Economia
Municípios de MT poderão ter aumento de transferências constitucionais em 2020
Neste início de ano, a Associação Mato-grossense dos Municípios está fazendo uma análise sobre as perspectivas das transferências constitucionais para os municípios. A expectativa é que, caso a projeção de crescimento da economia brasileira em torno de 2% em 2020 se confirme, a recuperação da atividade econômica reflita em mais recursos nos cofres municipais.
O presidente da AMM, Neurilan Fraga, argumentou que a economia está dando sinais de recuperação, embora de forma lenta e gradual. “Os principais indicadores macroeconômicos, como o PIB, apresentam números melhores que os do passado recente. A tendência é que aos poucos a economia melhore e consequentemente as transferências da União e do Estado tenham um aumento, aliviando um pouco o caixa dos municípios”, avaliou.
Fraga destaca que os prefeitos estão confiantes nessa recuperação, pois desde 2015, quando a crise fiscal e econômica afetou o país, com a queda do PIB, da produção e o aumento do desemprego, as receitas municipais também sofreram impactos significativos.
Levantamento da AMM aponta que o Fundo de Participação dos Municípios – FPM, considerado a principal transferência da União para os municípios, poderá ter um incremento de 6,3% em 2020, de acordo com o previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA). Para este ano a expectativa é que o Fundo some R$ 117,4 bilhões, sendo R$ 2,1 bilhões para as 141 cidades de Mato Grosso. Em 2019, o total da transferência ficou em R$ 110,8 bilhões, em valores brutos, sendo 2,02 bilhões para os municípios mato-grossenses. Outras transferências da União também tendem a ser um pouco melhores, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb e o Imposto Territorial Rural – ITR.
Na esfera estadual, o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) também tem apresentado um incremento importante e ajudado os municípios – que têm direito a 25% de participação – a fechar as contas. Em 2019, o estado do Mato Grosso obteve um desempenho satisfatório comparado com os outros estados. No ano passado foram arrecadados R$ 10,4 bilhões e para 2020 há uma expectativa de aumento de 13,6%. Porém, Fraga alerta que os municípios ainda estão na expectativa dos efeitos da Lei Estadual 631/2019 que, entre outras medidas, instituiu e revogou alguns benefícios fiscais, o que certamente refletirá na receita municipal .
Com relação ao Imposto Sobre Serviços – ISS, há uma possibilidade de resolução do problema da redistribuição dos valores arrecadados nas transações de cartões de crédito e débito, operações de leasing, planos de saúde e fundos de investimento. No final de 2019, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei Complementar 461/2017 que regulamenta a Lei Complementar nº 157/2016. Agora a matéria segue para o Senado Federal e a AMM espera que seja votada o mais breve possível, para que os municípios possam ter este incremento de receita.
Fraga destaca que neste último ano de mandato, os gestores esperam uma melhora no fluxo de recursos financeiros para atender de forma cada vez mais eficiente as demandas da população. “Mas ainda temos um problema a resolver que é o FEX, que nos últimos dois anos não foi repassado aos municípios. Além disso, tem a Lei Complementar 86/1997 (Lei Kandir), que não foi votada pelo Congresso, embora o Supremo Tribunal Federal tenha dado um prazo para isso”, assinalou, destacando que o movimento municipalista vai continuar se mobilizando para resolver essas pendências.
Agência de Noticias da AMM
AGRONEGÓCIOS
“Fim do Fethab 2 reflete nos investimentos de infraestrutura, logística estabilidade econômica em MT” diz Max Russi ao citar momentos de contribuição e dificuldades do Agro, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
A decisão de encerrar a cobrança do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB 2) a partir do próximo ano marca uma inflexão importante na política econômica de Mato Grosso e sinaliza um novo momento de maturidade fiscal e estrutural do estado. O tema ganhou força após articulações conduzidas pelo vice-governador Otaviano Pivetta junto à classe empresarial do agronegócio, em uma série de reuniões e diálogos diretos com lideranças do setor produtivo.
Nos bastidores, a sinalização de Pivetta foi clara: o Estado não pretende mais sustentar a infraestrutura com base em contribuições extraordinárias. A fala, segundo relatos de participantes dessas discussões, ocorreu em tom de segurança fiscal e confiança na capacidade atual de investimento do governo, indicando que Mato Grosso já atingiu um nível de organização que permite abrir mão do adicional do fundo sem comprometer obras e serviços.
Criado como mecanismo emergencial para financiar obras estruturantes, o adicional do FETHAB incidiu principalmente sobre a produção agropecuária e, ao longo dos últimos anos, movimentou cifras bilionárias. Embora os valores variem conforme a produção e o mercado, estimativas baseadas na arrecadação recente indicam que o fundo — especialmente em sua modalidade adicional — representa algo entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão por ano.
Com o fim da cobrança, a renúncia fiscal projetada é significativa. Em um horizonte de três a quatro anos, o Estado pode deixar de arrecadar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões, considerando um cenário conservador. Ainda assim, a avaliação interna do governo é de que o impacto é absorvível diante do equilíbrio das contas públicas e do avanço já consolidado na infraestrutura estadual.
A recepção por parte do setor produtivo foi, majoritariamente, positiva. Produtores e representantes do agronegócio interpretaram o posicionamento como um gesto de reconhecimento ao momento econômico enfrentado pelo campo, marcado por custos elevados, crédito mais restrito e margens pressionadas. Ao mesmo tempo, a medida foi vista como um reforço na previsibilidade e na segurança jurídica — fatores considerados estratégicos para novos investimentos.
Na avaliação do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi, o encerramento do FETHAB 2 reflete exatamente esse novo estágio vivido pelo estado. Segundo ele, não há perspectiva de que o tema avance no Legislativo sem uma iniciativa formal do Executivo.
“O projeto não deve sequer chegar à Assembleia para prorrogação. Esse debate só existiria se houvesse interesse do governo, e isso teria que acontecer ainda este ano”, afirmou.
Max Russi também destacou que a retirada do fundo dialoga com o atual cenário do setor agropecuário e com os avanços já alcançados na infraestrutura. Para o parlamentar, Mato Grosso conseguiu transformar os recursos arrecadados em obras concretas, como pavimentação de rodovias e estruturação de corredores logísticos, criando uma base sólida para sustentar o crescimento sem a necessidade de manter cobranças adicionais.
O fim do FETHAB 2, nesse contexto, consolida uma mudança de modelo: de um estado que dependia de fundos extraordinários para acelerar investimentos para outro que passa a operar com planejamento de longo prazo, equilíbrio fiscal e maior capacidade de atração de capital privado. O desafio, a partir de agora, será manter o ritmo de expansão da infraestrutura diante da renúncia bilionária, sem comprometer a competitividade que colocou Mato Grosso como protagonista do agronegócio nacional.
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