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TCE-MT lança programa para monitorar planos de combate à violência contra a mulher nos municípios

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Iniciativa busca fortalecer políticas municipais de proteção às mulheres no estado que registra a terceira maior taxa de feminicídios do país
Crédito: Tony Ribeiro/TCE-MT
O Programa TCE Pró-Mulher foi lançado em evento nesta quarta-feira. Clique aqui para ampliar

O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) garantirá suporte permanente aos municípios na elaboração e execução de planos de enfrentamento à violência doméstica, por meio do programa TCE Pró-Mulher, lançado nesta quarta-feira (11). O objetivo é assegurar o cumprimento da Lei Federal nº 14.899/2024 no estado, que hoje registra a terceira maior taxa de feminicídios do país, com 2,7 mortes para cada 100 mil mulheres.

Em 2025 foram contabilizados 53 casos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o que, para o presidente do órgão, conselheiro Sérgio Ricardo, reforça a urgência da proposta. “Este será um instrumento de transformação social. Não se trata apenas de fiscalizar, mas de orientar, induzir políticas públicas e garantir que cada município tenha metas concretas para proteger as mulheres e promover a igualdade de gênero.”

Os dados do último ano representam alta de 11% em relação a 2024, quando o estado respondia pela maior taxa nacional de feminicídios. À época, em auditoria operacional relatada pelo presidente da Comissão Permanente de Segurança Pública, conselheiro Waldir Teis, foram constatadas diversas falhas de planejamento, especialmente referentes à falta de orçamento e de articulação institucional.

Durante o evento, Teis alertou que esta lacuna pode impedir o acesso dos municípios a recursos federais destinados à proteção das mulheres. “Entes federativos sem planejamento estruturado tendem a não atender os requisitos exigidos para transferências voluntárias. Para a erradicação da violência de gênero é indispensável a coordenação institucional capaz de transformar recursos em resultados concretos.”

O programa

Crédito: Thiago Bergamasco/TCE-MT
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Presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, reforça a urgência da proposta. Clique aqui para ampliar

O TCE Pró-Mulher prevê a capacitação permanente de gestores, acompanhamento da execução das políticas públicas e incentivo à adoção de boas práticas, por meio de uma premiação anual que reconhecerá os municípios com melhores resultados. A estratégia dá continuidade às recomendações emitidas pelo Tribunal na conclusão da auditoria operacional, que incluem medidas para estruturar políticas locais de proteção.

“Não adianta identificarmos as falhas e depois cruzarmos os braços. Às vezes não podemos pedir para um município que não tem estrutura criar uma secretaria municipal da mulher que demande pessoas e recursos financeiros, mas podemos, por exemplo, criar alternativas, criar um gabinete, um departamento”, explicou a auditora pública Simony Jin, responsável técnica pela auditoria.

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Pela legislação, os planos terão vigência de dez anos e deverão ser atualizados a cada dois anos, reunindo ações integradas de prevenção, atendimento às vítimas, capacitação de profissionais e responsabilização de agressores. A norma também exige a definição de um órgão responsável pelo monitoramento e pela coordenação das políticas de enfrentamento à violência contra a mulher.

O procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Willian Brito, lembrou que a implementação de políticas de enfrentamento à violência contra a mulher será analisada nas contas anuais de governo. Em fala direcionada aos prefeitos, destacou ainda que as ações precisam sair do campo do discurso. “Essa também é uma pauta dos homens. Enquanto houver um feminicídio, nossa missão não está cumprida”, defendeu.

Rede de proteção e prevenção

Crédito: Tony Ribeiro/TCE-MT
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O evento “Estado e Sociedade: Um Pacto pela Vida e Proteção da Mulher Vítima de Violência Doméstica e Implementação da Lei nº 14.899/2024.

Os dados reforçam a importância de uma atuação em rede. De acordo com o secretário-adjunto de Integração Operacional da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), coronel PM Fernando Galindo, dos 53 feminicídios registrados em Mato Grosso em 2025, 80% das vítimas não tinham nenhuma denúncia anterior e 87% não possuíam medida protetiva.

“A questão da mulher, há algum tempo, deixou de ser apenas um viés da segurança pública. Nós sabemos disso e por esse motivo o gabinete vai atuar de forma intersecretarial, envolvendo segurança pública, saúde, assistência social e educação, para que possamos enfrentar o problema na base”, explicou.

Diante do cenário, o Tribunal também vem articulando outras ações, como o seminário “É da Nossa Conta – Orçamento Mulher”, voltado à fiscalização de recursos no setor. Na avaliação da defensora pública Tânia Matos, os desdobramentos da auditoria operacional também contribuíram para a criação do Gabinete de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres pelo Governo do Estado.

“Estamos entrando em uma nova fase, que exigirá mais comprometimento da sociedade civil e, principalmente, das mulheres de Mato Grosso. Parabenizo o Tribunal de Contas por abrir as portas desta Corte para a população feminina”, destacou Tânia, que preside a Associação Brasileira de Mulheres de Carreiras Jurídicas de Mato Grosso (ABMCJ-MT).

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Mudança na ponta

Crédito: Tony Ribeiro/TCE-MT
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Evento reúne gestores e especialistas para debater enfrentamento à violência contra a mulher.

