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Relatório do TJ aponta tortura recorrente e atuação de “poder paralelo” em presídio de Sinop

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Ana Paula Figueiredo

Documento cita abusos sistemáticos, desafio direto ao Judiciário e até plano de ataque contra magistrados; Sejus instaurou procedimento interno

Um relatório produzido após inspeção judicial na Penitenciária Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, conhecida como Ferrugem, em Sinop (478 km de Cuiabá), apontou a existência de práticas sistemáticas de tortura, maus-tratos e a atuação de um “poder paralelo” dentro da unidade prisional. O documento motivou a abertura de investigação pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).

A inspeção foi realizada nos dias 29 e 30 de outubro por determinação da Corregedoria-Geral da Justiça e do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF) do Sistema Prisional, ambos vinculados ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O relatório é assinado pelo juiz Marcos Faleiros.

Durante a vistoria, foram constatadas denúncias de espancamentos, disparos com munição de borracha, uso indiscriminado de spray de pimenta e humilhações diárias contra detentos. Segundo os relatos colhidos, a violência teria se intensificado após visitas de magistrados, em forma de retaliação aos presos que denunciaram os abusos.

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O relatório também aponta que o diretor da unidade, Adalberto Dias de Oliveira, teria desafiado ordens do Judiciário, afirmando que “quem manda no presídio é ele”, além de tentar barrar a inspeção judicial.

Durante as oitivas, detentos relataram que agressões físicas e violações de direitos são rotina na unidade. Um dos presos afirmou que, após visita do desembargador Orlando Perri, o diretor teria feito ameaças diretas, afirmando que nenhuma autoridade conseguiria retirá-lo do cargo.

Outros depoimentos reforçam que ordens judiciais não eram cumpridas, incluindo a determinação para abertura de celas superlotadas, conhecidas como “latão”. Segundo os internos, a negativa era acompanhada de violência física e psicológica.

Suposto plano de atentado

O trecho mais grave do relatório aponta a suspeita de um plano para atacar autoridades judiciais durante a inspeção. Conforme o documento, um detento ligado a facção criminosa relatou que o diretor Adalberto, junto ao subdiretor Antônio Carlos Negreiros, teria incentivado uma tentativa de agressão ao juiz Marcos Faleiros e ao promotor Luiz Gustavo Mendes de Maio.

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Segundo o depoimento, o interno teria recebido promessa de benefícios caso executasse o ataque. A ação não se concretizou, mas levantou alerta máximo sobre a segurança das autoridades.

O relatório também descreve uma tentativa de intimidação fora da penitenciária, quando o veículo oficial do Tribunal de Justiça teria sido seguido por uma caminhonete em alta velocidade durante o retorno a Cuiabá.

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) informou que recebeu oficialmente o relatório na última sexta-feira (12) e que, paralelamente à inspeção, instaurou procedimento administrativo interno ainda em novembro, conduzido pela Corregedoria-Geral da pasta.

A Sejus afirmou que não houve denúncias formais de tortura em 2025 junto aos órgãos fiscalizadores e ressaltou que não compactua com abusos ou práticas criminosas. Segundo a secretaria, caso as irregularidades sejam confirmadas, os responsáveis serão punidos conforme a lei.

O caso segue sob apuração.

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Polícia Civil prende professor de música e ex-companheira por estupro de vulnéravel e armazenamento de pornografia infantil

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Um professor de música e sua ex-companheira envolvidos em crimes graves de estupro de vulnerável e produção/registro de pornografia infantil, utilizando os próprios filhos da suspeita, foram presos em trabalho conjunto da Polícia Civil e da Polícia Militar, realizado na última semana, no município de Campo Verde.

O suspeito, de 38 anos, foi preso em flagrante na última quarta-feira (15.4), após ser flagrada na companhia de uma menor de 14 anos, que estava desaparecida no município de Jaciara. Já sua ex-companheira, de 32 anos, teve o mandado de prisão preventiva cumprido na sexta-feira (17), por envolvimento nos atos praticados contra os próprios filhos.

Com a prisão do suspeito outras vítimas possam aparecer, uma vez que o professor trabalhou em instituições no município de Jaciara e Nova Brasilândia.

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Campo Verde, iniciaram após a Polícia Civil ser acionada pela Polícia Militar, sobre uma mulher que estaria supostamente sendo ameaçada por uma facção criminosa atuante em Campo Verde a praticar atos sexuais com seus próprios filhos, um menino de 11 anos e uma menina de 9 anos.

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Segundo as informações, as ameaças também a obrigavam permitir que seu ex-companheiro praticasse atos sexuais com sua filha e registrasse os abusos em vídeo.

Com base nas informações passadas e elementos reunidos, foi levantada a hipótese que o autor das mensagens seria o professor de música, ex-companheiro da mãe das crianças.

Prisões

Diante das evidências, a equipe da Polícia Militar iniciou as buscas, conseguindo localizar o suspeito que se encontrava em companhia de uma ex-aluna, menor de idade, sendo revelado que o investigado mantinha um relacionamento com a adolescente desde que ela tinha 13 anos. A menor era considerada desaparecida, desde de dezembro de 2025, quando o professor de música se retirou de Jaciara com sua aluna, sem a permissão de seus familiares.

Com o avanço das investigações, foi confirmado que era ele quem enviava as imagens para a ex-companheira exigindo a confecção do material de pornografia infantil e outras condutas envolvendo a investigada e as crianças.

Com base nas investigações, foi representado pela prisão preventiva da investigada, pelos crimes de estupro de vulnerável e produção/registro de pornografia infantil, cometido contra seus próprios filhos. O mandado foi deferido pela Justiça e cumprido, na tarde de sexta-feira (17), pela equipe de investigadores da Delegacia de Campo Verde.

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Segundo o delegado responsável pelas investigações, Gabriel Conrado, na residência do professor, foram apreendidos medicamentos para disfunção erétil, entre outros, três aparelhos celulares e dois computadores que foram encaminhados à Perícia Técnica, que poderão auxiliar o avanço das investigações.

“A Polícia Civil segue com as investigações e trabalha com a linha de investigação de que o suspeito possa estare inserido em uma organização criminosa voltada para a prática de crimes sexuais de crianças/adolescentes, bem como com a comercialização/distribuição dos materiais pornográficos envolvendo menores de idade”, disse o delegado.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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