Tecnologia
Melhoria das estimativas de gases de efeito estufa para o Setor Agropecuária passa por avanços na aquisição de dados primários
O grupo técnico de trabalho sobre o Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (GEE) discutiu nesta quarta-feira (12) aspectos metodológicos e apontou propostas para o aprimoramento das estimativas de emissões do Setor Agropecuária. O grupo técnico é liderado pelos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos, e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio da Secretaria Nacional de Mudança do Clima.
Participaram cerca de 70 técnicos representantes das pastas ministeriais que integram o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), como Casa Civil, Agricultura e Pecuária (MAPA), Relações Exteriores (MRE), e de pesquisadores especialistas no setor, como a Embrapa.
Esta foi a segunda reunião do grupo técnico estabelecido pelo CIM. A primeira foi realizada em novembro, quando foi definido o cronograma de trabalho. Entre as metas do GT está a elaboração de um plano de ação com tarefas, prazos e responsáveis, contemplando as sugestões de aprimoramento apresentadas, discutidas, validadas e com análise de viabilidade de implementação.
Na abertura, a secretária de Mudança do Clima do MMA, Ana Toni, destacou a relevância do Inventário Nacional. “É a base de toda a política pública em relação à mudança do clima. Há muita expectativa de como serão os trabalhos e os possíveis aprimoramentos”, afirmou.
O coordenador-geral de Ciência do Clima do MCTI, Márcio Rojas, explicou que a Estrutura de Transparência Aprimorada do Acordo de Paris traz novos desafios para à elaboração do Inventário Nacional do Brasil, como país em desenvolvimento. A partir de 2024, o exercício passa a ser elaborado a cada dois anos e os documentos passarão por revisão de especialistas internacionais no âmbito da Convenção do Clima.
Segundo Rojas, o Inventário Nacional é elaborado para o cumprimento do compromisso internacional assumidos pelo país, mas também deve atender às demandas da política climática nacional “Vamos precisar avançar para que o Inventário Nacional possa contribuir com a política pública”, informou.
Os aprimoramentos coletados no grupo de trabalho para o Inventário Nacional também visam propor subsídios para o monitoramento do Plano Clima e da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, ou seja, uma ferramenta para a gestão da política climática no âmbito nacional.
Na reunião, a coordenadora técnica do projeto Ciência&Clima, Renata Grisoli, informou que ao longo do primeiro semestre serão realizadas reuniões contemplando todos os setores do Inventário Nacional e, em junho será realizada uma reunião intersetorial. Ela também informou que a Convenção do Clima agendou para maio a revisão do Primeiro Relatório Bienal de Transparência do Brasil, submetido em dezembro de 2024. “Todos os países passarão por revisão técnica. Esse processo fornecerá uma série de subsídios que poderão contribuir com o aprimoramento”, explicou.
Agropecuária – A equipe técnica do Inventário Nacional apresentou as questões metodológicas envolvendo o setor agropecuária, os dados de atividade utilizados para os cálculos, as fontes e as instituições provedoras e os níveis de desagregação dos dados e os aprimoramentos mapeados no Relatório Nacional de Inventário. O setor está dividido em sete subsetores e 17 categorias, como de fermentação entérica, cultivo de arroz, solos manejados, aplicação de fertilizante.
Cerca de 65% das emissões desse setor são provenientes de fermentação entérica, categoria que envolve a população animal. O Brasil é segundo maior produtor mundial de carne bovina, o maior produtor mundial de soja e cana, e terceiro maior produtor de milho. Segundo o supervisor do Inventário Nacional, Régis Rathmann, é preciso avaliar com atenção as emissões do setor devido a importância estratégica do setor para a segurança alimentar e energética nacional e global e que são emissões difíceis de serem reduzidas. “O Brasil é relevante para a segurança energética e alimentar mundial. O mundo está em busca de soluções tecnologias para abater as emissões de fermentação entérica”, explicou.
Entre as oportunidades de melhoria citadas estão a atualização de dados relevantes do censo agropecuário, a desagregação de dados, os avanços para níveis metodológicos, atualização de coeficientes de emissões e revisão de fatores de emissão. Os aspectos passam por atualização de dados primários nas fontes oficiais e desenvolvimento de capacidades nacionais com novas estratégias de aquisição de dados.
Tecnologia
Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade
Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.
Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.
Projetos selecionados
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Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;
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Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc);
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Organização Baniwa e Koripako — Nadzoeri. Parceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);
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Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;
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Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara;
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Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.
Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.
Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.
O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.
Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades.
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