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Cinema Nosso prioriza inserção de mulher negra no mercado de trabalho

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A inserção de mulheres negras no mercado de trabalho, em especial no mercado audiovisual, é a meta da Instituição Sociocultural Cinema Nosso, disse nesta segunda-feira (24), a coordenadora de projetos de formação audiovisual da instituição, Gabriela Gonçalves.

O esforço de inserir mulheres no mercado audiovisual está em consonância com o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha, que se celebra em 25 de julho e busca inserir a mulher negra no mercado de trabalho. A instituição Cinema Nosso objetiva reduzir as desigualdades sociais e proporcionar tecnologia e experiências de inclusão em um segmento onde a falta de diversidade é preocupante.

Pesquisa de 2021 do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revela que o desemprego entre as mulheres negras equivale ao dobro do existente entre os homens brancos. Além disso, as mulheres negras recebem os piores salários. No mercado do audiovisual, apenas 20% e 25% das representantes do sexo feminino ocupam cargos de direção e roteiro, respectivamente, de acordo com pesquisa de 2018 do Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa (Gemaa), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), e da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Quando a sondagem busca a participação de mulheres negras e indígenas nesses mesmos cargos, o resultado é ainda pior, atingindo 0%. Significa que se a faixa de mulheres já é pequena, a de mulheres negras então é inexistente.

Lacuna

Gabriela Gonçalves informou que não aparece nenhuma porcentagem de mulheres negras em longas-metragens de grande público, tanto no caso de roteiro, como de direção. “Essa falta de número é um dado muito alarmante porque, na verdade, existem mulheres negras dentro dessas posições no fazer cinema, no Brasil, principalmente em curtas-metragens”, argumentou.

Segundo Gabriela, as pesquisas apontam a falta de acesso de mulheres negras a recursos públicos e a editais para fazer longas-metragens no país. “Isso é muito grave porque a população negra brasileira é uma taxa muito grande, bem como as mulheres negras são uma porcentagem grande no Brasil. Somos a base da constituição da sociedade, no sentido mesmo do trabalho. Aí, quando a gente fala dessa falta de acesso e de recursos para contar as nossas histórias, vemos que o racismo também está aí nesse processo de a gente não ter espaço para ser inserida nesse mercado que move economicamente muito o país”, detalha a coordenadora de Projetos de Formação Audiovisual.

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A coordenadora sustenta que a grande questão é quando se vai “racializar” esses acessos e que acaba sendo uma impressão do racismo existente na sociedade brasileira, traduzido em falta de acessos, de recursos, de oportunidades. No caso do audiovisual, essa lacuna vai impactar diretamente na construção da subjetividade da comunidade negra no geral, apontou. “Falta de acesso de profissionais que estudam e se capacitam para isso; falta de acesso nesses lugares de liderança e de criação de narrativas de histórias. Isso vai influenciar nos filmes e em obras de audiovisual como um todo. Não só filmes, mas novelas, séries, desenhos, em que a gente não vai se ver. Dificilmente, a gente se identifica com narrativas que não são contadas por nós. Vai ficar sempre nesse lugar estereotipado. Por isso, é muito importante termos acesso a esses recursos também”.

Formação

Para combater essa realidade, o Cinema Nosso criou o programa “Empoderamento e Tecnologia: Jovens Negras no Audiovisual”, voltado para mulheres negras, trans e indígenas que, desde 2019, formou mais de 100 jovens para o setor. “Desde sempre a gente trabalha com juventudes periféricas e, em 2019, conseguimos startar (começar) a primeira edição desse projeto que nos ajuda a fomentar mais esse espaço de formação para inserção de mulheres negras no mercado”. O programa contempla também pessoas não binárias de todo o Brasil.

“O objetivo é promover essa formação dentro da área do cinema, de jogos e, também de escrita de roteiro para séries, além de colaborar com essa inserção no mercado, promovendo ainda um projeto de vida e de empregabilidade. Vai trabalhar não só o lado profissional, ajudando na construção de currículos e portfólios, mas também as dimensões pessoais e sociais, o que essas mulheres querem como objetivo para suas vidas no ecossistema do audiovisual”.

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O programa coloca as alunas em contato direto com profissionais da área em oficinas e seminários, que orientam e analisam os projetos estruturados por elas “Eles dão um fortalecimento muito grande no processo formativo das meninas, entendendo muito desse espelhamento, dessas referências de profissionais que são supertalentosos e capacitados para estarem na área. E elas se verem também no talento desses profissionais é importante e dá um gás para elas continuarem na jornada nessa área”.

O ano de 2023 marca a quinta edição do programa Empoderamento e Tecnologia: Jovens Negras no Audiovisual, que é inteiramente gratuito e oferece a cada ano 150 vagas de roteiro e direção nas áreas de laboratório de roteiro para séries, cinema de ficção, cinema documentário, jogos digitais e jogos mobile (para celulares). Em 2024, a ideia é incluir mais uma formação no segmento de animação, adiantou Gabriela Gonçalves. As inscrições são abertas entre março e abril de cada ano, e o curso tem seis a oito meses de duração.

