Destaque
Para Procurador Deosdete Cruz conversas de advogados com faccionados devem gravadas dentro dos presídios
JB News
Por Alisson Gonçalves
O procurador do Ministério Público de Mato Grosso, Deosdete Cruz, pediu medidas mais rígidas no combate às facções criminosas que atuam dentro do sistema penitenciário.
Durante evento com autoridades locais, ele afirmou que o enfrentamento ao crime organizado exige ferramentas mais eficazes, criticando a desvantagem no combate a faccionados com o Código Penal da década de 40.
Cruz destacou a crescente atuação das facções, que utilizam táticas de guerrilha, extorsão e cobrança paralela de taxas dentro dos presídios.
Ele mencionou o problema da comunicação entre os criminosos e seus advogados, sugerindo que as conversas entre advogados e membros de facções sejam gravadas, em prol da segurança pública e da sociedade.
“O advogado que está atendendo um faccionado tem que ter a sua conversa gravada para o bem da sociedade”, afirmou Cruz.
Além disso, o procurador lamentou o lento andamento dos processos e as penas brandas, ressaltando que, apesar dos esforços das instituições, os criminosos continuam a comandar atividades ilícitas de dentro das prisões, muitas vezes com o auxílio de advogados, que, segundo ele, agem como “pombos correios do crime”.
Deosdete Cruz parabenizou o Governador Mauro Mendes pelo enfrentamento da questão e se comprometeu a colaborar ativamente com o comitê estadual para buscar soluções eficazes para este grave problema.
Destaque
Acordo de R$ 30 milhões abre caminho para salvar a Santa Casa e encerrar dívida histórica

O governador Mauro Mendes e o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo Crédito – Mayke Toscano/Secom
JB News
por Nayara Cristina
A proposta de R$ 30 milhões apresentada pelo Governo de Mato Grosso para a aquisição definitiva do prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá foi aceita pela comissão de credores e pode representar o avanço mais concreto dos últimos anos para encerrar um passivo trabalhista que se arrasta há quase uma década. A sinalização favorável no processo que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região reacende a esperança de um desfecho para uma das crises mais emblemáticas da saúde pública mato-grossense.
O entendimento foi consolidado após meses de negociação entre o Estado e os representantes dos trabalhadores. A proposta inicial, de R$ 25 milhões, foi ampliada para R$ 30 milhões à vista pelo então secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, em ofício encaminhado ao TRT em março. O pagamento imediato foi determinante para a concordância dos credores, que convivem há anos com a incerteza sobre o recebimento de verbas rescisórias e outros direitos acumulados.
O passivo trabalhista da antiga Santa Casa é estimado entre R$ 41 milhões e R$ 43,7 milhões e atinge cerca de 860 ex-funcionários, muitos deles à espera de uma solução desde o fechamento da unidade, em 2019. A dimensão da dívida tornou o caso símbolo da crise estrutural enfrentada por um dos hospitais mais tradicionais de Mato Grosso.
O tamanho do impasse ficou ainda mais evidente nas tentativas frustradas de leiloar o prédio histórico. A Santa Casa foi colocada à venda judicial em duas ocasiões no ano passado: na primeira, com lance mínimo de R$ 54,7 milhões, equivalente a 70% da avaliação do imóvel; na segunda, com valor reduzido para R$ 39,1 milhões. Em nenhuma das tentativas houve interessados. O fracasso dos leilões reforçou a dificuldade de encontrar uma saída viável para o prédio e para os trabalhadores que aguardam reparação.
Fundada no século XIX, a Santa Casa de Cuiabá se tornou ao longo de décadas uma referência em atendimentos de média e alta complexidade e símbolo da assistência hospitalar em Mato Grosso. O prédio carrega valor histórico, social e afetivo para a população cuiabana, o que torna ainda mais sensível qualquer decisão sobre seu destino.
Mais do que uma solução financeira, a proposta do Estado abre caminho para reposicionar a unidade dentro da rede pública de saúde. O plano do governo prevê manter serviços estratégicos já existentes, como oncologia, nefrologia, cirurgias e atendimentos ambulatoriais, além de ampliar áreas consideradas prioritárias, como cuidados paliativos, home care, hospital-dia, central de diagnósticos e o Serviço de Verificação de Óbito.
A reestruturação projetada busca transformar a Santa Casa em um polo estadual de atendimento especializado, ajudando a desafogar a rede hospitalar da capital e da Baixada Cuiabana. Se o acordo for homologado e a compra for concluída, Mato Grosso poderá não apenas encerrar um longo capítulo de insegurança jurídica e trabalhista, mas também preservar um patrimônio centenário e devolvê-lo à população com uma nova função estratégica no SUS.
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