OPINIÃO

Misturando o joio com o trigo

Por Luciano Vacari

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A União Europeia tem buscado impor restrições aos produtos oriundos de regiões ou mesmo de propriedades que possam ter alguma relação com o desmatamento. Ainda que muitos tenham a percepção que isso se intensificou nas últimas semanas, especialmente após a COP-26, esse é um movimento que tem ocorrido desde que as taxas de desmatamento do Brasil passaram a aumentar.

Como mencionado várias vezes pela ministra Tereza Cristina, depois da assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, as críticas contra o Brasil se intensificaram. E é natural. O Brasil, apesar dos seus inúmeros desafios, é muito competitivo na produção de alimentos, fibras e bioenergia. É esperado que, especialmente produtores europeus, se sintam ameaçados com a produção brasileira. Isso vai ocorrer mesmo.

Porém, o Brasil poderia tirar essas críticas e qualquer mecanismo de proteção comercial “de letra”. Poderia dar um show. Com números e fatos. A maior parte do país é destinada à conservação da vegetação nativa, a agropecuária de baixa emissão de carbono não para de crescer, a produção é movida à ciência, sendo a Embrapa uma das marcas mais reconhecidas do mundo.

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No entanto, tudo isso perde força frente às crescentes taxas de desmatamento. E quem ganha com o desmatamento? O agro, com certeza não. Mais do que as barreiras comerciais, corremos o risco ainda de colocar em xeque algo que demorou muitos anos para se concretizar: o Código Florestal. Já existe compradores que não querem mais diferenciar o legal do ilegal. Quanta luta houve para essa separação.

O Brasil tem perdido o jogo para ele mesmo. As ilegalidades privilegiam apenas um pequeno grupo. Estudo recente do MapBiomas aponta que apenas 2% dos produtores legais realizaram desmatamento em suas propriedades. Assim, existem no país quase cinco milhões de famílias que produzem corretamente e que estão sendo prejudicadas pelas ilegalidades.

Nesse contexto, os clientes do Brasil querem saber a origem dos produtos. Se o desmatamento não fosse um problema, talvez toda essa pressão sequer acontecesse.
A rastreabilidade vai ter que acontecer. Ela pode vir em um modelo europeu. Ou ela pode ser construída por brasileiros, por produtores rurais, por universidades, pela Embrapa, pelo terceiro setor que atua no Brasil. Mas ela precisa considerar as nossas peculiaridades. Ao não assumir esse desafio, corremos o risco de receber um modelo imposto pela Europa.

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Ela pode ser construída de maneira lenta, gradual e segura. De modo que todos os produtores rurais sejam incluídos e capacitados no processo. Ou, como tudo está indicando, ela será top-down. Quem se adaptar fica, quem não se adaptar vende para mercados que pagam menos.

O agronegócio brasileiro tem que ser o primeiro a levantar a bandeira contra o desmatamento ilegal, a favor do código florestal e para demonstrar aquilo que faz com muita facilidade: conservar e produzir.

Vivemos em cadeia. A agroindústria não vai perder seus clientes. Ou os produtores rurais farão parte dessa conversa e a construção será conjunta. Ou, em pouco tempo, receberão um modelo a seguir. É isso que queremos? O joio está misturado com o trigo.

*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria

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OPINIÃO

Novas obrigações do eSocial

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Artigo: Novas obrigações do eSocial (Fase 4)

Por David Santos

Informações sobre “Segurança e Saúde no Trabalho” (SST). O eSocial (Sistema Simplificado de Escrituração Digital das Obrigações Previdenciárias, Trabalhistas e Fiscais), foi criado em 2014 pelo Decreto nº 8.373/14, para que os empregadores comuniquem ao Governo, de forma unificada, as informações relativas aos trabalhadores, como vínculos, contribuições previdenciárias, folha de pagamento, comunicações de acidente de trabalho, aviso prévio, escriturações fiscais e informações sobre o FGTS.
Este sistema vem sendo implementado desde sua criação a partir de um cronograma constante na Portaria Conjunta SEPRT/RFB nº 71/21, subdividido em grupos de empregadores e prazos por fases para que o enquadramento ocorresse aos poucos, para evitar grandes alterações na vida dos empregadores.
Neste ano, a partir de 10/01/2022, conforme cronograma, todas as empresas privadas e pessoas físicas (empregadores e contribuintes), estão obrigadas a enviar através do eSocial, os eventos relativos à Fase 4,que trata da “SegurançaeSaúdenoTrabalho”(SST).
Esta nova obrigatoriedade irá substituir o envio ao Ministério do Trabalho, por meio físico, da “Comunicação de Acidente do Trabalho”(CAT)e o“Perfil Profissiográfico Previdenciário”(PPP).
Mensalmente o Departamento Pessoal da empresa ou do escritório de Contabilidade passa a ser obrigado a enviar três eventos que fazem parte desta nova fase:
1) S-2210 – Comunicação de Acidente de Trabalho- CAT (empregador doméstico fica obrigado a enviar apenas este evento);
2) S-2220 – Monitoramento da Saúde do Trabalhador;
3) S-2240 – Condições Ambientais do Trabalho – Agentes Nocivos.

