EDUCAÇÃO
Estudo da UFC liga falta de leite e vermífugos à má nutrição
A Universidade Federal do Ceará (UFC), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), conduziu um estudo pioneiro que concluiu que a falta de acesso a leite de vaca e a não utilização de medicamentos contra vermes são os principais fatores que podem levar à chamada tripla carga da má nutrição (TCMN) em uma família. A pesquisa, desenvolvida no Departamento de Saúde Comunitária da instituição, revelou que uma a cada 25 famílias no Ceará convive com essa realidade, determinada pela presença simultânea de desnutrição infantil, anemia em crianças e sobrepeso ou obesidade materna.
O levantamento investigou 3,2 mil pares de mãe e filho no ano de 2023, utilizando dados da Pesquisa de Saúde Materno-Infantil do Ceará (Pesmic), considerada a série histórica transversal em saúde materno-infantil mais antiga do mundo, realizada desde 1987. Os resultados foram publicados no Journal of Health, Population and Nutrition, estabelecendo uma linha de base inédita no Brasil.
Segundo a pesquisadora Sabrina Rocha, egressa da UFC e uma das autoras, o estudo inovou ao analisar como a desnutrição e a obesidade, frequentemente observadas de forma separada no país, se comportam de maneira simultânea dentro do microambiente familiar.
O peso do leite e dos antiparasitários – Os dados do estudo mostram que crianças que não consomem leite de vaca têm mais que o dobro de probabilidade de se enquadrarem na TCMN em relação às que consomem. A ausência da bebida priva a criança de proteínas e cálcio essenciais, aumentando a vulnerabilidade à desnutrição.
Paralelamente, os menores que nunca tomaram anti-helmínticos (remédios contra vermes) têm um risco quase 2,5 vezes maior para a tripla carga. A ausência da medicação resulta em infecções parasitárias que competem pelos nutrientes do organismo, prejudicam a absorção alimentar e causam diarreia.
Crianças menores e tamanho da família – A idade demonstrou ser um fator significativo. Bebês com menos de seis meses apresentaram quase quatro vezes mais chances de enfrentar a TCMN em comparação com crianças de 24 a 71 meses. Na faixa de 6 a 11 meses, essa probabilidade foi cinco vezes maior. Rocha explica que crianças mais novas sofrem maior variação nutricional devido à velocidade de crescimento, sendo fundamental agir cedo para fixar bons hábitos e recuperar deficiências.
A configuração familiar também impacta diretamente. Famílias com mais de três pessoas na mesma casa têm 60% mais chance de registrar a TCMN. Em lares com quatro filhos ou mais, a probabilidade salta para 120% (mais que o dobro). A superlotação favorece condições de vida insalubres e a propagação de doenças infecciosas.
Ambiente escolar, ultraprocessados e tabagismo – A falta de acesso à educação infantil é outro agravante crítico. Famílias cujos filhos não frequentam creches ou escolas apresentaram uma incidência mais de três vezes maior do problema. Os pesquisadores apontam que a ausência de creches limita o emprego materno, reduzindo a renda da casa e, consequentemente, o acesso a alimentos nutritivos.
Nesse cenário de vulnerabilidade econômica, o consumo de alimentos ultraprocessados (mais baratos e mais pobres em nutrientes) impulsiona a obesidade e a deficiência de micronutrientes. O professor Hermano Rocha, coautor da pesquisa, destaca a insegurança alimentar no estado como limitador das escolhas nutricionais. Como resposta ao avanço da obesidade atrelada aos ultraprocessados, ele lembra que o Ceará sancionou legislação recente para restringir a venda desses produtos nas escolas.
O tabagismo também foi isolado como fator de risco: mães que fumam têm o dobro de probabilidade de registrar a TCMN na família, o que pode refletir tanto um risco comportamental direto quanto menor acesso à informação em saúde.
Consequências – O impacto da tripla carga de má nutrição é profundo. O professor Luciano Correia alerta que a desnutrição infantil aumenta o risco de pneumonias, infecções, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e problemas cardiovasculares no futuro. A anemia crônica prejudica as funções neurológicas e cognitivas. Já a obesidade materna é porta de entrada para diabetes, problemas articulares e cânceres.
Este conteúdo é uma produção da UFC, com apoio da Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC)
Fonte: Ministério da Educação
EDUCAÇÃO
MEC se reúne com Ministério da Educação Superior de Cuba
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, reuniu-se nesta quarta-feira, 22 de abril, em Brasília (DF), com o ministro da Educação Superior de Cuba, Walter Baluja García, para discutir o fortalecimento da cooperação educacional entre os dois países. O encontro abordou iniciativas conjuntas nas áreas de educação superior, mobilidade acadêmica, pesquisa e políticas públicas educacionais, incluindo a alimentação escolar.
