Agricultura familiar
Para Botelho, o trabalho em conjunto é a saída para romper as barreiras que dificultam o desenvolvimento dos pequenos produtores em MT
JB NEews
Por Jota de Sá
Uma guerra que vinha sendo travada há tempos entre o governo do Estado e os pequenos produtores que tinham uma grande barreira que os impediam a comercialização dos produtos produzidos oriundos da agricultura familiar por conta de um selo municipal que impedia aos agricultores de oferecer sua produção de origem animal ou vegetal no mercado estadual.
Diante dos entraves, a Assembleia Legislativa de MT (ALMT) e a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), celebraram uma parceria, e vão dar suporte técnicos aos pequenos produtores. Um projeto piloto foi desenhado para que neste primeiro momento os municípios que integram o Vale do Rio Cuiabá, possam ser atendidos pelo programa.
O Susaf dará aos pequenos produtores, a possibilidade de comercializarem seus produtos de origem vegetal. Onde as prefeituras possam certificar os produtos da agricultura familiar, sem precisar da autorização do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT).
Para o deputado Eduardo Botelho entusiasta do programa, “A integração de forma horizontal e descentralizada, serviços de inspeção municipal, levará em consideração os parâmetros técnicos, métodos de controles, e as boas práticas da fabricação, garantindo qualidade, sanidade, e dando a identidade aos produtos produzidos em MT, buscando redução dos índices de informalidade, e clandestinidade fortalecendo ainda mais a economia dos munícipios”.
Para adesão ao programa, é necessário a apresentação de documentos técnicos, que passam pelo crivo da Secretaria Estadual de Agricultura Familiar (SEAF). Este processo se demonstra tão minucioso, que atualmente, apenas 03 (três) municípios mato-grossenses conseguiram aderir ao Sistema. O Susaf é o sistema que garante a equivalência dos Serviços de Inspeções Municipais.
Neste primeiro momento, dos 14 municípios da Baixada, seis já receberam a equipe para orientação dos procedimentos técnicos. Para Botelho se faz necessário facilitar a vida dos pequenos produtores. E que a ALMT irá trabalhar em parceria com a AMM, a Secretaria de Agricultura Familiar, e a Empaer para garantir assistência, ajudando a desenvolver a economia gerando emprego e renda para o cidadão. E reconheceu a importância do projeto desenvolvido pela AMM, em parceria com consórcios intermunicipais para desenvolver a agricultura familiar.
“Temos procurado facilitar a vida dos pequenos e não tem sido fácil. A Assembleia está pronta para trabalhar com a AMM, Secretaria de IMG_4365Agricultura Familiar e Empaer para garantir assistência aos pequenos municípios” Disse.
Veja o Vídeo:
Agricultura familiar
Sérgio Ricardo anuncia plano para enfrentar crise na agricultura familiar da Baixada Cuiabana
| Crédito: Tony Ribeiro/TCE-MT |
| Presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, recebeu o presidente do Sinterp-MT, Gilmar Brunetto. Clique aqui para ampliar |
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, anunciou a elaboração do plano de metas “Mato Grosso 2050”, que deverá orientar políticas para o desenvolvimento regional e a redução de desigualdades. Entre as prioridades está o fortalecimento da agricultura familiar na Baixada Cuiabana, tema discutido nesta segunda-feira (16) com representantes do setor.
“É um plano de políticas de Estado. Uma das metas é o desenvolvimento da Baixada Cuiabana, que vive na extrema miséria e não tem sequer energia elétrica trifásica”, explicou o presidente. “Nessa discussão tem que ter a viabilidade do negócio, tem que ter casa, energia e água”, completou.
Para aprofundar o debate, Sérgio Ricardo sugeriu ainda a realização de uma mesa técnica. “Hoje a agricultura familiar está caminhando para o fim. Isso é péssimo e vai gerar ainda mais desemprego. O desenvolvimento e a sobrevivência de Mato Grosso passam diretamente pela agricultura familiar.”
Na região da Baixada Cuiabana, que conta com cerca de 35 mil famílias de pequenos produtores, o trabalho pode ampliar a produção, melhorar o abastecimento no estado e garantir a permanência de novas gerações no campo. Foi o que explicou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Pública de Mato Grosso (Sinterp-MT), Gilmar Brunetto.
“A grande maioria de quem está no campo hoje são agricultores e agricultoras acima de 65 anos, que em cinco ou seis anos não vão ter mais força. Qual o programa que o estado tem para levar o jovem para o campo? O jovem só volta se tiver renda”, disse ao alertar para o risco de extinção da atividade.
Na ocasião, Brunetto também apontou o sucateamento de centros de pesquisa e a redução de investimentos em extensão rural. “Se não mudarem essa política, num curto espaço de tempo vai ficar igual está a agricultura empresarial, na mão de poucos”, afirmou.
Estado de contrastes
A combinação entre envelhecimento, falta de oportunidades no campo e baixa produtividade em áreas da Baixada Cuiabana tem provocado o deslocamento de famílias para as áreas urbanas de Cuiabá e Várzea Grande. “Essa questão da miserabilidade da Baixada Cuiabana tem que ser encarada com seriedade. O que a Baixada está produzindo hoje são favelas”, avaliou Sérgio Ricardo.
Esse cenário expõe os contrastes socioeconômicos no estado, onde o agronegócio alcança altos níveis de produtividade e geração de riqueza. “Nós temos vários estados dentro de Mato Grosso. Temos o estado do agronegócio, o estado dos minerais, do ouro e do diamante, e o estado da pobreza. São três estados que nós temos aqui, no mínimo”, disse.
Ação conjunta
De acordo com o presidente, a elaboração do plano contará com o suporte de universidades, associações e representantes do setor produtivo na formulação das diretrizes. “Nós estamos reunindo ideias e discutindo esse plano de metas que vamos colocar na mesa para os futuros gestores do Estado e dos municípios, para que a agricultura familiar tenha investimento firme.”
Além de investimentos em pesquisa e infraestrutura, as alternativas debatidas nesta etapa incluem a irrigação na região, com o aproveitamento de água do reservatório de Manso. “Nós temos muitas potencialidades e o mundo precisa de comida. Se cada agricultor tiver meio hectare irrigado ele sobrevive desde que ele produza produtos que agregam valor e possam ser comercializados”, concluiu Brunetto.
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