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Golpista explorava medo dos escândalos: homens casados eram os principais alvos da extorsão revela polícia

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por Nayara Cristina

Foto arte: Emerson Teixeira – JB News

Predador de Vulnerabilidades: Golpista Escolhia Homens no Sigilo, Usava Apps de Encontro e Chantagem Psicológica para Extorquir Vítimas em Cuiabá

CUIABÁ — Preso na manhã de quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, nas imediações da rodoviária de Cuiabá, Hudson William da Silva, de 30 anos, tornou-se o centro de uma investigação que escancarou um esquema cruel de extorsão emocional e sexual praticado contra homens em situação de vulnerabilidade. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça após representação da Polícia Civil, no âmbito da Operação Enigma, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

As informações foram detalhadas em entrevista exibida pelo SBT, no programa Comunidade, onde o delegado Antenor Júnior Pimentel Marcondes, responsável pelo caso, revelou que Hudson agia de forma estratégica, fria e calculada, escolhendo suas vítimas com base em fragilidades pessoais, sociais e emocionais. Segundo o delegado, o suspeito utilizava aplicativos de conversas e relacionamento online como Skokka, Bate-Papo UOL e o Grindr, maior plataforma de encontros voltada à comunidade LGBTQ+, para captar vítimas e iniciar contatos de cunho sexual e íntimo.

A abordagem começava de maneira aparentemente consensual. Hudson iniciava conversas explícitas, trocava mensagens, fotos e vídeos, marcava encontros presenciais ou até programas sexuais pagos. No entanto, após o primeiro contato — seja virtual ou presencial — a dinâmica mudava completamente. Segundo a polícia, a extorsão começava imediatamente, com ameaças de divulgação de conversas, imagens íntimas e vídeos. Em alguns casos, o investigado chegou a tentar gravar as vítimas de forma clandestina, sem consentimento, para ampliar o poder de chantagem.

“Ele aproveitava qualquer vulnerabilidade. Se a vítima fosse casada, se tivesse uma foto íntima, se vivesse no sigilo, ele usava isso como arma”, afirmou o delegado Antenor durante a entrevista. Ainda segundo ele, Hudson explorava o medo da exposição pública, da destruição de relações familiares e da reputação social para exigir dinheiro de forma insistente e progressiva. Em um dos padrões identificados, valores inicialmente baixos se transformavam em cobranças sucessivas: se um encontro ou programa custava cerca de R$ 150, a extorsão podia subir para R$ 500 e, depois, alcançar até R$ 1 mil, sempre acompanhada de pressão psicológica intensa.

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As investigações apontam que, até o momento, sete vítimas já foram formalmente identificadas, embora a Polícia Civil acredite que o número real seja muito maior. Isso porque, conforme ressaltado pelo delegado, muitas vítimas eram homens casados ou pessoas que viviam sua sexualidade de forma reservada, o que dificulta a denúncia por medo, vergonha ou receio de exposição. Durante a apuração, sete boletins de ocorrência com características semelhantes foram localizados, mas apenas quatro vítimas aceitaram prestar depoimento formal, o que já foi suficiente para fundamentar o pedido de prisão preventiva.


Localizado após diligências rápidas, Hudson não foi encontrado em sua residência, mas acabou preso nas proximidades da rodoviária da capital. Em depoimento, segundo a polícia, ele inicialmente tentou culpabilizar as próprias vítimas, minimizando os crimes. No entanto, após ser confrontado com os relatos e provas reunidas, confessou a autoria das extorsões, admitindo que agia exatamente da forma descrita pelas vítimas.

Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou uma série de medidas cautelares, incluindo busca e apreensão domiciliar, quebra de sigilo telemático e bloqueio de até R$ 40 mil em valores, quantia que corresponde à estimativa do montante obtido com as extorsões. Apesar de os valores individuais não serem considerados exorbitantes, a polícia destaca que o impacto emocional sobre as vítimas era profundo, sustentado por ameaças constantes e intimidação psicológica.

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Outro ponto revelado na entrevista diz respeito ao uso de falsas ameaças. Em determinado momento, após as primeiras extorsões, Hudson passou a afirmar que teria ligação com facção criminosa, alegando ser liderança para aumentar o medo das vítimas. A polícia, no entanto, confirmou que não há qualquer vínculo dele com organizações criminosas, sendo essa apenas mais uma estratégia de intimidação.

O delegado responsável pelo caso alertou que o crime de extorsão depende diretamente da denúncia da vítima, o que torna essencial que novas pessoas procurem a polícia. Segundo ele, quem reconhecer o suspeito ou identificar situações semelhantes pode denunciar com garantia de sigilo. A polícia também fez um alerta de saúde pública para que possíveis vítimas procurem atendimento médico e realizem exames, reforçando que, embora não haja comprovação de transmissão intencional de doenças, a prevenção é fundamental.

A Polícia Civil reforça que a divulgação da imagem de Hudson tem caráter investigativo e preventivo, justamente para estimular que outras vítimas se identifiquem e procurem as autoridades. O caso segue em investigação, e novas diligências não estão descartadas.

