OPINIÃO

Acredite, gerenciar redes sociais não é tão simples

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Por Adriele Rodrigues

Este artigo é para as pessoas que querem saber mais do mundo dos negócios nas redes sociais, e, mais ainda, para aqueles que querem seguir a carreira de social media, ou, como prefiro dizer, gerenciador de redes sociais. O termo gerenciar descreve muito bem o trabalho que está por trás de uma rede social pública, é planejamento, atualização, monitoramento e discurso.

Realmente não é simples como muitos profissionais acreditam. Primeiro que lidar com redes sociais significa posicionamento, tanto do que se é, quanto do que não é, e isso é extremamente delicado. A boa notícia é que, se bem construído, o posicionamento ajuda a estreitar seu nicho de mercado e facilita a construção de conteúdo.

E aqui chegamos a um ponto essencial, construir conteúdo. No mundo da comunicação existe uma frase que diz: “quem não é visto, não é lembrado”, fala essa que se encaixa perfeitamente com as redes sociais. Quando alguém precisa pesquisar um negócio ou um profissional, uma das fontes usadas é a rede social. Se você ou sua empresa não está lá, você não existe, não é confiável ou está ultrapassado. Exagerado? Talvez, mas é o que acontece rotineiramente.

Ter uma rede social é essencial para um negócio hoje em dia, mas também apenas tê-la não fecha a equação da visibilidade. É preciso produzir bons conteúdos e contar uma história. É muito importante pensar em um roteiro, quem é o seu negócio, como é seu discurso, o que ele representa, como ele se veste, que cor gosta, enfim, pensar no famoso branding. Sua empresa é uma pessoa na rede social.

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Parece bobagem e até teoria demais, mas vou citar um exemplo. Quando comecei a gerenciar as redes sociais do Hospital de Câncer de Mato Grosso, isso já faz quase 8 anos, a grande dificuldade era, como montar conteúdo de um assunto tão complexo como o câncer. A doença é tão temida que é comum ouvir pessoas que se recriminam apenas por chamá-la. Que personagem seria esse? O que ele falaria?

Depois de muita análise e envolvimento, observando os pacientes que percorrem o Hospital, percebemos que ali as pessoas vão para viver, ou para reaprender a viver. Ou seja, o Hospital é um dos lugares com mais sonhos, esperanças e desejos que já vi. Foi daí que surgiu a persona que fala com o público nas redes sociais, uma pessoa que ama cada detalhe, que comemora a flor, que gosta do presente, que ama a família e que ama agradecer. Resultado, as redes são alegres e retratam o que a gente espera de cada um que entra ali.

Esse é apenas um dos exemplos que reitera o que já disse, tudo passa por muito planejamento e o conteúdo não é construído à toa. Um conselho que posso dar, se é que posso chamar assim, é que as pessoas são muito mais próximas de outras pessoas, então o seu negócio tem que ter a “cara” de uma pessoa, literalmente. Aqueles perfis cheios de artes, sem foto e interação são frios. Por isso, o dono tem que aparecer, a equipe, o parceiro, o papagaio, enfim, uma rede social é feita de pessoas para pessoas.

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E é por isso mesmo que contar histórias tem gerado tanto engajamento nas redes sociais. E falo mais uma vez, apesar de ser pública, uma rede social precisa parecer privada, isso gera interação, proximidade e familiaridade. Ao invés de fazer uma arte do dia do médico, homenageie um médico, quer apresentar uma inovação, conte a história de alguém que usufrui da inovação, enfim, não esqueça, a sua empresa é uma pessoa tentando agradar outras, a venda ou visibilidade serão consequência.

 

E acrescento mais, lembra que falei da visibilidade? Pois então, isso não representa, necessariamente, números. O termo qualidade e não quantidade se encaixa aqui. Pense que a rede social é um álbum, que você só coleciona se for interessante e só compra as figurinhas se gostar. Ter o álbum só por ter não significa nada. A rede social é assim, só faz sentido se ancorar em quantidade, se essa estiver comprando o que você vende, seja a imagem, seja o produto.

O que de fato posso dizer é que gerenciar redes sociais é um desafio que foge da rotina. É uma arte de contar histórias e dar emoção ao mundo, muitas vezes frio, do corporativo.

Adriele Rodrigues é Doutora em Comunicação e Mediações Culturais, Assessora de Comunicação do HCanMT, Cosems/MT e Diretora de Comunicação da Xeque Mate.

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OPINIÃO

Parece que foi ontem

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Por Antônio Joaquim

Parece que foi ontem. Dia 7 de abril de 2000. A lembrança da minha nomeação ao Tribunal de Contas de Mato Grosso ainda me vem com nitidez, como se o tempo não tivesse passado com a velocidade que, hoje percebo, ele realmente passou. São 26 anos de uma jornada que começou com expectativas, desafios e um profundo senso de responsabilidade pública. Ao revisitar essa trajetória, o sentimento que emerge é uma mistura de saudosismo e gratidão. Saudosismo pelas etapas vividas, pelas pessoas que caminharam ao meu lado e pelos momentos que ajudaram a construir quem sou hoje. E gratidão pela oportunidade de servir ao Estado de Mato Grosso e o Brasil em diferentes frentes ao longo da vida pública.

Antes mesmo de chegar ao Tribunal de Contas, tive a honra de atuar no Parlamento. Primeiro como um aguerrido deputado estadual, na trincheira da oposição, inclusive durante a Constituinte Estadual. Fui o “brizolinha pantaneiro”, em referência ao guerreiro Leonel Brizola, nosso líder no PDT. Tinha como marcas de atuação a determinação e a lealdade. Aprendi desde cedo que você pode ser firme, convicto, mas precisa sempre respeitar aliados e adversários. Depois, na Câmara dos Deputados, vivi momentos especiais como deputado federal, um dos mais votados de Mato Grosso. Foram experiências que moldaram minha compreensão sobre a importância das instituições e do compromisso com o bem comum.

