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MT iniciou a colheita de soja antes da virada do ano

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Por Karla Neto

Mato Grosso, deu início à colheita da safra 2024/25, ainda na segunda quinzena de dezembro, mantendo a tradição de iniciar o processo antes da virada do ano.

A colheita inicial ocorre em área pontual, a maior parte em hectares com pivô (irrigação) – em áreas localizadas em Sapezal e Querência.
Para o ano de 2025 em Mato Grosso, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), projetou uma área de soja para a safra 2024/25 em 12,66 milhões de hectares (ha), o que representa um aumento de 1 ,47% em relação à safra anterior.

Até dezembro, último monitoramento realizado pelo Imea, as atividades de soja apresentaram condições dentro do esperado. “Diante desse cenário, o Instituto projeta a produtividade em 57,97 sc/ha, alta de 11,15% ante à safra anterior.

Para a produção, está estimado um crescimento de 12,78%, alcançando 44,04 milhões de t. Quanto à comercialização, até novembro, 41,09% da safra foi negociada, com avanço de 3,85 pontos percentuais (pp) em comparação com a safra passada, o que reflete um cenário otimista para a produção na temporada. Por fim, de acordo com os modelos estatísticos utilizados pelo Imea, a exportação deverá atingir 26,91 milhões de toneladas, um aumento de 7,80% em relação à safra anterior.

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Em 2024, a safra 2023/24 de soja foi consolidada com uma área de 12,48 milhões de ha, produtividade de 52,16 sc/ha e produção total de 39,05 milhões de toneladas. A redução na produção foi reflexo do intenso El Niño, que superou as deficiências de chuvas e altas temperaturas, comprometendo o potencial de produtividade das plantas.

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Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro

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A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.

O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.

O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.

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Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.

Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.

No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.

O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.

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O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.

Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.

Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.

Fonte: Pensar Agro

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