Economia
Boom do etanol de milho no Brasil pode representar menos áreas de produção de alimentos e mais desmatamento no Cerrado
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Impulsionado pelo mercado financeiro, setor cresceu 800% em cinco anos. Pressão sobre terras, uso de água, emissões e danos a povos tradicionais ficam fora do cálculo sobre sustentabilidade Anelize Moreira, especial para o Joio Os biocombustíveis estão no centro do debate sobre mudanças climáticas, apontados como alternativas sustentáveis à matriz energética dos combustíveis fósseis, altamente poluentes.
A Inpasa também passou a investir no estado e ocupa a liderança como produtora de etanol à base de milho, com 1,69 bilhão de litros registrados em 2022, o dobro do ano anterior. A empresa processa atualmente 7,5 milhões de toneladas de milho por ano em cinco unidades no Paraguai e no Brasil. A primeira foi instalada em 2019 na cidade mato-grossense de Sinop e depois em Nova Mutum. Dois anos depois, expandiu para Mato Grosso do Sul, em Dourados. O grupo é responsável por 10% do mercado nacional brasileiro de etanol. Ao todo, o país tem 18 usinas de etanol de milho em operação. Dessas, 16 estão na região Centro-Oeste, sendo 10 no Mato Grosso, segundo levantamento da União Nacional do Etanol de Milho. Outras nove usinas estão em processo de construção ou em fase de ampliação no estado. Mas essa expansão está ocorrendo em áreas historicamente desmatadas. Um exemplo é a usina ALD, que opera desde 2021 em Nova Marilândia (MT), que está entre as dez cidades com maior desmatamento neste ano no estado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A reportagem solicitou dados à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mas não houve resposta até o fechamento da reportagem. Solicitamos informações sobre infrações ambientais para a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), mas também não tivemos retorno.
Nos últimos seis anos foram investidos mais de R$ 15 bilhões no parque industrial de etanol de milho em usinas flex e full, segundo a Unem. Essa expansão do etanol de milho conta com apoio do governo dos estados e federal, e é um dos focos do recente boom de instrumentos do mercado financeiro disponíveis para o financiamento do agronegócio. As lavouras de milho no Cerrado são cultivadas principalmente para servir de base para a alimentação de frangos, porcos e outros animais, que estão entre os principais setores que colaboram para o desmatamento no Brasil. De acordo com a área técnica da Conab, o consumo interno de milho usado para ração animal fica em 63,5%. Porém, a essa altura o etanol já consome 14% da produção, ou seja, a manter as perspectivas de crescimento, o combustível de fato competirá pelos grãos. Apenas 22,5% são usados em consumo industrial, consumo humano e perdas.
É verdade que o milho produz mais etanol do que a cana, mas o grão demanda maior área de plantio. Quer dizer, o Brasil quer apostar no milho como biocombustível, mas para isso terá de expandir. Segundo a Conab, uma tonelada de cana-de-açúcar produz entre 70 e 90 litros de etanol, enquanto uma tonelada de milho pode produzir até 420 litros de etanol. Porém, quando se avalia a produtividade versus área plantada, a cana produz mais de 6 mil litros por hectare, enquanto o milho produz cerca de 2,5 mil litros de etanol. A área plantada de milho de segunda safra tem crescido de forma vertiginosa. Nos últimos dez anos a área plantada mais que dobrou: passou de 8,7 milhões de hectares em 2013 para 16,5 milhões em 2023, segundo dados do IBGE. No Centro-Oeste do país, os milharais se estendem até perder de vista. A produção de milho para etanol se concentra em grande parte em estados pioneiros na produção de commodities: Mato Grosso (75%), Mato Grosso do Sul (16%) e Goiás (9%). O Cerrado está passando por um processo semelhante de perda de biodiversidade e vegetação ao que ocorreu na Mata Atlântica. Quase metade do bioma já foi destruído, substituído pelo cultivo extensivo de commodities agrícolas, principalmente soja, milho, cana-de-açúcar e algodão, ou usado para extração de matérias-primas voltadas à produção industrial.
