OPINIÃO

Natal: Um convite à renovação interior

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Por Max Russi

Neste tempo de Natal, somos convidados a uma reflexão profunda sobre o verdadeiro significado desta data que transcende as luzes, os presentes e as celebrações materiais. O Natal não é apenas uma comemoração no calendário, mas um convite permanente à transformação interior e ao renascimento espiritual.

Quando lembramos o nascimento de Jesus numa humilde manjedoura, somos chamados a compreender uma lição fundamental: a grandeza não está no exterior, mas na luz que cultivamos dentro de nós. Aquela manjedoura em Belém representa cada um de nossos corações, onde diariamente deve nascer o Cristo – o ser de luz, a consciência desperta para o amor e a caridade.

Os ensinamentos de Jesus são um farol para nossa evolução espiritual. Através de sua vida e exemplo, Ele nos mostrou que o caminho da verdadeira realização está na prática do bem, na humildade, na fraternidade e no amor ao próximo. Não veio ao mundo em palácios, mas escolheu a simplicidade para nos ensinar que os valores essenciais independem de riquezas materiais.

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Proponho que olhemos além do consumismo que tem dominado esta data sagrada. Que possamos celebrar não com o acúmulo de bens, mas com o compartilhamento de afeto, tempo e presença. O presente mais valioso que podemos oferecer é nossa capacidade de amar, de estender a mão, de enxergar no outro a mesma luz divina que habita em nós.

Os ensinamentos de Jesus sobre compaixão, perdão e amor incondicional permanecem atuais e necessários. Cada gesto de bondade, cada palavra de conforto, cada ação em prol do bem comum é uma forma de fazer nascer o Cristo em nosso dia a dia.

Que este Natal seja um marco de renovação interior. Cultivemos os verdadeiros valores desta celebração: a humildade de reconhecer nossa humanidade, a caridade de partilhar o que temos, o amor que transforma e une, e a fraternidade que nos faz verdadeiramente irmãos.

Façamos da manjedoura de nossos corações um berço onde a luz possa nascer e renascer a cada dia, iluminando não apenas nossas vidas, mas também o caminho daqueles que cruzam nossa jornada. Este é o Natal que vale a pena celebrar – aquele que nos transforma e nos aproxima da essência dos ensinamentos de Jesus.

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Que possamos viver o Natal todos os dias, com amor sincero, desprendimento material e compromisso com a evolução espiritual. A verdadeira celebração acontece quando permitimos que a luz de Cristo renasça continuamente em nossos corações, guiando-nos na prática do bem e na construção de um mundo mais fraterno e justo.

Este é meu desejo e convite para todos nós: que façamos do Natal uma experiência diária de renovação, onde o nascimento do Cristo interior nos inspire a ser instrumentos de paz, amor e esperança em nossa comunidade e no mundo.

Feliz Natal!

Crédito: Max Russi, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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Distrito do Sucuri: princesinha de Cuiabá

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*KAENE ALMEIDA

O Distrito do Sucuri é mais do que um simples pedaço do mapa de Cuiabá. É um lugar onde a história, a cultura e a natureza se entrelaçam, formando a verdadeira essência da identidade cuiabana. Em seus caminhos e memórias repousam as antigas olarias que, tijolo por tijolo, ajudaram a construir as casas que abrigam gerações.

Meu avô foi oleiro e, por isso, conheço de perto o valor dessa arte que molda não apenas o barro, mas também a alma do nosso povo.

As olarias do Sucuri eram o coração pulsante da construção local. Com mãos habilidosas e dedicação incansável, os oleiros fabricavam tijolos que sustentaram não apenas paredes, mas sonhos, histórias e tradições. Esses tijolos carregam, em suas texturas, a memória da nossa cidade, a conexão com a terra e o trabalho digno dos nossos antepassados. Preservar essa herança é essencial para que as futuras gerações compreendam suas raízes e sintam orgulho de quem são.