Dia Internacional

O primeiro Encontro de Mulheres Negras, Latinas e Caribenhas foi realizado em 1991, em Santos Domingos, na República Dominicana. Representantes de 32 nações se reuniram para discutir formas de combate às desigualdades e discriminações sofridas pela mulher negra latina e caribenha em seus respectivos países. Após essa reunião, o dia 25 de julho foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Em 2014, a data foi sancionada no Brasil pela então presidente Dilma Roussef através da Lei 12.987, como parte do calendário oficial nacional.

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Dia dos Povos Indígenas destaca desafios e protagonismo das mulheres indígenas no Brasil

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Celebrado em 19 de abril, o Dia dos Povos Indígenas foi instituído em 1943, inspirado na atuação do indigenista Marechal Rondon e nas discussões do Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México, em 1940. A data tem como objetivo reconhecer a diversidade cultural dos povos indígenas e promover a garantia de seus direitos.

No Brasil, as mulheres indígenas ocupam um papel central na preservação das culturas, tradições e formas de organização social de seus povos. Ao mesmo tempo, enfrentam múltiplas vulnerabilidades, marcadas pela sobreposição de desigualdades de gênero, étnicas e territoriais.

De acordo com o Censo 2022 do IBGE, o país possui mais de 1,6 milhão de pessoas indígenas, concentradas principalmente na região Norte. Nesse contexto, as mulheres indígenas vivenciam desafios como a violência, a exclusão social, o acesso limitado a políticas públicas e as ameaças constantes aos seus territórios, provocadas por invasões, exploração ilegal de recursos naturais e degradação ambiental.

Além disso, fatores como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e pobreza agravam ainda mais as condições de vida dessas mulheres, impactando diretamente sua segurança, saúde e autonomia. Esse cenário reforça a importância da criação e fortalecimento de políticas públicas específicas voltadas às mulheres indígenas.

Política Nacional para Mulheres Indígenas (PNMI)

A Política Nacional para Mulheres Indígenas (PNMI) é uma iniciativa articulada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em parceria com o Ministério das Mulheres, ONU Mulheres e outros órgãos federais, que estabelece diretrizes para promover direitos, enfrentar violências e fortalecer a autonomia das mulheres indígenas no Brasil.

Construída com ampla participação de lideranças indígenas, a política tem caráter intersetorial e abrange áreas como saúde, educação, território, autonomia econômica e participação política. Seu objetivo é orientar a atuação integrada do poder público, considerando o contexto de agravamento das violações de direitos e dos conflitos territoriais no país.

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A PNMI também prevê ações como a criação das Casas da Mulher Indígena, a adaptação de serviços públicos às especificidades culturais e o fortalecimento das redes de atendimento, com foco na efetividade das políticas públicas e no respeito à autodeterminação dos povos indígenas.

1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas

Entre os dias 4 e 7 de agosto de 2025, foi realizada a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, promovida pelo Governo Federal, por meio dos Ministérios das Mulheres e dos Povos Indígenas, em parceria com a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA).

A conferência é resultado de um processo que envolveu sete etapas regionais, realizadas ao longo do primeiro semestre do ano, reunindo mais de 700 mulheres indígenas em consultas preparatórias. Durante os três dias da etapa nacional, as participantes debateram cinco eixos temáticos: Direito e Gestão Territorial; Emergência Climática; Políticas Públicas e Violência de Gênero; Saúde; e Educação e Transmissão de Saberes Ancestrais para o Bem Viver.

Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas

O Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas tem como objetivo propor, avaliar e monitorar políticas de prevenção e de enfrentamento à violência contra as mulheres do campo, da floresta e das águas.  Ao fórum compete também propor e elaborar estudos e diagnósticos sobre o fenômeno da violência contra as mulheres do campo, da floresta e das águas, e ao acesso e características dos serviços especializados, ou não, de atendimento a mulheres em situação de violência. 

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A iniciativa também busca  fortalecer a articulação entre os organismos responsáveis pelas políticas para as mulheres da União, estados e municípios, e as organizações da sociedade civil, com experiência de atuação no âmbito da pauta.

PEC do Marco 

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023 propõe incluir na Constituição Federal a tese do marco temporal, que define que os povos indígenas só terão direito à demarcação de terras se comprovarem que estavam ocupando essas áreas na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988.

Na prática, a PEC estabelece um critério fixo para a demarcação de terras indígenas, com o objetivo declarado de trazer mais segurança jurídica ao processo, reduzindo disputas e conflitos fundiários. O texto também prevê a ampliação de regras para indenização de ocupantes não indígenas considerados de boa-fé que estejam em áreas posteriormente reconhecidas como terras indígenas.

A proposta está inserida em um debate amplo sobre os direitos territoriais indígenas no Brasil. Defensores afirmam que o marco temporal cria previsibilidade e estabilidade jurídica. Já críticos argumentam que a medida pode restringir direitos, ao desconsiderar casos em que comunidades foram expulsas de suas terras antes de 1988.

Aprovada pelo Senado, a PEC ainda precisa ser analisada pela Câmara dos Deputados para entrar em vigor.

 

Fonte: Ministério das Mulheres

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