No Governo Dante de Oliveira, pude contribuir com políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do nosso Estado, em um período de grandes transformações estruturais em um Estado que estava quebrado, falido se o poder público pudesse falir. Fui secretário de Infraestrutura e Secretário de Estado de Educação, com letras maiúsculas. Disparado, a maior e mais inesquecível experiência, pelas marcas deixadas em minha trajetória pública. Vem desse período minha verdadeira paixão pela causa da educação pública. Eu acredito no poder transformador da educação. Transforma a si, transforma o próximo. Transforma e melhora a sociedade. Aproveito para homenagear todos aqueles que dedicam a vida ao ensino, a começar pela minha esposa Tânia, professora de carreira, minha educadora.

Mas foi no Tribunal de Contas que encontrei um espaço permanente de construção. Aqui, ao longo desses anos, fortaleceu-se em mim a convicção de que o controle externo vai muito além da fiscalização da gestão dos recursos públicos: ele é instrumento de cidadania. Por isso, sempre defendi o fortalecimento do controle social, como forma de aproximar a sociedade da gestão pública e, com a participação cidadã, retroalimentar o controle externo. O cidadão está sempre onipresente. Quando participa, fala, denuncia, cobra, transforma a vida social e impulsiona as instituições. Acredito que cidadãos bem-informados participam melhor, cobram melhor e ajudam a construir governos mais responsáveis. Impossível não lembrar de iniciativas como o projeto Consciência Cidadã, que nasceram dessa crença. Não fui pai desse projeto, mas fui padrinho, padrasto.

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Em nível nacional, tive a honra de contribuir para o desenvolvimento do sistema Tribunais de Contas. Na presidência da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, trabalhei para mudar o foco da entidade, direcionando esforços para a melhoria concreta das nossas instituições de controle externo. A Atricon, quando assumi, era uma instituição corporativa, voltada praticamente para o interesse do associado. Como os Tribunais de Contas até hoje carecem de um conselho nacional que os organiza e fiscaliza, a exemplo do CNJ para o Poder Judiciário, e o CNMP, para o Ministério Público (órgãos de controle criados pela Emenda Constitucional 40), entendi que a Atricon tinha que organizar o sistema e lutar pela melhoria dos Tribunais de Contas brasileiros.

Parece um passado longínquo, mas em 2012, existiam tribunais de ponta e muitos abaixo da linha do aceitável. Minha gestão foi um marco transformador. Falo isso pelo sem-número de homenagens que recebo constantemente por ter sido esse líder naquele momento histórico. Foi um período de intensa dedicação, do qual resultaram iniciativas estruturantes, como o Marco de Medição de Desempenho dos Tribunais de Contas, o MMD-TC, iniciado com outro nome o QATC, programa que avaliava a qualidade e agilidade dos tribunais. Atualmente, todos os 33 Tribunais de Contas se submetem a essa avaliação. Com certeza, a evolução de todos passou por esse programa.

Para essa época da minha vida, homenageio a memória do saudoso conselheiro Salomão Ribas (TCE-SC). Ele que inventou minha candidatura, em um congresso da Atricon em Belém (PA), uma ideia que teve a adesão de outros dois ícones, Thiers Montebello (TCM/RJ) e Chico Neto (TCM-BA). Disse-me Salomão, secretamente: “eu não posso, mas você, novo e pouco desconhecido, pode nos provocar um terremoto necessário”. Como desafio pouco é bobagem, aceitei fui lançado aos leões. Não custa lembrar que, diferente do CNJ e CNMP, era e ainda é a mensalidade dos associados que banca o trabalho da Atricon de melhorar instituições públicas. Por isso, fui amado, odiado, mas felizmente hoje exaltado.

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Ver, anos depois, o avanço dessas e outras ações na Atricon e em todo o Sistema Tribunais de Contas, como o Programa Nacional de Transparência Pública – minha última contribuição nacional mesmo apenas como membro da entidade, proposta de 2021 – reforça a certeza de que cada esforço valeu e continua valendo a pena. Logicamente, são conquistas que não pertencem a uma pessoa, mas a todos que acreditam na força das instituições.

No Tribunal de Contas de Mato Grosso, para além da atividade obrigatória voltada à fiscalização e o julgamento de contas públicas, uma das causas que mais têm mobilizado minha atuação é a educação pública, agora presidindo a Comissão Permanente de Educação e Cultura.  Em especial, a atenção à primeira infância e a defesa da construção de creches como política essencial para o futuro, com ajuda do Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política de Educação (GAEPE), uma iniciativa de governança colaborativa.

Cuidar das nossas crianças é, sem dúvida, o maior investimento que podemos fazer enquanto sociedade. Essa causa tem-me nutrido diariamente, em conjunto com a atuação como conselheiro ouvidor do TCE-MT. Nessa área, basta lembrar que em menos de cinco anos, como trabalho de mobilização, orientação, treinamento, conseguimos influenciar e fazer com que praticamente todos os órgãos públicos tenham criado sua Ouvidoria Pública.

Ao olhar para trás, é impossível não sentir saudade. Mas é uma saudade serena, acompanhada do orgulho pelas sementes plantadas e pelos resultados alcançados. O tempo passou — rápido, talvez até mais do que eu gostaria —, mas deixou marcas positivas, aprendizados e realizações. Se hoje parece que foi ontem, é porque cada momento vivido foi significativo. E é com esse mesmo espírito que sigo adiante, renovando o compromisso com o serviço público, com a ética e com a construção de um Estado cada vez melhor.

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