POLITICA
Vereador denuncia possível uso irregular do Fundeb e cobra apuração sobre obra milionária paralisada em Várzea Grande
JB News
Por Nayara Cristina
Uma denúncia levada à tribuna da Câmara Municipal de Várzea Grande pelo vereador Clebson Feitosa acendeu um novo foco de tensão política e administrativa no município ao questionar a destinação de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), verba constitucionalmente vinculada à educação. Segundo o parlamentar, há indícios de que recursos oriundos do fundo teriam sido utilizados para pagamento de folha salarial enquanto uma obra financiada com a mesma fonte permanece paralisada, levantando dúvidas sobre a regularidade dos procedimentos administrativos adotados pela gestão municipal.
A manifestação do vereador provocou forte repercussão no parlamento, sobretudo porque os recursos do Fundeb possuem destinação específica e regras rígidas estabelecidas pela legislação federal. Embora o pagamento de profissionais da educação esteja entre as finalidades previstas para aplicação dos recursos — com percentuais mínimos obrigatórios para remuneração do magistério — qualquer eventual remanejamento orçamentário que comprometa a execução de investimentos estruturais ou desrespeite os critérios legais pode configurar irregularidade administrativa. Caso comprovado desvio de finalidade ou uso indevido da verba, o fato pode ensejar responsabilização por improbidade administrativa, além de sanções por parte dos órgãos de controle.
Feitosa sustenta que a situação exige transparência imediata e auditoria técnica para esclarecer se houve, de fato, realocação indevida dos recursos ou descumprimento do planejamento financeiro da pasta da Educação. O parlamentar também aponta que a paralisação da obra — considerada milionária — gera prejuízo direto à comunidade escolar, ampliando o impacto social do possível problema fiscal. Até o momento, porém, não há conclusão oficial sobre os fatos apresentados, e os apontamentos dependem de verificação técnica por parte dos órgãos competentes.
Diante da gravidade das declarações, cresce a expectativa em torno da atuação do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, especialmente no âmbito da relatoria das contas municipais de 2026 de Várzea Grande, que está sob responsabilidade do conselheiro Antônio Joaquim. Caberá ao órgão analisar a execução orçamentária, os registros contábeis e os contratos vinculados à obra questionada, verificando se houve desvio de finalidade, irregularidade formal ou eventual dano ao erário.
O debate ocorre em um momento de desgaste político para a prefeita Flávia Moretti, cuja administração já enfrenta críticas relacionadas à condução da política educacional e a outros setores da gestão pública. Embora a denúncia apresentada pelo vereador ainda não tenha sido confirmada oficialmente, o caso amplia a pressão sobre o Executivo municipal para apresentar esclarecimentos detalhados, documentos comprobatórios e informações técnicas que afastem suspeitas de uso irregular de verbas vinculadas.
Outro ponto que permeia as discussões no Legislativo envolve a atuação do atual secretário de Governo, Silvio Fidelis, que anteriormente esteve à frente da Secretaria de Educação na gestão de Kalil Baracat, e hoje ocupa posição estratégica na articulação política da gestão. Vereadores têm mencionado a existência de pendências administrativas ainda não sanadas na área da educação, embora não haja, até o momento, decisão formal que confirme irregularidades atribuídas a qualquer agente público.
No plenário, o clima é de embate. Parlamentares defendem que o caso seja tratado com rigor técnico e sem precipitações, enquanto outros cobram imediata abertura de procedimentos fiscalizatórios. A discussão transcende a disputa política e passa a tocar diretamente na gestão dos recursos educacionais, área sensível por sua natureza constitucional e pelo impacto direto na qualidade do ensino oferecido à população.
A Prefeitura de Várzea Grande ainda pode se manifestar oficialmente sobre os apontamentos feitos pelo vereador, apresentando sua versão dos fatos e documentação que comprove a regularidade da aplicação dos recursos do Fundeb. Até que haja pronunciamento técnico conclusivo dos órgãos de controle, as suspeitas permanecem no campo das alegações parlamentares.
Enquanto isso, a expectativa recai sobre a análise das contas municipais de 2026 e sobre eventual atuação fiscalizatória do Tribunal de Contas. Se confirmadas irregularidades, o episódio poderá ter repercussões administrativas, políticas e jurídicas relevantes. Caso contrário, caberá à administração municipal demonstrar que a execução orçamentária observou os parâmetros legais e constitucionais. O desfecho dependerá, sobretudo, da apuração técnica e da transparência na prestação de contas à sociedade.