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A seguir detalhamos os eventos, para melhor compreensão:
1) S-2210: CAT (Comunicação de acidente de trabalho)
A Comunicação de Acidente do Trabalho(ou doença), é utilizado para comunicação de acidentes de trabalho, mesmo quando não há afastamento do trabalhador de suas atividades laborais. O prazo de envio deste evento é até o 1º (primeiro)dia útil após o acidente,e em caso de morte, deve ocorrer no mesmo dia.
Este evento é composto pelas seguintes informações:
a) CATINICIAL;
b) CATREABERTURA;
c) CATÓBITO;
d) Doençasocupacionais,decorrenteaatividadeexercida(lançarcomadatadeconclusãomédica).

2) S-2220:Monitoramento da Saúde do Trabalhador
Este evento detalha as informações relativas ao monitoramento da saúde de cada trabalhador(avaliações clínicas), durante todo o vínculo laboral com seu empregador.
Para empresas abertas recentemente ou que nunca atenderam esta obrigatoriedade, recomendamos o mais breve possível providenciar a realização dos seguintes procedimentos:
a) PCMSO (Programa de controle médico e saúde ocupacional),
b) PPRA (Programa de prevenção de riscos ambientais) e
c) LTCAT (Laudo técnico das condições ambientais).
Não se confunde com o atestado médico, os exames de monitoramento são os exames clínicos, feitos nas clínicas de medicina do trabalho, e são as avaliações clínicas necessárias para informar no eSocial, sendo composto pelos seguintes exames:
a) Exame Admissional;
b) Exame Periódico;
c) Exame Troca de função;
d) ExameDemissional;
e) Exame de retorno ao trabalho.

3) S-2240:Condições ambientais de trabalho–Agentes Nocivos.
Neste primeiro momento os empregadores estão obrigados a providenciar Laudo Médico junto à clínica de medicina do trabalho de sua preferência, e, quando houver alteração informar ao Departamento Pessoal ou Escritório de Contabilidade dentro do prazo de envio que é todo dia 15 de cada mês.
Este evento enviará informações sobre a exposição a fatores de risco com agentes nocivos e registrar as condições ambientais de trabalho.
Tais informaçõesserãoutilizadasprincipalmente pelaprevidência social,poishavendoexposição a condições insalubres,as mesmas serãocontadasparaaposentariaespecial do trabalhador.

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A respeito dos Microempreendedores Individuais (MEI) com 1 (um) empregado, dos pequenos produtores rurais, pescadores artesanais e outros segurados especiais, existe a versão simplificada do eSocial, com acesso a partir do site do eSocial (https://www.gov.br/esocial/pt-br), que dá um tratamento diferenciado, simplificado e favorecido.
Todas as empresas privadas que contrataram a partir de 1 (um) colaborador, passam a ser obrigadas ao envio das informações ao eSocial e devem procurar uma clínica de medicina do trabalho, médico do trabalho ou técnico de segurança no trabalho, para cuidar da vida laboral de cada funcionário e saber a periodicidade sobre os exames de cada colaborador.
O prazo para transmissão do eSocial atendendo à obrigatoriedade dos exames é até o dia 15 de cada mês. Sendo que o primeiro prazo para transmitir o eSocialserá até dia 15/02/2022.
Fontes:
Portaria Conjunta SEPRT/RFB/ME Nº 71/21 <https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-conjunta-seprt/rfb/me-n-71-de-29-de-junho-de-2021-329487308>;
Portaria/MTP Nº 313/21 <https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria/mtp-n-313-de-22-de-setembro-de-2021-346761586>
Manual de Orientação do eSocial <https://www.gov.br/esocial/pt-br/documentacao-tecnica/manuais/mos-s-1-0-consolidada-ate-a-no-s-1-0-07-2021.pdf>

 

*David F. Santos é Consultor Empresarial e Tributário na empresa “Lucro Real Consultoria Empresarial” (www.lucrorealconsultoria.com.br). E-mail: contato@lucrorealconsultoria.com.br*

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