Em 2020, Mateus Batistella fez parte de uma pesquisa que concluiu que as mudanças climáticas podem afetar em até 10% o plantio de milho segunda safra no Brasil até 2035. O estudo de âmbito internacional foi liderado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp. Os riscos apontados no levantamento indicam a necessidade de ações de governança regional. |
AGRONEGÓCIOS
“Fim do Fethab 2 reflete nos investimentos de infraestrutura, logística estabilidade econômica em MT” diz Max Russi ao citar momentos de contribuição e dificuldades do Agro, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
A decisão de encerrar a cobrança do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB 2) a partir do próximo ano marca uma inflexão importante na política econômica de Mato Grosso e sinaliza um novo momento de maturidade fiscal e estrutural do estado. O tema ganhou força após articulações conduzidas pelo vice-governador Otaviano Pivetta junto à classe empresarial do agronegócio, em uma série de reuniões e diálogos diretos com lideranças do setor produtivo.
Nos bastidores, a sinalização de Pivetta foi clara: o Estado não pretende mais sustentar a infraestrutura com base em contribuições extraordinárias. A fala, segundo relatos de participantes dessas discussões, ocorreu em tom de segurança fiscal e confiança na capacidade atual de investimento do governo, indicando que Mato Grosso já atingiu um nível de organização que permite abrir mão do adicional do fundo sem comprometer obras e serviços.
Criado como mecanismo emergencial para financiar obras estruturantes, o adicional do FETHAB incidiu principalmente sobre a produção agropecuária e, ao longo dos últimos anos, movimentou cifras bilionárias. Embora os valores variem conforme a produção e o mercado, estimativas baseadas na arrecadação recente indicam que o fundo — especialmente em sua modalidade adicional — representa algo entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão por ano.
Com o fim da cobrança, a renúncia fiscal projetada é significativa. Em um horizonte de três a quatro anos, o Estado pode deixar de arrecadar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, considerando um cenário conservador. Ainda assim, a avaliação interna do governo é de que o impacto é absorvível diante do equilíbrio das contas públicas e do avanço já consolidado na infraestrutura estadual.
A recepção por parte do setor produtivo foi, majoritariamente, positiva. Produtores e representantes do agronegócio interpretaram o posicionamento como um gesto de reconhecimento ao momento econômico enfrentado pelo campo, marcado por custos elevados, crédito mais restrito e margens pressionadas. Ao mesmo tempo, a medida foi vista como um reforço na previsibilidade e na segurança jurídica — fatores considerados estratégicos para novos investimentos.
Na avaliação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o encerramento do FETHAB 2 reflete exatamente esse novo estágio vivido pelo estado. Segundo ele, não há perspectiva de que o tema avance no Legislativo sem uma iniciativa formal do Executivo.
“O projeto não deve sequer chegar à Assembleia para prorrogação. Esse debate só existiria se houvesse interesse do governo, e isso teria que acontecer ainda este ano”, afirmou.
Max Russi também destacou que a retirada do fundo dialoga com o atual cenário do setor agropecuário e com os avanços já alcançados na infraestrutura. Para o parlamentar, Mato Grosso conseguiu transformar os recursos arrecadados em obras concretas, como pavimentação de rodovias e estruturação de corredores logísticos, criando uma base sólida para sustentar o crescimento sem a necessidade de manter cobranças adicionais.
O fim do FETHAB 2, nesse contexto, consolida uma mudança de modelo: de um estado que dependia de fundos extraordinários para acelerar investimentos para outro que passa a operar com planejamento de longo prazo, equilíbrio fiscal e maior capacidade de atração de capital privado. O desafio, a partir de agora, será manter o ritmo de expansão da infraestrutura diante da renúncia bilionária, sem comprometer a competitividade que colocou Mato Grosso como protagonista do agronegócio nacional.
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