SUSTENTABILIDADE
Brasil terá R$ 1,1 bilhão da Alemanha para sustentabilidade; MT pode acessar verba para a Amazônia
Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e ministra de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha, Svenja Schulze
Foto José Cruz/A/B
JB News
Jota de Sá
A Alemanha anunciou o aporte de mais de 202 milhões de euros (cerca de 1,126 bilhão de reais) para ações ambientais no Brasil em um período de 100 dias.
O pacote inclui verba para a proteção da Amazônia, fundo garantidor de eficiência energética a empresas, ações de reflorestamento de pequenos agricultores, cadeias de abastecimento sustentável e energias renováveis, entre outros.
A maior parte, 80 milhões de euros (aproximadamente 444 milhões de reais), será para agricultores terem acesso a linhas de crédito com juros mais baixos do que o praticado pelo mercado financeiro.
As informações foram anunciadas pela ministra de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha, Svenja Schulze, em entrevista coletiva com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, nesta segunda-feira (30/1), em Brasília.
*Estados amazônicos*
Como parte da cooperação a favor da Amazônia, 35 milhões de euros (194 milhões de reais) da Alemanha serão para o Fundo Amazônia, conforme formalizado com a assinatura de um contrato financeiro entre o banco alemão KfW e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de acordo ainda com a Agência Brasil.
Do total de 200 milhões de euros, 31 milhões de euros (cerca de 172 milhões de reais) serão para “ações ambiciosas” de Estados da Amazônia, como Mato Grosso, para proteção e uso sustentável das florestas, de acordo com políticas e estratégias do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia.
Veja onde serão utilizados os 200 milhões de euros da cooperação com a Alemanha:
80 milhões de euros (R$ 444 milhões) – linhas de crédito a agricultores
35 milhões de euros (R$ 194 milhões) – Fundo Amazônia
31 milhões de euros (R$ 172 milhões) – “ações ambiciosas” de Estados da Amazônia
29,5 milhões de euros (cerca de R$ 164 milhões) – fundo garantidor de eficiência energética para pequenas e médias empresas
13,1 milhões de euros (cerca de R$ 73 milhões) – apoio a pequenos agricultores em ações de reflorestamento
9 milhões de euros (cerca de R$ 50 milhões) – apoio a cadeias de abastecimento sustentável
5,37 milhões de euros (cerca de R$ 30 milhões) – projeto de consultoria para fomento de energias renováveis na indústria e setor de transportes
*TOTAL: cerca de 203 milhões de euros (R$ 1,126 bilhão)*
SUSTENTABILIDADE
Registro de 99 espécies entre Cerrado e Pantanal ajuda cientistas a analisarem futuro dos biomas
O mapeamento de espécies tem papel fundamental para orientar ações de conservação e preservação da fauna. Para acompanhar os impactos das mudanças climáticas e os efeitos causados pelo homem, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP) e da Universidade Federal de Mato Grosso registraram 99 espécies do Cerrado e do Pantanal, entre elas, 36 espécies de anfíbios. A pesquisa foi feita no Parque Sesc Serra Azul, em Mato Grosso (MT), no decorrer de 11 meses.
Leia o estudo sobre a diversidade de anfíbios e répteis do Parque Sesc Serra Azul (inglês)
Para o biólogo e pesquisador do INPP Leonardo Moreira, a partir desse estudo será possível criar uma linha base para identificar mudanças a longo prazo, como a diminuição ou o desaparecimento de espécies mais sensíveis ou a expansão de outras em ambientes mais alterados. O especialista, que é um dos autores do levantamento, destaca que muitas dessas alterações não acontecem isoladamente. “É necessário um conjunto de fatores, como clima, expansão agrícola e mineração para que isso ocorra”, pontua.
Segundo Moreira, a transformação das áreas naturais afeta o regime hídrico. O excesso de água na estação das chuvas no Cerrado abastece a planície pantaneira. Porém, o uso indevido das áreas úmidas, como o abastecimento, a irrigação e a indústria, interfere no armazenamento de água no Pantanal. Isso impacta diretamente nas áreas fundamentais para a reprodução de anfíbios.
O estudo contou com a participação de colaboradores locais do parque. Os pesquisadores passaram instruções sobre como fotografar e registrar os animais e as informações que eles precisavam enviar com os registros. Quinze voluntários participaram e ajudaram a registrar 38 espécies de répteis.
A participação das pessoas que vivem ou trabalham na região pode fazer uma diferença enorme para a ciência. O grupo de pesquisadores registrou 36 espécies de anfíbios (entre sapos, rãs e pererecas) e 63 répteis (incluindo cobras, lagartos, jabutis, cágados e jacarés). Desse total, 11 não teriam sido encontrados pela equipe de pesquisadores sem a participação da população.
O crescimento de infraestruturas, como estradas e áreas urbanas, tem uma série de efeitos negativos sobre a fauna, juntando-se aos desafios impostos pela mudança do clima em andamento. Algumas espécies tendem a ser mais dependentes de condições específicas e assim acabam sendo mais vulneráveis a mudanças no ambiente. Entender como esses animais estão lidando com o efeito dos conjuntos de tanta transformação é essencial para uma melhor ação de preservação.
As informações Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
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