Por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério de Educação Superior da República de Cuba (MEC-Cuba) assinaram uma carta de compromisso para o lançamento de novos editais, em abril de 2026, do Programa Cátedra Jorge Amado. Os editais promoverão o intercâmbio de estudantes e pesquisadores brasileiros e cubanos nas modalidades de cátedra, doutorado sanduíche e pós-doutorado, incentivando a pesquisa em cultura e literatura, além de contribuir para a formação de professores e cientistas.
Na ocasião, foram apresentadas também as ações de implementação do plano de ação elaborado em seguimento ao 1º Encontro de Alto Nível Brasil-Cuba sobre Políticas Públicas em Proteção Social, Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. O plano é de autoria conjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao MEC, e será executado por meio de cooperação trilateral (Brasil-FAO-Cuba).
Os objetivos do plano contemplam medidas voltadas à qualificação da alimentação escolar, incluindo a diversificação nutricional dos cardápios com base em alimentos frescos, locais e sazonais; o fortalecimento da infraestrutura das unidades escolares para o preparo adequado das refeições; e a implementação e consolidação de hortas escolares pedagógicas, contribuindo para a formação de hábitos alimentares saudáveis.
Além disso, prevê a disponibilização de insumos, materiais e sistemas de apoio à produção, bem como o desenvolvimento de guias metodológicos para docentes, de modo a assegurar a sustentabilidade e a replicabilidade das ações. Nesse modelo, adicionalmente, os países estudam a elaboração de um plano de ação para aquisição e elaboração de livros e materiais didáticos.
Durante a reunião, também foram destacadas oportunidades para ampliar a troca de experiências entre instituições de ensino e promover a formação de estudantes e pesquisadores, por meio de programas de mobilidade acadêmica, projetos de pesquisa conjuntos e iniciativas de cooperação voltadas ao desenvolvimento científico e educacional. Os ministros trocaram, ainda, perspectivas sobre desafios comuns na educação superior, como a formação de professores, modernização de materiais didáticos e ampliação de oportunidades para estudantes.
Participaram do encontro o assessor especial para Assuntos Internacionais do MEC, Felipe Heimburger; e, compondo a delegação cubana, o embaixador Victor Manuel Cairo Palomo, a diretora de Relações Internacionais, Maria Victoria Villavicencio, e a conselheira da Embaixada de Cuba, Indira Herrera Yera. Também estiveram presentes representantes de secretarias do MEC; da Capes; do FNDE; da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes); e da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Relação bilateral – A cooperação educacional entre Brasil e Cuba tem como foco a formação de recursos humanos de alto nível, o intercâmbio acadêmico e o desenvolvimento de pesquisas conjuntas entre instituições de ensino superior dos dois países.
A relação começou a se estruturar em 2007, com a criação de programas específicos voltados à qualificação de docentes e pesquisadores cubanos em universidades brasileiras. Entre os principais instrumentos dessa parceria estão os programas Capes/MES-Cuba – Docentes e Capes/MES-Cuba – Projetos.
O primeiro programa é voltado à formação individual de professores universitários cubanos, oferecendo bolsas para doutorado-sanduíche e pós-doutorado no Brasil, com benefícios como mensalidade, auxílio deslocamento, auxílio instalação e seguro saúde. Já a modalidade Projetos apoia o desenvolvimento de projetos conjuntos de pesquisa entre instituições de ensino superior brasileiras e cubanas, com financiamento para missões de trabalho, bolsas acadêmicas e atividades de cooperação científica nas diversas áreas do conhecimento.
Em 2024, a Capes e o Ministério da Educação Superior de Cuba firmaram um novo acordo de cooperação e dois planos de trabalho que viabilizaram a retomada dessas iniciativas, ampliando as oportunidades de mobilidade acadêmica e de colaboração científica entre os países. Outro destaque recente da parceria é a criação da Cátedra Jorge Amado, iniciativa desenvolvida em cooperação com a Universidade de Havana.
Além dessas iniciativas, Cuba também participa do Programa de Estudantes-Convênio, nas modalidades pós-graduação (PEC-PG), que oferece oportunidades de formação em cursos de pós-graduação no Brasil, e graduação (PEC-G), que permite a realização de cursos completos de ensino superior em universidades brasileiras sem cobrança de mensalidades.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Assessoria para Assuntos Internacionais (AI)
Fonte: Ministério da Educação
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