POLITICA
“Assinaturas de três anos não representam mais a vontade política”, diz Fábio Garcia ao criticar parecer da Procuradoria da ALMT e instalação da CPI da Saúde, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
A confirmação da instalação da CPI da Saúde na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, anunciada nesta quarta-feira pelo presidente Max Russi, aprofundou um embate que já vinha se arrastando nos bastidores do Parlamento e agora ganha contornos públicos e mais duros. Embora a comissão ainda não esteja completamente formada — já que os blocos partidários não concluíram a indicação de todos os membros —, o anúncio oficial de que a CPI será instalada intensificou as críticas do governo estadual, especialmente do chefe da Casa Civil, Fábio Garcia.
A polêmica gira em torno das assinaturas que fundamentaram o requerimento apresentado pelo deputado Wilson Santos. Segundo diversos parlamentares, os nomes foram colhidos há três anos, durante uma tentativa anterior de abertura de comissão parlamentar de inquérito que acabou não avançando. Para esses deputados, o cenário político de 2023 não é o mesmo de 2026, e a vontade manifestada naquele momento não necessariamente se mantém agora.
Alguns parlamentares chegaram a solicitar formalmente a retirada de seus nomes, alegando que não foram consultados novamente antes da reapresentação do documento à Mesa Diretora. Mesmo diante dessas manifestações, a Procuradoria da Assembleia Legislativa entendeu que o requerimento é legal e que cabe ao presidente dar andamento ao processo de instalação.
Max Russi, ao anunciar que a CPI será instalada, afirmou que aguarda a indicação dos membros pelos blocos parlamentares. Até o momento, apenas dois nomes teriam sido encaminhados, mas ainda não divulgados oficialmente. O presidente concedeu novo prazo para que os blocos façam as indicações, o que provocou questionamento de Wilson Santos. Para ele, diante da suposta revelia no prazo regimental, o presidente já poderia indicar os integrantes para garantir a imediata instalação da comissão.
Enquanto o impasse sobre os nomes se prolonga, a CPI já provoca forte desgaste político, inclusive no âmbito do Palácio Paiaguás. Nesta quinta-feira, Fábio Garcia fez duras críticas à forma como o requerimento foi reapresentado.
“O instrumento da CPI é legítimo, é um instrumento que o Poder Legislativo tem para investigar. O problema, nesse caso específico, é a forma como isso foi feito”, afirmou. Segundo ele, a coleta de assinaturas começou há três anos, o documento ficou guardado e foi reapresentado sem que houvesse a convalidação da vontade atual dos deputados. “Ele não convalidou com os seus pares se eles ainda tinham a vontade política que tinham há três anos atrás. Fez à revelia de alguns deputados que formalizaram isso.”
Garcia também criticou a atuação da Procuradoria da Assembleia por não considerar o posicionamento atual dos parlamentares que questionaram o uso de suas assinaturas. “Me espantou que a Procuradoria tenha ignorado a vontade política atual dos parlamentares. Essas assinaturas foram colhidas há três anos e não representam mais, para muitos, a vontade política de hoje.”
Ele comparou a situação a um episódio ocorrido no Senado Federal, onde, segundo relatou, houve caso semelhante e os parlamentares foram consultados novamente para confirmar o interesse na abertura da comissão. “Aqui não houve essa confirmação. Alguns deputados entraram com representação porque aquele requerimento apresentado três anos depois não representava mais o que pensavam hoje.”
Apesar do tom crítico, Fábio Garcia negou que haja desgaste na relação do governo com Wilson Santos. “O deputado é livre para tomar seus posicionamentos. Se entende que precisa investigar um fato, ele tem todo o direito. Mas poderia ter buscado novas assinaturas, conversado um a um com os deputados. Isso não é respeito ao governo, é respeito aos próprios pares.”
Ele ainda exemplificou: “Se alguém guarda um documento assinado por mim três anos atrás e apresenta sem me consultar novamente, eu me sentiria desrespeitado.”
Mesmo afirmando que, em sua avaliação, o processo não teve a legitimidade política adequada, Garcia reconheceu que a CPI deve ocorrer. “Ela vai acontecer. Pode até ocorrer normalmente. Mas, para mim, foi feita de uma forma não adequada.”
A CPI da Saúde deverá investigar possíveis irregularidades na área, incluindo contratos administrativos, dispensas de licitação, compras públicas, execução de recursos e eventuais falhas na gestão do setor. No entanto, enquanto os blocos não definirem seus representantes, a comissão permanece apenas formalmente anunciada, mas ainda não plenamente instalada — mantendo o Parlamento sob tensão e ampliando o debate político em torno da legalidade, legitimidade e oportunidade da investigação.
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