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PM aposentado tentou esconder celular em banheiro durante operação da PF em MT

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por Alisson Gonçalves

O policial militar aposentado Dejair Silvestre dos Santos tentou esconder o próprio celular no banheiro da casa do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves durante uma operação da Polícia Federal (PF) em Primavera do Leste, a 234 km de Cuiabá.

O caso aconteceu na última sexta-feira (3), durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão da Operação Sisamnes, que apura um esquema de compra de decisões judiciais em tribunais superiores.

De acordo com o relatório da PF, os agentes chegaram ao condomínio por volta das 6h da manhã e encontraram Dejair na garagem da residência.

Assim que percebeu a chegada da viatura, o militar saiu correndo, subiu as escadas e tentou esconder o celular em um compartimento embaixo da pia do banheiro.

Durante a busca, o policial negou ter um telefone, mas os agentes localizaram o aparelho minutos depois.

“O celular estava bem escondido em um compartimento sob a pia, e ao tocar nele apareceu a foto de Dejair”, relatou o agente Jefferson Coutinho Júnior, que participou da ação.

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A tentativa foi interpretada como obstrução de investigação, já que o alvo da operação era o lobista Andreson, investigado por intermediar decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e de outros tribunais. Além do celular, a PF apreendeu uma pistola calibre .380, 34 munições e dois carregadores com o militar aposentado.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, afirmando que Dejair atuava como segurança armado do lobista e poderia integrar a organização criminosa. O pedido foi aceito pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na decisão, Zanin afirmou que o comportamento de Dejair demonstra risco à investigação. “A ação de tentar suprimir elementos de prova, aliada ao fato de se tratar de segurança armado com formação policial militar, justifica a medida extrema”, escreveu o ministro.

Em nota, o advogado de defesa Lucas Curvo Figueiredo negou que o cliente tenha tentado obstruir a investigação. “A defesa respeita a decisão, mas dela discorda. O investigado permanece à disposição da Justiça e confia no pleno esclarecimento dos fatos”, afirmou.

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Polícia Federal

Ex-assessor de ministras preso pela PF vazou informações sigilosas e monitorava delegado em esquema com lobista de MT

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Por Emerson Teixeira

 

Ex-assessor é preso após monitorar delegado e vazar decisões judiciais em esquema milionário de corrupção

A prisão de Márcio José Toledo Pinto, realizada pela Polícia Federal no fim da tarde desta terça-feira (31), elevou o nível de gravidade das investigações da Operação Sisamnes e revelou novos elementos sobre um suposto esquema de corrupção e venda de decisões judiciais em instâncias superiores. Apontado como peça-chave na engrenagem criminosa, o ex-assessor é acusado de receber cerca de R$ 4 milhões do lobista Anderson de Oliveira Gonçalves para manipular informações e atuar em processos de interesse privado.

A nova ordem de prisão preventiva foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, após a Polícia Federal apresentar indícios adicionais colhidos a partir da análise do celular do investigado. Inicialmente, o pedido de prisão temporária havia sido negado, mas o avanço das investigações levou à decretação da medida mais rigorosa.

Um dos pontos mais graves identificados pela Polícia Federal foi o monitoramento de um delegado responsável pelo caso. O próprio investigador percebeu que estava sendo seguido, realizou a abordagem e identificou Márcio. Para os agentes, a conduta configura tentativa de obstrução das investigações.

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Segundo relatos, o ex-assessor alegou que apenas acompanhava o delegado porque ele estaria utilizando um veículo apreendido, justificativa que não convenceu os investigadores.

De acordo com relatório enviado ao STF, Márcio foi indiciado por violação de sigilo funcional e corrupção passiva. As investigações apontam que ele produziu minutas e decisões com base em jurisprudências para atender interesses de terceiros, além de vazar informações sigilosas de gabinetes ligados a tribunais superiores.

Márcio já havia sido alvo de busca e apreensão na primeira fase da Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024. Ele atuou nos gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti.

As quebras de sigilo bancário indicaram que o lobista teria repassado cerca de R$ 4 milhões ao investigado por meio de uma empresa em nome da esposa de Márcio, reforçando a suspeita de pagamento por favorecimento em decisões judiciais.

Apesar da gravidade do caso, o novo relatório elaborado pelo delegado José Heloíse dos Santos Neto aponta que não há, até o momento, indícios de participação de ministros de tribunais superiores no esquema.

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A defesa do investigado ainda não se manifestou. Em declarações anteriores, Márcio negou envolvimento nas irregularidades.

A prisão aprofunda a crise envolvendo suspeitas de corrupção no Judiciário e coloca sob pressão um dos esquemas mais sensíveis já investigados pela Polícia Federal nos últimos anos.

 

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