Tecnologia
BRICS celebra 10 anos de cooperação em CTI com expansão histórica e proposta de rede submarina para o Sul Global
Ministros e representantes saudaram novo plano de ação para inovação 2025 – 2030 do BRICS, discutiram os desafios da cooperação em CTI com a ampliação do bloco e reafirmaram o papel estratégico da ciência para o desenvolvimento sustentável.
Nesta quarta-feira (25/6), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) coordenou a 13ª Reunião de Ministros de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI) do BRICS (África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Índia, Indonésia, Irã e Rússia), sob a presidência brasileira do bloco em 2025. O encontro no Palácio Itamaraty reuniu ministros e representantes de países membros e de alguns dos 10 países parceiros (Cuba, Nigéria e Tailândia) do BRICS. Na ocasião, foi iniciada a assinatura do processo de adesão de novos membros ao Memorando de Entendimento firmado originalmente pelo grupo em 2015.
Ao abrir o evento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, Luciana Santos, destacou o papel estratégico da CTI para o enfrentamento dos desafios globais e reafirmou o compromisso do Brasil com uma agenda multilateral baseada na paz, inclusão e desenvolvimento sustentável.
“O engajamento do Brasil nesses diálogos está ancorado na decisão de pactuar relações mutuamente benéficas, dentro do quadro das relações multilaterais, com respeito sempre às diferenças e persistindo no único caminho que julgamos verdadeiramente possível, que é o caminho da paz e do desenvolvimento”, afirmou a ministra.
Diante de um cenário global marcado por profundas transformações geopolíticas, ambientais e tecnológicas, os representantes dos países membros discutiram ações concretas para fortalecer a cooperação internacional e enfrentar, de forma colaborativa, os efeitos das mudanças climáticas, da insegurança alimentar e das incertezas econômicas.
“Vivemos tempos de inovações disruptivas, de inteligência artificial, de eventos climáticos extremos. A marcha do desenvolvimento socioeconômico é colocada em xeque mais uma vez. É nesse contexto que a ciência, a tecnologia e a inovação se renovam como instrumentos capazes de garantir o nosso futuro”, enfatizou Luciana Santos.
A ministra também chamou atenção para o desafio estratégico do domínio tecnológico e da infraestrutura de dados. “O maior desafio hoje é a corrida pelo domínio tecnológico. E, para isso, nós precisamos, e muito, de dados. Vivemos em um contexto em que a revolução tecnológica depende fortemente da nossa capacidade de acesso e uso de dados para a tomada de decisões”, disse.
Neste contexto, o Brasil propôs a realização de um estudo de viabilidade para a implementação de um cabo submarino do Sul Global, ampliando a autonomia e o equilíbrio na circulação de dados no mundo.
“Hoje, a infraestrutura de cabos submarinos por onde circulam os dados está fortemente concentrada no Norte Global. Por isso, uma das propostas que constará na carta é justamente a realização de um estudo de viabilidade para a implementação de um cabo submarino do Sul Global”, explicou Luciana Santos.
“A infraestrutura de cabos submarinos por onde circulam os dados está fortemente concentrada no Norte Global. Por isso, uma das propostas que constará na carta é justamente a realização de um estudo de viabilidade para a implementação de um cabo submarino do Sul Global”, Luciana Santos.
O sistema submarino de alto desempenho desenvolvido para conectar diretamente redes de pesquisa de organizações e empresas inovadoras dos países BRICS. O principal objetivo é garantir uso público em pesquisa, educação e inovação, e uso privado na produção de riqueza, através de uma integração direta de longo prazo entre países membros.
Áreas prioritárias e avanços conjuntos
A agenda de CTI possibilitou, ao longo dos últimos anos, o planejamento e a implementação de missões e projetos conjuntos em áreas estratégicas como oceanos, ciência dos materiais e fotônica, energias renováveis, computação de alto desempenho, astronomia, biotecnologia e biomedicina, dentre outros. Esses campos têm servido de base para a construção de redes de pesquisa, formação de talentos e desenvolvimento de tecnologias voltadas a soluções globais.
A cooperação em ciência, tecnologia e inovação desse agrupamento abarca mais de uma dezena de grupos de trabalho temáticos e já viabilizou o lançamento de seis chamadas conjuntas para projetos de pesquisa e cooperação, envolvendo nossas agências de financiamento. Foram mais de 1500 projetos submetidos, dos quais mais de 150 receberam financiamento.
“Estamos caminhando para o lançamento da 7ª Chamada de projetos. Mais que isso, estamos exportando nosso conhecimento e expertises nessas chamadas conhecidas como “regulares” para a formatação, junto às agências de inovação de nossos países, que animará nossas comunidades de startups, incubadoras, aceleradoras e todo o ecossistema de inovação”, anunciou a ministra.
Santos completou que o desejo do MCTI é lançar também, ainda este ano, uma chamada de grandes projetos, o que conhecemos como “flagship”. “Trata-se de buscar cooperar estrategicamente, em agendas de maior envergadura com mais recursos e soluções a problemas mais complexos”, completou.
