AGRONEGÓCIOS
Governo de MT revoga lei que cobraria taxa por animal transportado no estado
Fórum Agro MT e ALMT articulam e governo revoga lei que cobraria taxa por animal transportado no estado
Projeto de autoria do deputado estadual Dilmar Dal Bosco derrubou cobrança de taxa sobre transporte de bovinos e bubalinos em Mato Grosso
A ação conjunta entre as instituições que representam o agronegócio mato-grossense e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), resultaram na revogação dispositivo da Lei de Defesa Sanitária (nº 1.0486 de 28/12/16), que previa a cobrança de uma taxa para pecuaristas a partir da retirada da vacina contra febre aftosa. A lei nº 12.004 de 10 de janeiro de 2023, que derrubou a cobrança da taxa é de autoria do deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União Brasil) e foi publicada no Diário Oficial que circulou na quarta-feira (11).
A taxa seria cobrada a cada movimentação de animais das espécies bovina e bubalina, no valor de 0,01 UPF (cerca de R$2,22) por cabeça, diretamente na Guia de Transporte Animal (GTA), à exceção dos que fossem encaminhados para o abate.
Para o presidente do Fórum Agro MT, Itamar Canossa, a cobrança dessa taxa basicamente puniria os produtores pelo bom trabalho realizado dentro das propriedades que ajudaram na erradicação da febre aftosa no estado.
“Para se ter uma ideia do que representaria essa taxa que foi revogada, o valor cobrado por cabeça a cada transporte era maior que o da vacina. Então, o produtor, que foi extremamente diligente e responsável com a vacina e com a erradicação da aftosa, passaria a ter um custo maior do que o anterior. Um contrassenso. Foi por isso que o Fórum Agro MT, a pedido da ACRIMAT, buscou uma solução para o problema e iniciou uma série de reuniões com o INDEA, com a SEDEC, tendo o Secretário César Miranda entendido o problema e nos ajudando muito nos debates com a ALMT, sobretudo com o deputado, Dilmar Dal Bosco, que apresentou o projeto e trabalhou com afinco para que fosse aprovado e convertido em Lei”.
Fez parte das tratativas para a revogação dessa taxa que se criasse uma fonte de recursos para que o Instituto Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) promova a fiscalização após a retirada da vacina. “Fizemos o pedido para que parte dos recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) fosse direcionado para o Indea para substituir essa taxa. Com apoio do secretário César Miranda, e empenho do Dilmar Dal Bosco foi possível essa alteração, e agora o Indea terá garantido recursos para os trabalhos de fiscalização no Estado”, pontuou.
O deputado estadual Dilmar Dal Bosco comemorou a revogação da taxa e afirmou que a mudança é uma vitória para todo o setor. “É um alívio para o bolso dos pecuaristas de MT. Me dediquei muito neste projeto, junto com o Fórum Agro, Aprosoja, Acrimat, e os colegas parlamentares, agradeço principalmente ao governador Mauro Mendes e ao governador em exercício Otaviano Pivetta, que entenderam a importância da retirada desta taxa para todos os pecuaristas de MT. É uma vitória muito importante para a classe”, disse.
Segundo o diretor-presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior, tal cobrança criaria um ônus aos produtores de cerca de R$ 50 milhões por ano. “Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do Brasil, com quase 33 milhões de animais, e a grande movimentação de animais no território estadual causaria um enorme impacto financeiro. Pedimos ajuda a vários parceiros e parlamentares, que compreenderam nossa demanda, inclusive o governador, e conseguimos que essa cobrança não entrasse em vigor”, afirmou.
AGRONEGÓCIOS
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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