AGRONEGÓCIOS
Agro pode ampliar 40 milhões de hectares em área degradada ‘sem derrubar árvore’, diz ministro Carlos Fávaro
SUSTENTABILIDADE
Carlos Fávaro afirma que pastagem degradada com crédito do governo para recuperar não inclui Pantanal
Jota de Sá
Redação JBNews
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, informou que o Brasil pode ampliar em 40 milhões de hectares de áreas degradadas a produção agrícola em 15 anos e “dobrar sua produção sem derrubar uma árvore”. O total de área degrada no país é de 160 milhões de hectares, mas 25% (os 40 milhões), são propícios à agricultura, disse
“Esses 40 milhões de hectares se tornarão altamente produtivos como os 44 milhões onde já se produz hoje (soja)”, explicou. “Dobramos tudo o que já foi feito desde 1.500 até agora, se fizermos isso em um programa de 15, 20 anos. O Brasil dobra sua produção e não derruba uma árvore se quer”, revelou.
Ele explicou que para isso é necessário um programa de financiamento ao agronegócio brasileiro. Entre os critérios estariam 3 anos de carência para pagar, juros compatíveis com a atividade e 12 anos para amortizar. “O produtor vai colocar 10 toneladas de calcário, uma tonelada de supersimples, meia tonelada de cloreto de potássio e colocar matéria orgânica”, sugeriu método para recuperar as áreas degradadas para o plantio.
*Menos o Pantanal*
O ministro Fávaro desautorizou dessas áreas degradadas a tentativa de plantio em área de ecossistema importante, bioma como o Pantanal, ou área de preservação permanente. “O que não é propício são biomas que não podem ser plantados soja, milho, algodão, como o Pantanal. E áreas muito arenosas e topografia muito acidentada não vai virar agricultura”, defendeu.
Ano passado, uma lei aprovada na Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso causou discussão entre parlamentares e ambientalistas, ao permitir a recomposição de pastagens para pecuária no bioma. Tradicionalmente, em áreas de gado, o ciclo seguinte é o avanço da agricultura, preocupação dos ambientalistas.
De acordo com a Confederação Nacional d Agricultura e Pecuária (CNA), na atual safra 2022/2023, a produção de grãos no Brasil pode atingir 310,6 milhões de toneladas, um recorde, em uma área de 77 milhões de hectares, dos quais cerca de 44 milhões em sojicultura. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a soja deve atingir cerca de 150 milhões de toneladas e o milho em torno de 126 milhões de toneladas na safra corrente.
AGRONEGÓCIOS
Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro
A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.
O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.
O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.
Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.
Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.
No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.
O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.
O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.
Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.
Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.
Fonte: Pensar Agro
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