Plano de Ação para Inovação 2025–2030
Durante a reunião, os países membros saudaram o novo Plano de Ação para Inovação do BRICS para os anos de 2025 a 2030, elaborado no contexto do Grupo de Trabalho sobre Parceria em Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo, que se reuniu nos dias 10 e 11 de junho, no Rio de Janeiro, na sede da FINEP. O plano visa fortalecer o ecossistema de inovação do bloco por meio de redes de colaboração entre startups, incubadoras, universidades e centros de pesquisa. A proposta brasileira para o ciclo 2025–2030 destaca tecnologias emergentes como inteligência artificial, tecnologias quânticas e inovação na indústria como prioridades para a cooperação, alinhando-se às estratégias nacionais de reindustrialização e transformação digital.
Dez anos de cooperação estratégica
Um dos destaques foi o início do processo de assinatura do protocolo de adesão de novos países membros ao Memorando de Entendimento (MdE) do BRICS em CTI, firmado em 2015, consolidando a ampliação do grupo. Os novos signatários se unem aos cinco países fundadores (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e passam a integrar a principal estrutura de governança científica e tecnológica do BRICS.
Para a ministra da África do Sul, Nomalungelo Gina, a assinatura marca um momento simbólico e estratégico. “É um momento histórico para o BRICS. O Memorando de Entendimento reflete nosso compromisso compartilhado com uma cooperação expandida. O BRICS é uma plataforma viva, aberta, que evolui com novas parcerias. Os desafios globais exigem novas perspectivas, e o BRICS está mais forte e inclusivo do que nunca”, pontuou.
Em sessão comemorativa, a ministra Luciana Santos também falou os dez anos da do MdE, que estabeleceu os princípios da cooperação entre os países do BRICS na área.
“A nossa atual arquitetura de governança do BRICS para ciência, tecnologia e inovação, é certamente a mais extensa e dinâmica de todas as cooperações desse agrupamento, é um espelho do que somos e do que queremos. Temos hoje 14 grupos de trabalho temáticos ativos e um histórico de avanços que nos orgulha”, celebrou a ministra.
Luciana Santos completou que as diferenças culturarais não intimidaram os gestores e nem afastaram nossas comunidades de pesquisa e inovação. “Muito pelo contrário: os nossos cientistas e inovadores enxergaram oportunidades que foram muito bem exploradas nesses 10 anos”, acrescentou.
Entre os resultados alcançados desde a assinatura do MdE estão:
- Elevação da cooperação a um nível estratégico;
- Uso das complementaridades em CT&I para gerar novos conhecimentos e soluções;
- Criação de produtos, serviços e processos inovadores com apoio de fundos apropriados;
- Estreitamento do diálogo com outros países em desenvolvimento; e
- Participação ativa dos novos membros.
Os representantes dos novos países membros expressaram entusiasmo com a integração à estrutura de CTI do BRICS. Os países considerados “parceiros” também veem com otimismo este bloco do Sul Global. A embaixadora da Tailândia no Brasil, Kundhinee Aksornwong, destacou que o BRICS oferece uma plataforma valiosa para o intercâmbio de talentos e o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.
“Nosso compromisso é avançar em CT&I para um futuro mais sustentável e seguro. Vamos continuar a construir pontes com os países do BRICS”, pontuou.
O embaixador de Cuba, outro país parceiros do BRICS no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, reforçou a disposição em aumentar a colaboração científica, respeitando a soberania dos países e os objetivos comuns de desenvolvimento.
“Esperamos que reuniões como esta continuem a ser realizadas e que possamos intensificar a colaboração em todas as áreas, especialmente em ciência e tecnologia”, disse.
Luciana Santos encerrou a reunião com uma mensagem de união. “A expansão do BRICS para 11 países demanda a renovação do espírito de colaboração e respeito mútuo. Diante do que vivemos nos dias de hoje, tenho a convicção de que lutar pelo multilateralismo é lutar pela sobrevivência de cada um de nós, de nosso planeta. Não há solução para os nossos problemas sem articulação e cooperação internacional. ”
Próximos passos
A reunião reforçou a necessidade de uma revisão das áreas prioritárias e dos grupos de trabalho temáticos, especialmente diante da ampliação do bloco. O Comitê Gestor de CTI do BRICS ficará responsável por coordenar essa revisão e apresentar uma proposta aos altos funcionários para deliberação na próxima reunião ministerial.
Com o tema “Fortalecendo a Cooperação Global do Sul para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”, a presidência brasileira em 2025 tem buscado fortalecer o papel do BRICS como articulador de soluções inovadoras para os desafios do século XXI, com base na inclusão, no diálogo e na cooperação científica.
O Brasil seguirá na presidência do BRICS no segundo semestre e, em 2026, a liderança será assumida pela Índia, que já propôs um extenso calendário de atividades para o próximo ano. Até o fim de 2025, o Brasil deve organizar cerca de 12 atividades, incluindo o Prêmio Jovem Inovador e o Fórum de Jovens Cientistas, que completará 10 edições e reunirá aproximadamente 150 participantes de todos os países membros, em Brasília. Atividades presenciais, online e híbridas também serão realizadas na China, Egito, Irã, Rússia e África do Sul, consolidando o dinamismo e o compromisso do BRICS com a CTI.
Confira a declaração ministerial no link (em inglês)
Tecnologia
Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade
Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.
Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.
Projetos selecionados
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Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;
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Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc);
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Organização Baniwa e Koripako — Nadzoeri. Parceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);
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Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;
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Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara;
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Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.
Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.
Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.
O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.
Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades.
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