras para adubar ou reformar os pastos estão preocupados com relação à entrega dos insumos. “Grande parte dos produtores já comprou os insumos para fazer a reforma de pastagens este ano, devido a janela de reforma, a atenção se volta agora para entrega destes produtos para o segundo semestre, visto que Rússia e Belarus são os principais fornecedores de adubos nitrogenados”, explica o representante da Nutripura.
Sobre como os produtores devem atuar, Emiliani explica que é hora de cautela e fazer contas para garantir o retorno dos investimentos. “A primeira orientação é sempre diminuir risco, comprar insumos quando possível e proteger com seguros ou outras ferramentas para garantir remuneração. Esperar o mercado nem sempre é a melhor opção e pode deixar o produtor de fora”.
Analisando a relação Brasil-Rússia sob o aspecto das exportações de carne bovina brasileiras, o diretor de pesquisa da Nutripura, Lainer Leite, acredita que haverá impacto e que toda perda de mercado é importante.
Porém, como o volume enviado para Rússia vinha caindo nos últimos anos, este efeito deverá ser menor. Em 2020, por exemplo, Mato Grosso exportou o equivalente a US$ 63,215 milhões, ou 17,6 mil toneladas. Já em 2021, este volume caiu para US$ 29,092 milhões, ou 6,7 mil toneladas, redução de 53%. “O volume enviado diretamente para Rússia diminuiu, mas uma guerra pode ter efeitos no mercado internacional como um todo”.
Informação – À medida que o cenário socioeconômico mundial se transforma, a discussão “Pecuária ontem, hoje e amanhã”, que será realizada no 10º Simpósio Nutripura, nos dias 25 e 26 de março, ganha mais relevância e complexidade. O evento receberá importantes nomes do agronegócio e da economia nacional para discutir a pecuária de corte no mundo.
Estão confirmadas as palestras de José Luiz Tejon, Miguel Cavalcante, Shiro Nishimura, Alexandre Mendonça de Barros, Prof. Dr. Flávio Portela Santos, Prof. Dr. Luiz Gustavo Nussio, Luciano Resende e Prof. Dr. Sila Carneiro da Silva.
O 10º Simpósio Nutripura terá também uma Vitrine Tecnológica para apresentar a linha de produtos para a pecuária dos patrocinadores do evento. Entre os mais relevantes está o lançamento de um aplicativo desenvolvido
em parceria pela Nutripura e a Koneksi para gestão de pastagem.
Inscrições – As inscrições para o 10º Simpósio Nutripura estão abertas no site https://www.nutripura.com.br/10simposio/. Os valores arrecadados com as inscrições serão destinados em dobro para projetos sociais apoiados pela Nutripura.
AGRONEGÓCIOS
“Fim do Fethab 2 reflete nos investimentos de infraestrutura, logística estabilidade econômica em MT” diz Max Russi ao citar momentos de contribuição e dificuldades do Agro, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
A decisão de encerrar a cobrança do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB 2) a partir do próximo ano marca uma inflexão importante na política econômica de Mato Grosso e sinaliza um novo momento de maturidade fiscal e estrutural do estado. O tema ganhou força após articulações conduzidas pelo vice-governador Otaviano Pivetta junto à classe empresarial do agronegócio, em uma série de reuniões e diálogos diretos com lideranças do setor produtivo.
Nos bastidores, a sinalização de Pivetta foi clara: o Estado não pretende mais sustentar a infraestrutura com base em contribuições extraordinárias. A fala, segundo relatos de participantes dessas discussões, ocorreu em tom de segurança fiscal e confiança na capacidade atual de investimento do governo, indicando que Mato Grosso já atingiu um nível de organização que permite abrir mão do adicional do fundo sem comprometer obras e serviços.
Criado como mecanismo emergencial para financiar obras estruturantes, o adicional do FETHAB incidiu principalmente sobre a produção agropecuária e, ao longo dos últimos anos, movimentou cifras bilionárias. Embora os valores variem conforme a produção e o mercado, estimativas baseadas na arrecadação recente indicam que o fundo — especialmente em sua modalidade adicional — representa algo entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão por ano.
Com o fim da cobrança, a renúncia fiscal projetada é significativa. Em um horizonte de três a quatro anos, o Estado pode deixar de arrecadar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, considerando um cenário conservador. Ainda assim, a avaliação interna do governo é de que o impacto é absorvível diante do equilíbrio das contas públicas e do avanço já consolidado na infraestrutura estadual.
A recepção por parte do setor produtivo foi, majoritariamente, positiva. Produtores e representantes do agronegócio interpretaram o posicionamento como um gesto de reconhecimento ao momento econômico enfrentado pelo campo, marcado por custos elevados, crédito mais restrito e margens pressionadas. Ao mesmo tempo, a medida foi vista como um reforço na previsibilidade e na segurança jurídica — fatores considerados estratégicos para novos investimentos.
Na avaliação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o encerramento do FETHAB 2 reflete exatamente esse novo estágio vivido pelo estado. Segundo ele, não há perspectiva de que o tema avance no Legislativo sem uma iniciativa formal do Executivo.
“O projeto não deve sequer chegar à Assembleia para prorrogação. Esse debate só existiria se houvesse interesse do governo, e isso teria que acontecer ainda este ano”, afirmou.
Max Russi também destacou que a retirada do fundo dialoga com o atual cenário do setor agropecuário e com os avanços já alcançados na infraestrutura. Para o parlamentar, Mato Grosso conseguiu transformar os recursos arrecadados em obras concretas, como pavimentação de rodovias e estruturação de corredores logísticos, criando uma base sólida para sustentar o crescimento sem a necessidade de manter cobranças adicionais.
O fim do FETHAB 2, nesse contexto, consolida uma mudança de modelo: de um estado que dependia de fundos extraordinários para acelerar investimentos para outro que passa a operar com planejamento de longo prazo, equilíbrio fiscal e maior capacidade de atração de capital privado. O desafio, a partir de agora, será manter o ritmo de expansão da infraestrutura diante da renúncia bilionária, sem comprometer a competitividade que colocou Mato Grosso como protagonista do agronegócio nacional.
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