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STF mantém prisão de lobista de MT e aponta “ousadia” em venda de sentenças

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Por Nayara Cristina

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou recurso e manteve preso o lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves, acusado de integrar um esquema de venda de sentenças judiciais.

A decisão foi tomada nesta sexta-feira,21, após julgamento virtual iniciado no último dia 14.

Preso desde 26 de novembro na Penitenciária Central do Estado (PCE), em área de segurança máxima, Andreson teve seu agravo regimental relatado pelo ministro Cristiano Zanin.

O voto pela manutenção da prisão foi seguido por unanimidade pelos ministros Cármen Lúcia, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Luiz Fux.

“A ousadia e a complexidade da trama delitiva não podem ser ignoradas, impondo-se, neste instante, um freio a potenciais riscos de recidiva criminosa”, afirmou Zanin.

O ministro destacou que a liberdade do lobista poderia comprometer a credibilidade do Judiciário.

Dieta especial na prisão
Mesmo detido em regime de segurança máxima, Andreson conseguiu na Justiça o direito a uma dieta especial.

Um laudo nutricional da Secretaria de Segurança apontou que ele perdeu 9 kg em dois meses de cárcere. O lobista alegou ter passado por uma cirurgia bariátrica em 2020 e afirmou necessitar de alimentação diferenciada.

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O cardápio autorizado inclui itens como salame fatiado, geleia, torradas, frutas secas e Gatorade.

Operação Sisamnes

Andreson foi preso na Operação Sisamnes, que investiga a venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

A operação também resultou no afastamento dos desembargadores mato-grossenses Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, que seguem monitorados por tornozeleira eletrônica.

As investigações apontam crimes de organização criminosa, corrupção, exploração de prestígio e violação de sigilo funcional.

A ordem de prisão de Andreson foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, que reforçou a gravidade do caso e a necessidade de mantê-lo sob custódia.

“A decisão que decretou a custódia do investigado demonstra de forma veemente sua atuação central no suposto comércio de sentenças judiciais”, pontuou.

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Acordo de R$ 30 milhões abre caminho para salvar a Santa Casa e encerrar dívida histórica

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O governador Mauro Mendes e o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo Crédito – Mayke Toscano/Secom

JB News

por Nayara Cristina

 

A proposta de R$ 30 milhões apresentada pelo Governo de Mato Grosso para a aquisição definitiva do prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá foi aceita pela comissão de credores e pode representar o avanço mais concreto dos últimos anos para encerrar um passivo trabalhista que se arrasta há quase uma década. A sinalização favorável no processo que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região reacende a esperança de um desfecho para uma das crises mais emblemáticas da saúde pública mato-grossense.

 

O entendimento foi consolidado após meses de negociação entre o Estado e os representantes dos trabalhadores. A proposta inicial, de R$ 25 milhões, foi ampliada para R$ 30 milhões à vista pelo então secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, em ofício encaminhado ao TRT em março. O pagamento imediato foi determinante para a concordância dos credores, que convivem há anos com a incerteza sobre o recebimento de verbas rescisórias e outros direitos acumulados.

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O passivo trabalhista da antiga Santa Casa é estimado entre R$ 41 milhões e R$ 43,7 milhões e atinge cerca de 860 ex-funcionários, muitos deles à espera de uma solução desde o fechamento da unidade, em 2019. A dimensão da dívida tornou o caso símbolo da crise estrutural enfrentada por um dos hospitais mais tradicionais de Mato Grosso.

O tamanho do impasse ficou ainda mais evidente nas tentativas frustradas de leiloar o prédio histórico. A Santa Casa foi colocada à venda judicial em duas ocasiões no ano passado: na primeira, com lance mínimo de R$ 54,7 milhões, equivalente a 70% da avaliação do imóvel; na segunda, com valor reduzido para R$ 39,1 milhões. Em nenhuma das tentativas houve interessados. O fracasso dos leilões reforçou a dificuldade de encontrar uma saída viável para o prédio e para os trabalhadores que aguardam reparação.

Fundada no século XIX, a Santa Casa de Cuiabá se tornou ao longo de décadas uma referência em atendimentos de média e alta complexidade e símbolo da assistência hospitalar em Mato Grosso. O prédio carrega valor histórico, social e afetivo para a população cuiabana, o que torna ainda mais sensível qualquer decisão sobre seu destino.

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Mais do que uma solução financeira, a proposta do Estado abre caminho para reposicionar a unidade dentro da rede pública de saúde. O plano do governo prevê manter serviços estratégicos já existentes, como oncologia, nefrologia, cirurgias e atendimentos ambulatoriais, além de ampliar áreas consideradas prioritárias, como cuidados paliativos, home care, hospital-dia, central de diagnósticos e o Serviço de Verificação de Óbito.

A reestruturação projetada busca transformar a Santa Casa em um polo estadual de atendimento especializado, ajudando a desafogar a rede hospitalar da capital e da Baixada Cuiabana. Se o acordo for homologado e a compra for concluída, Mato Grosso poderá não apenas encerrar um longo capítulo de insegurança jurídica e trabalhista, mas também preservar um patrimônio centenário e devolvê-lo à população com uma nova função estratégica no SUS.

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