Um dos principais objetivos do programa é estimular os municípios a incluir políticas de proteção às mulheres em seus planejamentos e orçamentos, corrigindo uma lacuna apontada pela auditoria do Tribunal, que identificou que mais de 90% das prefeituras não possuíam nenhuma ação ou previsão orçamentária específica para o enfrentamento da violência de gênero.

Para a vereadora e procuradora da Mulher da Câmara de Lucas do Rio Verde, Débora Carneiro, a falta de recursos limita as ações a medidas paliativas. “Esse recurso é fundamental quando precisamos retirar uma mulher em situação de risco do município ou investir na capacitação e qualificação profissional para que ela se empodere e deixe de viver em situação de subalternidade em relação ao agressor.”

Neste contexto, a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso (CEDM-MT), Cenira Benedita Evangelista, chamou a atenção para o papel dos conselhos. “O conselho é um órgão propositivo e deliberativo de políticas públicas. Ele está nas comunidades, nos bairros, e também é formado pelo governo, o que nos permite construir juntos políticas voltadas às mulheres”, pontuou.

O evento

Os debates aconteceram durante o evento “Estado e Sociedade: Um Pacto pela Vida e Proteção da Mulher Vítima de Violência Doméstica e Implementação da Lei nº 14.899/2024”, realizado em parceria com o Governo do Estado, Tribunal de Justiça (TJMT), Ministério Público do Estado (MPMT), Defensoria Pública e ABMCJ-MT.

Também participaram do evento o juiz titular da Segunda Vara Criminal de Barra do Garças, Marcelo Resende; a secretária de Ordem Pública de Cuiabá, Juliana Palhares, a vereadora por Cuiabá Michelle Alencar, a coordenadora da Patrulha Maria da Penha, tenente-coronel Ludmila Eickhof; a ouvidora da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Juliana Zafino; a subprocuradora especial da Mulher da Assembleia Legislativa (ALMT), Franciele Claudino Brustolini, o diretor-geral da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Jaime Trevisan Teixeira; o secretário-executivo da Comissão Permanente de Segurança Pública, Edson José da Silva; o conselheiro aposentado do TCE-MT Ubiratan Spinelli; a promotora de Justiça do Ministério Público (MPMT), Regilaine Magali Bernardi Crepaldi; e o presidente da Federação das Indústrias (Fiemt), Silvio Rangel.

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Acordo de R$ 30 milhões abre caminho para salvar a Santa Casa e encerrar dívida histórica

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O governador Mauro Mendes e o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo Crédito – Mayke Toscano/Secom

JB News

por Nayara Cristina

 

A proposta de R$ 30 milhões apresentada pelo Governo de Mato Grosso para a aquisição definitiva do prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá foi aceita pela comissão de credores e pode representar o avanço mais concreto dos últimos anos para encerrar um passivo trabalhista que se arrasta há quase uma década. A sinalização favorável no processo que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região reacende a esperança de um desfecho para uma das crises mais emblemáticas da saúde pública mato-grossense.

 

O entendimento foi consolidado após meses de negociação entre o Estado e os representantes dos trabalhadores. A proposta inicial, de R$ 25 milhões, foi ampliada para R$ 30 milhões à vista pelo então secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, em ofício encaminhado ao TRT em março. O pagamento imediato foi determinante para a concordância dos credores, que convivem há anos com a incerteza sobre o recebimento de verbas rescisórias e outros direitos acumulados.

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O passivo trabalhista da antiga Santa Casa é estimado entre R$ 41 milhões e R$ 43,7 milhões e atinge cerca de 860 ex-funcionários, muitos deles à espera de uma solução desde o fechamento da unidade, em 2019. A dimensão da dívida tornou o caso símbolo da crise estrutural enfrentada por um dos hospitais mais tradicionais de Mato Grosso.

O tamanho do impasse ficou ainda mais evidente nas tentativas frustradas de leiloar o prédio histórico. A Santa Casa foi colocada à venda judicial em duas ocasiões no ano passado: na primeira, com lance mínimo de R$ 54,7 milhões, equivalente a 70% da avaliação do imóvel; na segunda, com valor reduzido para R$ 39,1 milhões. Em nenhuma das tentativas houve interessados. O fracasso dos leilões reforçou a dificuldade de encontrar uma saída viável para o prédio e para os trabalhadores que aguardam reparação.

Fundada no século XIX, a Santa Casa de Cuiabá se tornou ao longo de décadas uma referência em atendimentos de média e alta complexidade e símbolo da assistência hospitalar em Mato Grosso. O prédio carrega valor histórico, social e afetivo para a população cuiabana, o que torna ainda mais sensível qualquer decisão sobre seu destino.

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Mais do que uma solução financeira, a proposta do Estado abre caminho para reposicionar a unidade dentro da rede pública de saúde. O plano do governo prevê manter serviços estratégicos já existentes, como oncologia, nefrologia, cirurgias e atendimentos ambulatoriais, além de ampliar áreas consideradas prioritárias, como cuidados paliativos, home care, hospital-dia, central de diagnósticos e o Serviço de Verificação de Óbito.

A reestruturação projetada busca transformar a Santa Casa em um polo estadual de atendimento especializado, ajudando a desafogar a rede hospitalar da capital e da Baixada Cuiabana. Se o acordo for homologado e a compra for concluída, Mato Grosso poderá não apenas encerrar um longo capítulo de insegurança jurídica e trabalhista, mas também preservar um patrimônio centenário e devolvê-lo à população com uma nova função estratégica no SUS.

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