Ao lado desse legado, corre majestoso o rio Cuiabá, que há séculos abraça o distrito com suas águas generosas. O rio não é apenas um recurso natural, é um símbolo vivo de vida, fertilidade e continuidade. Suas margens foram palco de encontros, festas e celebrações que atravessam o tempo, mantendo viva a relação entre o homem e a natureza. É impossível pensar no Sucuri sem sentir o pulsar desse rio que o envolve.

E foi justamente às margens do rio Cuiabá que também se construiu um dos maiores símbolos de fartura e sobrevivência do povo do Sucuri. Dali vinham as piquiras, pequenos peixes que, nas mãos sábias da comunidade, eram muito mais do que alimento. Elas eram fritas e transformadas em gordura, um verdadeiro tesouro da época.

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Essa gordura se tornava moeda de troca. Em tempos em que não havia transporte, quando ônibus não existiam e carros eram raridade, o povo caminhava longas distâncias, muitas vezes a pé, levando consigo aquilo que produziam com esforço e sabedoria. Seguiam rumo à baixada, aos distritos da Guia, de Baús e às redondezas, onde trocavam esse alimento por outros mantimentos.

Era um tempo de resistência, de coletividade e de inteligência popular, em que a escassez era enfrentada com criatividade e a sobrevivência nascia da união entre os povos. Esse sistema de trocas não era apenas uma necessidade: era um elo entre comunidades, um movimento que fortalecia laços e mantinha viva a dignidade de quem vivia da própria terra e do próprio rio.

O Distrito do Sucuri possuía dois principais meios de renda:

a pesca, favorecida pelo rio Cuiabá, que banha a região;
a olaria, atividade que também se destacava como importante fonte econômica local.

O distrito era conhecido por suas festas e pela fartura à mesa, características marcantes de uma comunidade acolhedora e generosa. As festas de santo sempre tiveram papel central, perpetuando-se na história e mantendo viva a tradição cultural do povo.

Falando em celebrações, as festas tradicionais de junho, dedicadas a São João Batista e Nossa Senhora de Aparecida, são momentos de fé, união e pertencimento. Mais do que eventos, essas celebrações são manifestações vivas da cultura, onde se preservam as crenças, os sabores e as cores da nossa terra. Entre danças, comidas típicas e rezas, o espírito do Sucuri se revela em sua forma mais pura e inspiradora.

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Nos últimos cinco anos, o Distrito do Sucuri ganhou um novo motivo de orgulho: o restaurante Maria Izabel. Com sua proposta de valorizar a culinária regional, o Maria Izabel não apenas serve pratos, ele resgata memórias, exalta tradições e fortalece a identidade cuiabana. O reconhecimento nacional, com o peixe premiado pela Abrasel, comprova a riqueza e o talento da gastronomia local. O restaurante se torna, assim, um elo entre o passado e o presente, uma ponte viva entre tradição e contemporaneidade.

No entanto, diante de tantas transformações, o Sucuri enfrenta um desafio importante: a crescente instalação de condomínios que, muitas vezes, surgem desconectados da história e da essência do lugar. Não é raro que novos moradores desconheçam o significado das ruas, das casas e até do próprio nome do distrito. Essa desconexão pode enfraquecer aquilo que torna o Sucuri único. Por isso, torna-se fundamental valorizar, preservar e transmitir nossa cultura, nossas histórias e nosso modo de viver.

O Distrito do Sucuri é uma joia que merece ser cuidada com amor, consciência e respeito. Ele nos ensina que a verdadeira riqueza está nas nossas raízes: no trabalho dos oleiros, na força do rio, nas festas que celebram nossa fé e nas mesas fartas que traduzem nossa identidade.

Que possamos seguir construindo, tijolo por tijolo, uma comunidade que honra o seu passado enquanto caminha com dignidade rumo ao futuro.

*Kaene Almeida é cuiabana, gastróloga, nascida e criada no berço cultural da gastronomia cuiabana.*

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