A Operação Enigma, segundo a GCCO, é um exemplo de resposta rápida do Estado diante de crimes que exploram o medo, o silêncio e a vulnerabilidade emocional. “Nosso objetivo foi agir rápido para não expor ainda mais as vítimas e retirar esse indivíduo de circulação”, concluiu o delegado durante a entrevista ao SBT.

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“Se depender de mim, o MDB não assume nunca mais à Prefeitura”, diz Abilio após filiação de Vânia a sigla, VEJA O VÍDEO

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por Nayara Cristina

INIMIGO PÚBLICO

A filiação da vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa, ao MDB, oficializada nesta segunda-feira (2), ganhou contornos muito mais amplos do que uma simples mudança partidária. O gesto provocou reação imediata do prefeito Abilio Brunini (PL), que endureceu o discurso contra a sigla e deixou claro que não aceita a possibilidade de o MDB comandar a Prefeitura de Cuiabá, ainda que de forma temporária, em caso de eventual afastamento do cargo.

Ao ser questionado pela imprensa, Abilio evitou comentar diretamente a decisão da vice, mas fez questão de marcar posição política. “Eu não vou comentar sobre isso. Cada um responde pelos seus atos. Mas, no que depender de mim, o MDB não assume a Prefeitura de Cuiabá”, afirmou. A fala não foi isolada nem casual. O prefeito já havia sinalizado, em outras ocasiões, a possibilidade de se afastar do cargo em determinados momentos para tratar de agendas políticas, entre elas o acompanhamento do processo eleitoral e a eventual candidatura de sua esposa. Com a nova filiação da vice-prefeita, esse cenário passou a ser visto sob outra ótica, elevando o grau de tensão dentro do Palácio Alencastro.

A entrada de Vânia no MDB foi articulada pela deputada estadual Janaína Riva, principal liderança da sigla no Estado e nome que trabalha a construção de uma candidatura ao Senado em 2026. O ato de filiação teve peso simbólico e estratégico: ao atrair a vice-prefeita da Capital, Janaína fortalece o MDB em Cuiabá, amplia a visibilidade do partido e reforça o discurso de reorganização e retomada de protagonismo político. Nos bastidores, a leitura é de que o movimento também ajuda a montar palanque e a dar densidade política ao projeto majoritário da legenda.

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O ponto sensível, porém, está no aspecto institucional. Como vice-prefeita, Vânia é a primeira na linha de substituição do Executivo municipal. Em um eventual afastamento do prefeito — ainda que temporário e legal — caberia a ela assumir o comando da Prefeitura. Esse cenário, possível e previsto em lei, é exatamente o que incomoda Abilio. Para ele, permitir que o MDB volte a sentar na cadeira principal do Palácio Alencastro, mesmo que por curto período, representaria abrir uma brecha política para um grupo que sua gestão se comprometeu a manter distante do poder.

Quando fala do MDB, o prefeito deixa claro que sua crítica vai além da legenda em si. Em declarações públicas e conversas reservadas, Abilio associa o partido, em Cuiabá, ao grupo político do ex-prefeito Emanuel Pinheiro, cuja gestão antecedeu a sua e que, segundo ele, simboliza um modelo administrativo rejeitado pela população. A presença, nos quadros do MDB, do deputado federal Emanuelzinho reforça essa leitura no campo político aliado ao prefeito. Para esse grupo, a filiação de Vânia não é neutra: ela carrega um peso histórico e simbólico que reacende disputas recentes.

A reação de Abilio foi interpretada nos bastidores como um movimento preventivo e calculado. Ao verbalizar publicamente sua oposição a qualquer comando do MDB na Prefeitura, o prefeito busca reduzir o espaço para especulações e sinalizar que pode, inclusive, rever estratégias de afastamento do cargo para evitar esse cenário. A declaração funciona, assim, como um recado direto tanto à vice-prefeita quanto à cúpula emedebista de que não haverá acomodação política.

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Para o MDB, a filiação de Vânia é tratada como fortalecimento partidário e ampliação de quadros, sem a intenção declarada de assumir a Prefeitura por via indireta. Ainda assim, o simples fato de essa possibilidade existir já é suficiente para tensionar a relação entre o prefeito e sua vice. Ao ingressar no MDB, Vânia passa a ocupar uma posição delicada: segue como integrante de uma gestão comandada por um prefeito que faz oposição aberta ao partido ao qual ela agora pertence, ao mesmo tempo em que ganha protagonismo político e visibilidade para projetos futuros.

No conteúdo mais amplo do debate político, o episódio também toca, de forma indireta, no tema da sucessão, ainda que não seja o eixo central. A movimentação antecipa discussões sobre 2026, reposiciona atores e transforma um eventual afastamento administrativo em um fato político de grande relevância. Cada gesto, a partir de agora, tende a ser lido como parte de uma disputa maior entre projetos, alianças e memórias do passado recente da Capital.

Com a filiação de Vânia e o discurso endurecido de Abilio, Cuiabá entra em um período de maior vigilância política, em que a governabilidade, o controle da máquina pública e os cálculos eleitorais passam a caminhar juntos. O recado do prefeito foi claro: enquanto estiver à frente do Palácio Alencastro, ele não pretende permitir que o MDB volte a comandar a Prefeitura — nem por sucessão, nem por afastamento temporário.

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